III-O  CLASSICISMO  PORTUGUÊS   (ESPLENDOR  E  DECADÊNCIA  DE  PORTUGAL) -  1527 – 1580
   
1-CONTEXTO    
   HISTÓRICO

. Século XVI =  período áureo da arte e particularmente da literatura portuguesa: maravilhosa arquitetura manuelina (do reinado de D. Manuel),  produção do humanista Gil Vicente  e  de Luís de Camões, expressão máxima do Renascimento.
. A língua portuguesa   assume contornos definidos, iniciando-se o período do português moderno.
. Final desse mesmo século XVI: Portugal conhece uma grande derrocada econômica.
. 1580: ocorre a unificação da Península Ibérica sob o domínio espanhol,fato que marca o fim do Classicismo quinhentista e o início do Barroco, sob a influência espanhola.
2.MARCO  
   INICIAL
. A volta de Francisco Sá de Miranda a Portugal, após seis anos na Itália, de onde traz novos  conceitos de arte e poesia, conhecidos como dolce  stil  nuovo (“doce estilo novo”).
3.O  RENASCIMEN-
   TO  ITALIANO
. Os italianos do século XIV acreditavam que  lhes cumpria a missão de ajudar a reviver o glorioso passado das artes, ciências e cultura  do  período  clássico e todas,  pois essas coisas tinham sido destruídas pelos bárbaros do Norte. Portanto precisavam inaugurar uma nova era. 
. Florença, berço de Dante e de Giotto, uma cidade de mercadores: nas primeiras décadas do século XV, um grupo de artistas se dispôs deliberadamente a criar uma nova arte e a romper com as idéias do passado.
* Fatores que geraram o Renascimento
. Plano econômico: o renascimento comercial reativou o intercâmbio cultural entre Ocidente e Oriente, configurando-se como o principal fator do renascimento cultural.
 . Plano social: a urbanização gerava as condições de uma nova cultura, sendo as cidades o pólo de irradiação do Renascimento,ascensão social e econômica da burguesia propiciava apoio e financiamento ao desenvolvimento da nova cultura.
 . Plano intelectual: a retomada dos estudos das obras clássicas greco-romanas foi de grande importância, graças aos mosteiros medievais, que preservaram em suas bibliotecas muitas dessas obras, protegendo-as da destruição pelos bárbaros no período das invasões.
  . Aperfeiçoamento da imprensa, atribuído a Gutenberg, teve importância no século final do Renascimento (século XVI.
4  .O   RENASCIMEN-TO  EM   PORTUGAL
 . Fim do monopólio clerical sobre a cultura,  filhos dos burgueses  começam a freqüentar universidades, conhecendo uma cultura desligada dos conceitos medievais.  A nova realidade econômica da Europa exige uma nova cultura, mais liberal, antropocêntrica, identificada com o mercantilismo.
 . Em Portugal, o momento histórico é propício aos novos ventos que sopram da Itália. No final do século XV (1487) é  introduzida a imprensa em Portugal, possibilitado a divulgação das obras de autores humanistas italianos, Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio.
  . Autores portugueses de forte inclinação humanista: historiadores João de Barros,Fernão Mendes Pinto; autores tipicamente renascentistas Sá de Miranda, o Ferreira (autor da tragédia A Castro) e Luís de Camões.
              * A   expansão   marítima
   . Os  Portugueses dos séculos XV e XVI provaram pela experiência e pela dedução científica: o oceano Atlântico  era navegável e estava livre de monstros;  o mundo  equatorial era habitável e habitado; que era possível  navegar  sistematicamente longe da costa e conseguir perfeita orientação pelo Sol e pelas estrelas; a África tinha  uma  ponta meridional e existia um caminho marítimo  para a Índia; as pseudo-Índias descobertas por Colombo eram, na realidade, um novo continente separando a Europa da Ásia Oriental e as três Américas iam um bloco territorial contínuo;  a América  tinha uma ponta meridional como a  África e havia um outro caminho marítimo para a Índia por ocidente; os três oceanos comunicavam entre si;  a  Terra era redonda e circunavegável.

