1.CONTEXTO
.  Segunda Revolução Industrial.
.  Guerra do Paraguai.
.  Movimento abolicionista e republicano.
.Tendências científicas e filosóficas: positivismo (A. Comte), evolucionismo (Darwin), determinismo (Taine), socialismo científico (K. Marx).
2.MARCO INICIAL
         (1881)
. Realismo: Memórias Póstumas de Brás Cubas — romance de Machado de Assis
.  Naturalismo: O Mulato - romance de Aluísio de Azevedo.
3.CARACTERÍSTICAS
                    REALISMO
. Objetividade: verossimilhança, fidelidade ao real.
. Impessoalidade: atitude neutra (aparente).
Análise psicossocial da personagem.
Contemporaneidade: assuntos de sua época.
. Criticidade: questionamento da sociedade  burguesa.
.Detalhismo descritivo: apresentação minuciosa das personagens e ambientes.
.  Lentidão narrativa: por causa do detalhismo descritivo.
.  Sensorialismo: exploração dos sentidos.
                   NATURALISMO
  Às características do Realismo, acrescentam-se as seguintes:
.Determinismo: personagem condicionado pelos três fatores “raça-meio-momento” (Taine).
.Cientificismo: aplicação do método experimental à Literatura.
.O patológico: destaque às situações e personagens anormais, doentios, desequilibrados, mórbidos

           ROMANCE   REALISTA / NATURALISTA
1.MACHADO
   DE ASSIS
• Romancista, contista, poeta, crítico literário, cronista e teatrólogo.
• Liderou a fundação da Academia Brasileira de Letras e foi seu presidente perpétuo.
Romances da fase romântica: Ressurreição, A Mão e a Luva,  Helena,  Iaiá Garcia.
Romances da fase realista:
-  Memórias Póstumas de Brás Cubas: (O defunto autor Brás Cubas escreve sua autobiografia, na qual expõe e analisa impiedosamente o comportamento humano e suas secretas e mesquinhas motivações. Sua  amante é Virgília, mulher de Lobo Neves. O reencontro com o ex-colega Quincas Borba, filósofo do
Humanitismo.)
 - Quincas Borba (Narrado em 3ª pessoa. História de Rubião que herda os bens do amalucado filósofo Quincas Borba, junto com seu cão também chamado Quincas Borba. Vai morar no Rio de Janeiro.Provinciano rico e ingênuo, cai nas mão de Camacho e do casal Sofia e  Palha, que o deixam na miséria. Vai ficando louco.Volta para Barbacena, MG, onde morre pobre e demente.)
- Dom Casmurro (Narrado em 1ª pessoa por Bentinho, que  rememora seu namoro e casamento com Capitu. A separação docasal é motivada pela certeza que  Bentinho diz  ter de que ela o havia traído com Escobar, um amigo do casal. E a prova seria a
semelhança física que haveria entre o filho deles, Ezequiel, e Escobar.)
.  Outros romances dessa fase realista: Esaú e Jacó, Memorial de  Aires.
• Características: ruptura da sequência linear do enredo (interferência  do narrador; multiplicidade e fragmentação dos episódios, ênfase nos aspectos psicomorais); o adultério; a loucura; a hipocrisia; o humor irônico e o pessimismo.
                               2.RAUL POMPÉIA

Romance principalO Ateneu: de fortes traços autobiográficos, é narrado em 1ª pessoa por Sérgio, personagem-narrador que,  adulto, rememora criticamente suas experiências e impressões de estudante  no Colégio Ateneu, dirigido por Aristarco. A crítica ao  universo  escolar amplia-se numa crítica ao universo social e político do Brasil daquela época.
.Romance classificado como misto de realista e impressionista.        
  Linguagem muito trabalhada

3.ALUÍSIO DE  
    AZEVEDO
Romances principais: O Mulato, Casa de Pensão, O Cortiço.
- O Cortiço (sua obra-prima): história da origem e evolução dc umahabitação coletiva onde vivem operários, lavadeiras, funcionárioshumildes, gente simples e desafortunados, num ambiente de miséria, promiscuidade e violência, explorados pelo português João Romão, dono do cortiço e do armazém. Destacam-se os personagens: a negra Bertoleza, Jerônimo, Firmo e Rita Baiana.
                      QUESTÕES  DE  PROVAS
 1-(UM-SP) Assinale  a alternativa correta sobre o romance “O Ateneu”, de Raul Pompeia:
   a.(   ) O romance se realiza pelo processo memorialista do narrador, permeado por uma profunda visão crítica.
  b. (   ) Trata-se de uma crônica de saudades, em que o autor revela, a cada instante, vontade de volta.
  c. (  )  “O Ateneu” representa uma apologia aos colégios internos como forma ideal para a formação do adolescente.
  d.(   ) Apesar da tentativa de atingir um estilo realista, a obra mantém uma estrutura romântica aos moldes de José de Alencar.
  e.(   ) Todas as personagens do romance buscam identificar-se com o diretor  do Ateneu.

2.(UFRGS-RS) No romance “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, a sintonia com os ideais naturalistas é acentuada pela seguinte característica básica da história:
a.(   ) O personagem sobrepõe-se ao ambiente.
b.(   ) O coletivo sobrepõe-se ao individual.
c.(   )  O psicológico sobrepõe-se ao social.
d.(   )  O trabalho sobrepõe-se ao capital.
e.(   ) A força sobrepõe-se à razão.

A questão 3 refere-se ao seguinte texto:
   “Este capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas,  coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais, não padeci a morte de D. Plácida, nem a semidemência de Quincas Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginaria que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará  mal: porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: - Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”

3.(FUVEST-SP) Trata-se do trecho final de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, Levando isso em conta,, examine a expressão “ao chegar a este outro lado do mistério”. Com ela, o narrador:
a.(   ) refere-se ao mistério da semidemência de Quincas Borba, cuja causa nunca pôde compreender.
b.(   ) alude ao fato de não ter conseguido tornar-se ministro, embora tivesse condições para tanto.
c.(   ) alude ao próprio passado, pois só agora percebe como sua vida foi inútil e negativa.
d.(   ) refere-se ao mistério da morte, pelo qual ele já passou.
e.(   ) refere-se ao mistério do casamento e da paternidade, pelo qual ele não passou.

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1.JOAQUIM  
   MANUEL
DE MACEDO
• Com A Moreninha (1844). inicia o romance brasileiro: romance urbano de costumes.
Seus romances em geral: crônica de costumes e ambientação urbana,  contando uma história de amor entre dois jovens que, após a superação de certos obstáculos, chegam ao casamento.
Romance dentro dos padrões burgueses da época. Fraca construção psicológica das personagens e visão superficial da sociedade. Linguagem simples, direta, fluente.
• Escreveu quase uns vinte romances: O moço loiro, A luneta mágica, As mulheres de mantilha. Também escreveu várias comédias e dramas.
2.MANUEL
   ANTÔNIO
DE ALMEIDA
• Famoso por seu único romance: Memórias de um sargento de milícias (1854-1855): conta as peripécias do malandro Leonardo, filho de imigrantes  portugueses. De uma infância endiabrada a uma juventude folgazona, sem  trabalhar,metendo-se em divertidas encrencas. Preso pelo major Vidigal,  acaba se engajando na tropa e sendo promovido a sargento. Finalmente,  casa-se com a jovem viúva Luisinha, seu amor antigo.
• Ao mesmo tempo, é uma crônica pitoresca sobre a vida e o povo carioca nos  tempos do rei D. João VI.
• Tipos humanos, costumes populares, comicidade, movimentação dos episódios, incorporação de saborosas expressões populares — eis seus principais ingredientes.
3.JOSÉ  DE 
   ALENCAR
Principal romancista romântico. Enquadra-se tanto dentro do romance urbano como no romance regionalista.
Romance urbano: ambientado no Rio de Janeiro, com temática envolvendo  amor e dinheiro. Destaque dado às personagens femininas. Principais romances: Senhora e Lucíola. Os outros: Cinco minutos, A viuvinha, Diva, A pata da gazela, Sonhos d’ouro, Encarnação.
Romance indianista: o índio como protagonista, idealizado; a paisagem selvática; a linguagem e os costumes indígenas; o confronto entre as civilizações indígena e européia.
 — O Guarani: o índio goitacá Peri protegendo e salvando sua amada Ceci, um branca.
 — Iracema: a índia tabajara e seu devotado amor por Marfim, um guerreiro branco.
— Ubirajara: os feitos e os afetos de Jaguaré, índio Araguaia, no período pré-cabralino.
• Romance histórico: painel de época, remontando aos primórdios de nossa formação sócio-cultural. Em As minas de prata: a reconstituição do período colonial da Bahia seiscentista. Em Guerra dos Mascates: a exploração, em tom de comédia, da histórica rivalidade entre os brasileiros de Olinda e os portugueses do Recife, por volta de 1710.
Romance regionalista: tentativa de caracterização do que, na época, eram as grandes regiões do país: o Norte (O Sertanejo); o Sul (O Gaúcho): e o Centro (O Tronco do Ipê; Til). A paisagem local; os habitantes: tipos,  costumes, atividades, estruturas  sociais, linguagem.