5.CARACTERÍSTICAS
    DO  CLASSICISMO
. Característica principal na literatura e em outras artes é a imitação dos modelos da Antigüidade clássica greco-romana:  retomada da mitologia pagã e pela perfeição estética, marcada pela pureza de formas. Platão, Homero, Virgílio e outros mestres servem de modelo, seus valores são eternos e absolutos.
  . Formas poéticas de inspiração clássica passam a ser utilizadas: o soneto, a ode, a elegia, a écloga e a epopéia, esta última segundo os modelos de Homero (Ilíada e Odisséia) e de Virgílio (Eneida). Essas formas são fixas e sujeitas a determinadas regras.
 .Métrica: introduzida a medida nova (versos decassílabos), já cultivada pelos italianos Dante Alighieri e Francesco Petrarca.
 . Os temas poéticos são vários: a reflexão moral, a filosofia e a política, além do lirismo amoroso.
6.LUÍS  VAZ  DE       
   CAMÕES
   . Vida pontilhada de dúvidas: data provável de  nascimento  1524. Teria freqüentado a Universidade de Coimbra e servido como militar no norte da África, onde, em combate, perdeu o olho direito. Com certeza, em 1550 vivia em Lisboa e frequentava a Corte; em 1552 foi preso por ter agredido um oficial do rei e  em 1553, indo direto para o exílio, vivendo por 17 anos nas colônias portuguesas da África e da Ásia, chegando a morar em Macau, colônia portuguesa na China.
    . Retorna a Portugal em 1570, após a morte de D. João III, já com Os Lusíadas terminados: em 1572  é  publicada a primeira edição do poema. D. Sebastião, rei de Portugal, a quem havia sido dedicado  o  poema concede-lhe uma pensão de 15 mil réis por ano, quantia que o poeta recebe sem regularidade.  Morre  na  miséria  em 10 de junho de 1580, sendo enterrado como indigente, em vala comum.
 . Sua  obra é composta de poesias líricas, uma poesia épica, três peças para teatro e algumas cartas.
                   *  Camões lírico
. É tradicionalmente considerado o maior poeta lírico português, com uma poesia lírica marcada por  uma  dualidade: ora são textos de nítida herança da tradicional poesia portuguesa (escritos em  redondilhas); ora são poesias perfeitamente enquadradas no estilo novo do Renascimento (os belíssimos e famosos sonetos camonianos).
. Entre os temas recorrentes na poesia camoniana,   merecem destaque:
  • O Amor —um dos temas mais ricos da lírica camoniana, ora visto como ideia (neoplatonismo), ora como manifestação de carnalidade. Por vezes, o amor é concebido de forma idealizada, recorrendo o poeta a constante adjetivação para descrever sua amada: um ser superior, angelical, perfeito. Em outros momentos, talvez inspirado em sua experiência concreta, sua vida atribulada, Camões canta um amor terreno, carnal, erótico (é o culto a Vênus, que aparece em inúmeras poesias líricas e em Os Lusíadas). A impossibilidade de obter uma síntese desses dois amores se revela algumas vezes pelo uso abusivo de antíteses.
    . O  “desconcerto do mundo” — um dos temas que mais perturbaram o poeta português, manifestando-se em poemas sobre as injustiças, a recompensa aos maus e o castigo aos bons; a ambição e a inútil  tentativa de guardar bens que acabam no nada da morte; os sofrimentos constantes que aniquilam as prováveis conquistas; enfim, o conflito violento entre o ser e o dever ser.
       * Camões épico — Os Lusíadas
.  Publicado em 1572, Os Lusíadas é considerado o maior poema épico da língua portuguesa; evidentemente, não pelos 8.816 versos decassílabos distribuídos em 1.102 estrofes de oito versos cada, mas por seu valor poético e histórico.
7.OS  LUSÍADAS
 • Herói — o herói de Os Lusíadas é todo o povo português (do qual Vasco da Gama é digno representante). O poeta afirma que vai cantar “as armas e os barões assinalados” que navegaram “por mares nunca dantes navegados”. Ou seja, todo o povo lusitano navegador que enfrenta a morte pelos mares desconhecidos.Mas considerando-se o papel desempenhado por Vasco da Gama no poema, poderíamos afirmar, sim, que ele é o herói de Os Lusíadas. Conciliando as duas idéias, podemos afirmar que o poema apresenta um herói coletivo, que é todo o povo português, individualizado na figura de Vasco da Gama, que seria assim o herói individual.
  • Tema — o poeta deixa expresso o tema da epopéia já nas duas primeiras estrofes: a glória do povo navegador português, que “entre gente remota edificaram / Novo Reino que tanto sublimaram”, isto é, os navegadores que conquistaram as Índias e edificaram o Império Português no Oriente, bem como as memórias  dos reis portugueses que tentaram ampliar o Império: “E também as memórias gloriosas / Daqueles reis que  foram dilatando / A Fé, o Império..”. Portanto, as conquistas de Portugal, as glórias dos navegadores, os reis do passado; em outras palavras, a história de Portugal.
        * A estruturo de Os Lusíadas:
 Os dez cantos que formam o poema estão distribuídos em cinco partes, como se verifica em todas as epopéias clássicas. São elas:
  • Proposição — é a apresentação do poema, com destaque para o tema e o herói. Abrange três estrofes.
   . Invocação — o poeta pede inspiração ás Tágides, ninfas do rio Tejo, para que lhe dêem um “engenho ardente” e “um som alto e sublimado, um estilo grandíloquo”, ou seja, o absoluto domínio da arte poética. A invocação inicial é feita em duas estrofes.
    . Dedicatória — o poema é dedicado a D. Sebastião, rei de Portugal à época da publicação do poema. A Dedicatória se estende por treze estrofes.
   • Narração — é a longa parte narrativa, em que o poeta desenvolve o tema contando os episódios da viagem de Vasco da Gama e a história de Portugal. Estende-se por 1.072 estrofes, que vão do Canto 1 ao Canto X.
   • Epílogo — é o fecho do poema, abrangendo as últimas doze estrofes do Canto X; nele, o poeta se mostra triste, abatido, desiludido com a Pátria, que não merece mais ser cantada.