                 
   III-  ROMANCE  ROMÃNTICO   REGIONALISTA

1. BERNARDO GUIMARÃES
• Iniciador do romance romântico sertanista (regionalista) com O Ermitão de Muquém (1866). Autor de uns dez romances, sendo mais famosos: O  Seminarista, O Garimpeiro e A Escrava Isaura.
• Focaliza, em várias narrativas, o universo interiorano de Minas e Goiás: sua paisagem, tipos humanos, costumes e linguagem.
• Em O Seminarista (1872), narra a história trágica do amor de Eugênio e Margarida. Ele é forçado pela família a seguir a carreira sacerdotal: e ela se  mantém solteira, fiel a seu amor de infância. Já padre. ao voltar à terra natal, se reencontram. Vivem intensamente um momento de paixão. Ela, doente, morre. Ele, ao ir celebrar a sua primeira missa, enlouquece.
2.VISCONDE
   DE TAUNAY
• Sua obra mais famosa é Inocência (1872). É a história comovente e dramática de Cirino e Inocência, passada nos sertões do Mato Grosso. Hospedado na casa do fazendeiro Pereira, Cirino, fazendo-se passar por médico, trata d Inocência, devolvendo-lhe um pouco de saúde. Apaixonam-se. Mas ela já está prometida ao vaqueiro Manecão, que se vinga assassinando Cirino. Esgotada, Inocência não resiste e morre, fiel a seu amor.
• Embora romântico pela trama amorosa, o romance apresenta certo caráter realista pela precisão, detalhismo e verossimilhança nas descrições.
 3.FRANKLIN
   TÁVORA
• Polêmico, critica o regionalismo de Alencar e sustenta que o Norte/Nordeste têm melhores condições de produzir urna autêntica literatura brasileira.
• Seu romance mais conhecido é O Cabeleira (1876). Misto de reconstituição histórica e regionalismo, conta a vida de José Gomes (O Cabeleira), cangaceiro célebre, precursor de Lampião A mãe tenta educá-lo para o bem, mas o pai o torna um facínora. Ao final, influenciado por Luisinha, um amor de infância, Cabeleira promete se regenerar. Mas acaba preso e enforcado no Recife.

                       QUESTÕES DE PROVAS
   -Vendido! exclamou Seixas ferido dentro d’alma.
  -Vendido sim: não tem outro nome. Sou rica, muito rica, sou milionária; precisava de um marido, traste indispensável às mulheres honestas. O senhor estava no mercado; comprei-o. Custou-me cem contos de réis, foi barato; não se fez valer. Eu daria o dobro, o triplo, toda a minha riqueza por este momento.

QUESTÃO 01 - Com relação ao fragmento acima, extraído da obra de José de Alencar, pode-se afirmar que
a. (  ) Contempla a visão de mundo do período romântico: a idealização da mulher e seu
    autoritarismo diante do homem. -
b. (  ) Pertence à segunda parte do romance — QUITAÇÃO — onde Aurélia confessa ter
    comprado o marido.
e. (  ) Apresenta uma característica romântica bastante evidenciada durante toda a narrativa: o 
     uso da razão em detrimento ao sentimentalismo.
d. (  ) Aurélia Camargo, em sua fala, exemplifica uma posição crítica do autor ao denunciar
     a hipocrisia, o materialismo e o jogo de interesses da sociedade da época.
e. (  ) Os protagonistas Aurélia Camargo e Fernando Seixas, em função da situação criada
    pela discussão, jamais conseguiram se entender, o que gerou a separação do casal alguns anos depois.

QUESTAO 02 — LeIa o seguinte fragmento, final da obra O Guarani, José de Alencar.
   Ambos, árvore e homem, embalançaram-se no seio das águas: a haste oscilou; as raízes desprenderam-se da terra já minada profundamente pela torrente.
   A cúpula da palmeira, embalançando-se graciosamente, resvalou pela flor da água como um ninho de garças ou alguma ilha flutuante, formada pelas vegetações aquáticas.
 Peri estava de novo sentado junto de sua senhora quase inanimada: e, tomando-a nos braços, disse-lhe com um acento de ventura suprema:
   — Tu viverás!...
  Cecília abriu os olhos, e vendo seu amigo junto dela, ouvindo ainda suas palavras, sentiu o enlevo que deve ser o gozo da vida eterna. 

Nesta passagem, na qual Peri, herói índio da história, arranca uma palmeira do chão para salvar sua senhora Cecília, moça branca, há vários símbolos que estavam presentes no Romantismo brasileiro. Dentre eles, destacam-se:___________________________________________________
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 1.CONTEXTO
. Queda da aristocracia e ascensão da burguesia..
. Ampliação do público ledor.
• Liberalismo, nacionalismo, democratização.
Brasil: vinda da família real (1808), proclamação da Independência (1822).
2.MARCO INICIAL
Suspiros Poéticos e Saudades (1836) — livro de poemas de Gonçalves de Magalhães

3.CARACTERÍSTICAS
Subjetivismo: a expressão do “eu”; a realidade é captada e filtrada  através da percepção particular do indivíduo.
Sentimentalismo: o “coração” é a medida de tudo, justifica todas as  ações.
Idealização: imagina tudo mais perfeito — a  mu-lher, o herói, o tempo,  o espaço.
Evasão: fuga da sociedade com a qual está em conflito; sentimento de solidão.
Natureza: cúmplice, refúgio, confidente- do eu-lírico, reflexo de seu mundo interior; motivo de ufanismo naciona-
lista.
Liberdade: desprezo às convenções acadêmicas e clássicas, para ser livre em sua expressão artística. -
Nacionalismo: valorização das manifestações populares de arte e cultura, busca das raízes da nacionalidade. (cf. Indianismo e  Regiona lismo).
O Romantismo: assume e exprime a ideologia burguesa.

 4.TEATRO
• Com o Romantismo: renascimento e definição do teatro nacional.
Martins Pena: principal teatrólogo romântico, introdutor do teatro de costumes no Brasil, iniciando com a comédia Juiz de paz da roça. Sua obra constitui um painel da realidade brasileira na primeira metade do século XIX. Vinte comédias e seis dramas.
Outros autores: Gonçalves de Magalhães (Antônio José ou o Poeta e a Inquisição) — tragédia nacional); Gonçalves Dias (Leonor de Mendonça — drama); Joaquim Manuel de Macedo (O primo da Califórnia — comédia); José de Alencar (O demônio familiar — comédia); Qorpo Santo (As relações naturais — teatro do absurdo). -