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     II- HUMANISMO  (SEGUNDA  ÉPOCA  MEDIEVAL) -  1434 / 1527

1.CONTEXTO
. Início: nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo, em 1434, até o retorno de Sá de Miranda da Itália, introduzindo em Portugal a nova estética clássica, no ano de 1527.
. Profundas transformações políticas, econômicas e sociais.
. Preocupação: a historiografia, a documentação,  a própria identidade.
.Transição de valores puramente medievais para uma nova realidade mercantil, ascensão dos ideais burgueses.
. Economia de subsistência feudal substituída pelas atividades comerciais.
. Retomada da cultura clássica: pensamento teocêntrico substituído  pelo  antropocentrismo.
 . Crise do sistema feudal fortalece o poder centralizado nas mãos do rei:
 . Marco cronológico: a  Revolução de Avis (1383-1385): choque  entre  nobreza decadente e a nascente burguesia antifeudal = morto o rei D. Fernando, a burguesia busca o apoio do povo e fortalece a liderança de João, o Mestre de Avis. Aclamado João como rei de Portugal, desenvolve-se a  política de centralização do poder nas mãos do rei, comprometido com a burguesia mercantilista.
.  Desse compromisso resulta a  expansão ultramarina portuguesa: a partir de 1415, com a Tomada de Ceuta, primeira conquista ultramarina.
2.MARCO 
   INICIAL

 . Nomeação de Fernão Lopes para o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo, em 1434.
                                 

3.CARACTE-
RÍSTICAS

. Desaparecem a  lírica trovadoresca e suas cantigas,  a nova poesia não encontra um padrão definitivo.
.  Causas do empobrecimento: a nova nobreza da dinastia de Avis, menos requintada e mais austera; o espírito comercial; o enriqueci mento da burguesia; as mudanças formais do texto; a pobreza dos temas palacianos (os modismos, as festas, os tipos de vestidos e de chapéus, etc.).
.  Principal modificação da poesia quatrocentista:  a separação entre a música e o texto = maior apuro formal: os textos apresentam seu próprio ritmo e melodia,  a partir da métrica, da rima, das sílabas tônicas e átonas
. Versos mais comuns: as redondilhas, de dois tipos: redondilha maior (verso de sete sílabas poéticas) e redondilha menor (verso de cinco sílabas poéticas). A redondilha maior é o tipo de verso mais empregado nas cantigas e quadras populares.
4.O   TEATRO 
   POPULAR       
       
      GIL   
  VICENTE
. Gil Vicente = o criador do teatro português pela apresentação, em 1502, de seu Monólogo do Vaqueiro (também conhecido como Auto da visitação).
. Teatro vicentino = caracterizado pela sátira, criticando o comportamento de todas as camadas sociais: a nobreza, o clero e o povo.
.  Tipo mais  satirizado é o frade que se entrega a amores proibidos (chegando a enlouquecer  de amor), à ganância na venda de indulgências, ao  exagerado  misticismo, ao mundanismo, à depravação  dos  costumes. Criticou desde  o  frade de aldeia até  o alto clero, não poupando bispos, cardeais e mesmo o papa. Criticou ainda a baixa nobreza (fidalgo decadente, escudeiro); o povo que abandona o campo e os que vivem na cidade, mas se deixam corromper pela perspectiva do lucro fácil. A defesa e o carinho de Gil Vicente  para com o Lavrador,  o verdadeiro povo, vítima da exploração de toda a estrutura social.
. Rica galeria de tipos humanos e sociais: o velho apaixonado que se deixa roubar; a alcoviteira: a velha beata; o sapateiro que rouba o povo; o escudeiro fanfarrão; o médico incompetente; o judeu ganancioso; o fidalgo decadente; a mulher adúltera; o padre corrupto. A maior parte dos personagens do teatro vicentino não tem nome de batismo, sendo designados pela profissão ou pelo tipo humano que representam.
. Cenários e montagens extremamente simples, não  obedece às três unidades do teatro clássico — ação, lugar e tempo. Apresenta estrutura poética, com o predomínio da redondilha maior, havendo mesmo várias cantigas no corpo de suas peças.
 . Características medievais (religiosidade, uso de alegorias, de redondilhas, não- obediência às três unidades do teatro clássico)  e  características humanistas: a presença de figuras mitológicas, a condenação à perseguição aos judeus e cristãos-novos, a crítica social.
5. INFLUÊNCIAS
          NO         
    TEATRO
BRASILEIRO
. Autos: textos poéticos (redondilhas) criados para representações teatrais em fins da Idade Média, de  caráter predominantemente religioso.
. Vários exemplos de temática profana e satírica (as farsas), com preocupações moralizantes.
 . No Brasil, especialmente no Nordeste, século XX: textos notáveis que revelam influência medieval. São exemplos o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, o Auto de Natal Pernambucano (mais conhecido como Morte e Vida Severina) e o Auto do Frade, ambos de João Cabral de Meio Neto.