                                        1) POESIA  ROMÂNTICA

   1ª GERAÇÃO
     (1836-1853)
     Nacionalista:
Implantação e con-solidação do Ro- mantismo no Bra-sil.  Indianismo.
Lirismo amoroso.
Gonçalves de Magalhães — Introdutor do Romantismo no Brasil. 
Obras: Suspiros Poéticos e Saudades; Confederação dos Tamoios.
Temática: nacionalismo, religiosidade, sentimentalismo, indianismo.
 Mais teorizador do que bom poeta romântico.
Gonçalves Dias — Excelente poeta, talvez o melhor do Romantismo.
Obras: Cantos (contendo Novos Cantos e englobando as obra anteriores: Primeiros Cantos, Segundos Cantos, Sextilhas de Frei Antão,Últimos Cantos) e Os Timbiras. Temática: indianismo, saudade, amor, natureza. Poemas famosos: Canção do Exílio; 1-Juca- Pirama; Ainda uma vez — Adeus!
     2ª GERAÇÃO
      (l853 - 187O)
Ultra-romantismo, geração byroniana,
marcada pelo mal do século: tédio da vida,inconformismo,
morbidez em rela-ção à morte, sub-jetivismo e senti-mentalismo exacer-bados.
Álvares de AzevedoObra: Lira dos vinte anos.Marcado pelo byronisrno e mal do século. Exacerbação das sentimentos; dramaticidade. A mulher amada: desejada, mas idealizada, inacessível. Temas-chave: amor e morte. Poemas famosos: Se eu morresse amanhã, Lembrança de morrer. Escreveu Noite na taverna: contos ultra-românticos, maca-bros, cheios de perversões.
Casimiro de AbreuObra: Primaveras. Tema central: a saudade (cf. poemas: Meus oito anos, Canção do exílio, Minha Terra...). Outro tema-chave: o amor ingênuo e adolescente (poema: Amor e medo).
     3ª GERAÇÃÔ
     (1870 - 1881)
 Poesia de teor
sócio-político:defe-sa de causas hu-manitárias, comba-te à escravidão ne- gra.
Condoreirismo.
Castro AlvesObras: Espumas flutuantes, A cachoeira de Paulo Afonso, Os escravos, e o drama Gonzaga ou A Revolução de Minas. Poesia sócio-política, abolicionista: “o poeta dos escravos” (cf. poemas: O Navio Negreirp; Vozes d’África). Linguagem condoreira: elevada, vibrante, grandiloquente, bem adjetivada, cheia de metáforas, comparações, hipérboles... Poesia amorosa: mais realista, viril, sensual.
Sousândrade — Com seu poema épico O Guesa, denuncia a exploração secular que os povos ameríndios sofreram do branco invasor. Porém, pela complexidade temática e técnica, Sousândrade ultrapassa os limites do Romantismo, sendo verdadeiro precursor do Modernismo e das Vanguardas. Poesia lírica: Harpas selvagens.

l. Gonçalves Dias
    Canção do Exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá,
Minha terra tem palmeiras:
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

 Canção do Tamoio
Não chores, meu filho:
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.

Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

 O fone, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves conselhos,,
Curvadas as frontes,
Escutam- lhe a voz.

2. Álvares de Azevedo

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria,
Se eu morresse amanhã)

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
 Eu perdera chorando essas coroas,

 Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito,
Se eu morresse amanhã!

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1.CONTEXTO
• Século das Luzes (1700-1800)Iluminismo (Razão, liberdade de pensamento, progresso científico e social).
• Elaboração e publicação da Enciclopédia, na França.
• A Revolução Francesa (1789).
• Em Portugal: o governo iluminista do Marquês de Pombal.
• Vila Rica, MG: Inconfidência Mineira.
2.MARCO INICIAL
Obras (1768) — livro de poemas de Cláudio Manuel da Costa.

3.CARACTERÍSTICAS
.  Influências ideológicas do Iluminismo.
. Influências estéticas do Classicismo greco-latino e renascentista.
. Racionalismo predominando sobre o sentimentalismo e a religiosidade.
. Preocupação com a educação moral e intelectual. Combate aos exageros verbais do Barroco.
• Linguagem mais simples, direta, objetiva.
. A Natureza como modelo de sabedoria, harmonia e felicidade.
• Bucolismo, pastoralismo, exaltação da vida no campo