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                         ORIGENS  DA  LÍNGUA  PORTUGUESA
       Em Roma se falava o latim. Com as guerras e as conquistas romanas, esse idioma expandiu-se por toda a Europa. Os romanos impuseram sua língua, sua cultura e seus costumes aos povos conquistados (romanização).
       Para garantir a dominação política, os romanos exigiam que, em todo o vasto Império, o latim fosse de uso obrigatório nas escolas, nas transações comerciais, nos documentos, nos atos oficiais e no serviço militar.
      Entretanto, o contato dos romanos com a cultura grega deu-se de forma contrária: foi o latim que incorporou uma grande quantidade de palavras gregas que, conseqüentemente, também vieram a fazer parte da língua portuguesa.
      Todavia, não foi o latim clássico, literário, usado pelos grandes escritores romanos (Cícero, Horácio, César, Virgílio, Ovídio, etc.), que foi imposto às populações dominadas. Foi o latim vulgar, falado pelos soldados romanos.
      Aos poucos, os povos dominados absorveram o falar dos romanos, que se misturou com os falares regionais, originando as línguas neolatinas: português, espanhol, francês, italiano, romeno, galego e outras.
      Por  volta do século VIII d.C., os árabes invadiram a península Ibérica, aí permanecendo por sete séculos, sem conseguir impor a língua árabe. Todavia, muitas palavras árabes passaram a fazer parte da língua portuguesa, como:
algarismo, alface, álgebra, álcool, alcachofra, algodão, alfafa, etc.
                       FASES DA LÍNGUA PORTUGUESA
     a) Fase pré-histórica: vai do século V ao século IX (mistura do latim vulgar com falares locais).
    b) Fase proto-histórica: vai do século IX ao XII. Nessa fase, já se encontram documentos escritos em latim bastante transformado, misturado com palavras portuguesas.
      c) Fase histórica: Apresenta dois períodos:
       . Período  do  português  arcaico:  vai do século XII ao século XVI. Aparecem os primeiros documentos inteiramente redigidos em português. O  primeiro  texto  escrito  em nossa língua  foi  a  poesia  “Cantiga  da  Ribeirinha”,  de Paio Soares de Taveirós, em 1189 (ou 1198)
     .  Período  do  português  moderno:  do  século XVI até nossos dias. Sob a influência dos autores humanistas e clássicos, houve um progresso linguístico muito grande, datando dessa época a obra-prima da língua portuguesa, Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões (que narra as aventuras dos portugueses nos descobrimentos).
         A língua portuguesa é atualmente a quinta mais falada no mundo, com mais de 200 milhões de falantes. A comunidade lusófona é constituída por:
a) Portugal;       b) Ilhas da Madeira, dos Açores e Cabo Verde;       c) Brasil;
d) Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe (na África);        e) Goa, Macau, Timor (na Ásia).
       Com a globalização, o uso da Internet, as transações comerciais e o crescente interesse do mundo pela América Latina, o estudo da língua portuguesa em outros países vem aumentando ultimamente.
     Em alguns lugares da África e da Ásia, como Sri-Lanka, Macau, Java, Málaca, Cabo Verde, Guiné, Cingapura, a língua portuguesa, em contato com os idiomas dos nativos, sofreu muitas alterações, dando origem ao dialeto crioulo, usado nas transações comerciais.
     Os colonizadores portugueses trouxeram para o Brasil a cultura e a língua portuguesa. Esta foi sendo enriquecida com vocábulos de origem indígena, africana e de outros povos imigrantes.
       Assim temos, de proveniência indígena, muitos nomes de lugares, utensílios, alimentos, flora e fauna, como: Curitiba, Paraná, tatu, saci, abacaxi, lambari, carioca, mandioca, etc.
     De proveniência africana temos: macumba, cachaça, moleque, quindim, jiló, marimbondo, cochilo, tanga, samba, etc.
      No português de hoje, podemos encontrar palavras provenientes do italiano (pizza, espaguete, tchau), do inglês (gol, clube, sanduíche, hambúrguer, deletar) e do francês (toalete, abajur, penhoar) e de outros idiomas.
       A língua de um povo tende a se modificar (evoluir) através dos tempos, criando, conforme as necessidades, novas palavras e, às vezes, deixando outras em desuso.
       Àquelas palavras que vão desaparecendo chamamos arcaísmos e às novas, neologismos.etc.
             