4.POETAS LÍRICOS
Cláudio Manuel da Costa: bom sonetista. Temas: o amor não-correspondido pela asnada, a preferência pela vida no campo à vida urbana, a consciência e a tristeza sobre a brevidade da vida. Tentou a poesia épica com o poemeto Vila Rica.
Tomás Antônio Gonzaga: na sua obra Marília de Dirceu celebra os amores pastoris desses dois personagens; linguagem simples, espontânea, musical. Cartas chilenas: 13 cartas em forma de poemas. sátira política contra os desmandos administrativos do governador de Minas Gerais; circularam anônimas.
Silva Alvarenga: no livro Glaura, canta os amores do pastor Alcindo Palmireno e da pastora Glaura, num ambiente bucólico e natural; rondós e madrigais são as formas poemáticas usadas; produziu ainda poesia satírica, didática e encomiástica.
Alvarenga Peixoto: obra reduzida, de qualidade irregular, presa às convenções arcádicas, influências clássicas e mitológicas; musa: a esposa Bárbara Heliodora; poesia encomiástica e comemorativa.

5.POETAS ÉPICOS
Basílio da Gama: escreveu O Uraguai — a luta do exército luso-espanhol contra jesuítas e guaranis, pela posse na região dos Sete Povos das Missões; 
Sepé e Cacambo:líderes indígenas;  Pe. Balda: vilão; 
Lindoia, mulher de Cacambo, heroína: deixa-se picar por cobra venenosa e morre, para ser fiel ao marido. Valoriza o índio e sua cultura; tem caráter pré-romântico. Ideologicamente apresenta forte antijesuitismo e defesa da política de Pombal Poema escrito em versos brancos.
Santa Rita Durão: escreveu Caramuru — as aventuras do português Diogo Álvares Correia entre os índios da Bahia e episódios da História do Brasil; destaque ao episódio da morte de Moema: preterida por Diogo, deixa-se morrer afogada ao tentar seguir a nado o navio que o levava a França, com sua mulher, a índia Paraguaçu. Tem por modelo a epopeia Os Lusíadas, de Camões.
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1.CONTEXTO
• Renascimento e a Reforma de Lutero. A Contra-Reforma da Igreja  Católica (Concílio de Trento; companhia de Jesus = padres jesuítas).  Séculos XV e XVI.

2.MARCO INICIAL
Prosopopeia (1601) — poema épico de Bento Teixeira, tendo por assunto os feitos militares de Jorge de Albuquerque.

3.AUTORES
Gregório de Matos Guerra, poeta baiano. Produziu poesia satírica, pornográfica, amorosa, filosófica e religiosa Através sobretudo de sua poesia satírica, traça um painel do Brasil Colônia de então. Incorpora características da linguagem popular. Na poesia amorosa: descrição  idealizante da amada, convite ao prazer amoroso. Na poesia religiosa: homem pecador X Deus salvador.
Pe. Antônio Vieira, português de nascimento. Orador sacro famoso:  cerca de 200 Sermões. Tendência conceptista de estilo. Grande domínio da língua portuguesa. Além dos temas religiosos, demonstro preocupação com assuntos sociais, políticos e econômicos de seu  tempo. Sermão da Sexagésima: aponta as três causas possíveis pelo fraco efeito das pregações: o próprio pregador, o ouvinte e Deus.



4.CARACTERÍSTICAS
• Estética do conflito, pela confluência de valores medievais (teocentrismo) e valores renascentistas (antropocentrismo).
• Tensão e angústia existencial.
• Uso abundante de linguagem figurada: antítese, paradoxo, fusionismo; metáfora, hipérbole, repetição, inversão sintática...
• Estilo opulento, todo retorcido, feito de tensão e contrastes.
• Tematização da brevidade da vida e da efemeridade de tudo:juventude, beleza, poder, riqueza... O famoso “carpe diem “.

5.CORRENTES
Cultismo: valorização dos aspectos externos, sensoriais, formais.
Conceptismo: valorização das idéias, raciocínios, argumentação; a semântica das palavras.


 1. Gregório de Matos
      
      Poesia  satírica
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um freqüentado olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
Para levar à Praça e ao Terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos pelos pés os homens nobres,
 Posta nas palmas toda picardia.

Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres,
E eis aqui a cidade da Bahia.

     Poesia  religiosa
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta demência me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado.
A abrandar-vos sobeja um só gemido,
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida, e já cobrada,
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgastada.
Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.



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