                 LITERATURA  PORTUGUESA
I-TROVADORISMO  (PRIMEIRA  ÉPOCA  MEDIEVAL) -  1189 / 1434

1.CONTEXTO
   HISTÓRICO
. Organização das Cruzadas em direção ao Oriente;
. Luta  contra os mouros(Península  Ibérica);
. Poder descentralizado  =  feudalismo;
 . Poder espiritual  =  clero católico =   teocentrismo.
2.MARCO   
   INICIAL
.“Canção  da  Ribeirinha” -  de Paio  Soares de  Taveirós.
   O mais antigo escrito em galego-português.
3.CARACTERÍS-
   TICAS
Os textos poéticos  acompanhados de música e normalmente cantados em coro = cantigas: cantigas  líricas e as cantigas satíricas.  Cantigas  líricas = cantigas de amor e cantigas de  amigo.
4.CANTIGAS   
   DE   AMOR
. Origem provençal = “amor  cortês”.
. Rei D.  Dinis, o mais famoso trovador de Portugal.                 
. Ambiente  é o palácio, o trovador declara seu amor a uma dama.
. Forma respeitosa, cortês,  de se dirigir à dama (“senhor”, isto é, senhora) =  servidão amorosa dentro dos mais puros padrões medievais de vassalagem.
. Mulher = ser inatingível, figura idealizada, a quem é dedicado um amor sublimado, igualmente idealizado.
. Forte lirismo representado pela “coita d’amor” (coitado, em galego-português, significava “apaixonado”, “aflito”, “sofrido”).
. O poeta sofre;  sofrimento pior que a morte e o amor = única razão de viver.
5.CANTIGAS  
   DE   AMIGO
 . Origem =  própria Península Ibérica, sentimento popular.
 . Mais antigas que as cantigas de amor, porém não eram escritas.               .  Principal característica  =  sentimento feminino, apesar de escritas por homens
. A mulher sofre por se ver separada do amigo (amante ou namorado).
. Ambiente  não é a corte, mas a zona rural; a mulher é sempre uma camponesa.
. Principal distinção entre cantiga de amor e  de amigo está = eu lírico, o sujeito da enunciação: se o “dono” da voz é o homem (amor) ou se a “dona” da voz é a mulher (amigo).
 .Apresentam outros personagens, que servem de confidentes, montando-se uma estrutura de diálogo.
  . Trabalho formal mais apurado:  uso do paralelismo e do refrão ou estribilho =  verso(s) que se repetem(m)final de cada estrofe
6.DECADÊNCIA  
   DO  TROVA- 
   DORISMO
  • Decadência do mecenatismo real;
  • Aburguesamento de Portugal;
  • Conflitos entre Portugal e Espanha.

7. INFLUÊNCIA 
    DA CULTURA    
TROVADORES-
CA NO  BRASIL
• Vassalagem amorosa  do Romantismo (século XIX)  com sua origem na Idade Média, a idealização da mulher e do herói. Gonçalves Dias escreveu uma cantiga de amigo indianista: “Leito de folhas verdes”.
 • Manuel Bandeira, em pleno século XX, escreveu um “Cantar de amor” em  galego-português!
 . Vários compositores da MPB escreveram (e escrevem) cantigas de amigo: Paulo Vanzolini (“Ronda”), Chico Buarque “Com açúcar e com afeto”, “Atrás da porta”, “Tatuagem”,” Olhos nos olhos”, e muito mais), além de Gonzaguinha e Gilberto Gil, entre outros. Caetano Veloso e Juca Chaves têm músicas que são perfeitas cantigas de amor.
8. A  PROSA
 MEDIEVAL
 . Condições para aparecimento e desenvolvimento da prosa em Portugal, nos séculos XIII e XIV:
     - transição da estrutura feudal para  economia mercantil (reinado de D. Dinis
      - 1279-1325);
   - primeiras universidades, permanência do espírito guerreiro e aventureiro da época das lutas da Reconquista,forte influência ainda  exercida pelo clero.                     
 .  Mais  importante manifestação em prosa: as novelas de cavalaria, originárias da Inglaterra,derivadas das canções de gesta =  poemas medievais cantados em linguagem simples,celebravam os feitos guerreiros, obras  de  ficção  escritas em prosa.
  .  As  novelas de cavalaria podem ser agrupadas em três ciclos, dependendo da origem de seus heróis:
     .  ciclo  clássico  - sobre temas latinos e gregos;
     .  ciclo   carolíngio -   sobre Carlos Magno e os doze pares de França;
     . ciclo bretão ou arturiano - sobre o rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda.
 . No final do século XIII, foram traduzidas em Portugal três novelas, todas do ciclo bretão ou arturiano (daí serem chamadas “matéria da Bretanha”): História de Merlim, José de Arimatéia e Demanda do Santo Graal, a mais famosa e popular delas.
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QUALIDADES  E  VÍCIOS  DA  LINGUAGEM


A- Qualidades
        Um texto bem escrito apresenta três aspectos fundamentais: clareza, concisão e correção gramatical. 
          1. Clareza -  É a qualidade que tem um texto de ser entendido, sem provocar dúvidas ou confusões. 
         2.Concisão - É a característica de um texto de transmitir uma ideia com precisão, mas sem muitas palavras, sem rodeios. Á concisão reflete a capacidade de síntese do autor.
         3.Correção gramatical - É o uso da língua segundo os padrões da norma culta. É a ausência de erros gramaticais.
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A LÍNGUA: PADRÃO CULTO E PADRÃO POPULAR
         
        Embora a língua adotada por toda a comunidade brasileira seja uma só — o Português — devemos considerar muitas variações linguísticas na utilização do idioma. Tais variações dependem de fatores diversos: nível de escolaridade, grupo social, região geográfica, profissão, objetivo do falante, etc.
        Assim, tanto na língua falada como na língua escrita, refletem-se:
O PADRÃO CULTO - aquele em que o uso da língua obedece às normas gramaticais vigentes
O PADRÃO POPULAR - caracterizado pela espontaneidade, pelo descompromisso com as normas gramaticais.
      Dentro do padrão popular, destacamos as seguintes modalidades de realização da língua:
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Linguagem       
       A linguagem é o resultado da capacidade comunicativa dos seres. É um instrumento que o emissor utiliza para transmitir mensagens. Existem vários tipos de linguagem:

Linguagem mímica
       É a linguagem dos gestos, a expressão facial e corporal.

Linguagem cromática ou das cores
      Observando-se uma pintura em que sobressaem cores claras e brilhantes, experimenta-se uma sensação diferente da despertada por um quadro predominantemente escuro e opaco. Tais diferenças no sentir são provocadas pela linguagem cromática.
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          Aqui vamos ver o caso em que você receba dois ou mais textos em que basear sua redação. Existem três possibilidades: dois textos em prosa, dois textos em verso ou um poema e um texto em prosa.  Independentemente disso, o procedimento será  o mesmo.
       De início procure ler atentamente os textos, procurando determinar o conteúdo básico de cada um. Em seguida, associe os dois conteúdos de modo a encontrar um conteúdo básico comum aos dois textos. Como fazer isso? Basta perceber algo que os textos tenham em comum, analisando suas ideias centrais.
         Veja um exemplo.

Texto  1
          Lira Paulistana
Eu nem sei se  vale a pena
Cantar São Paulo na lida,
Só gente muito iludida
Limpa o gosto e assopra a avena.
Esta angústia tão serena,
Muita fome e pouco pão.
Eu só vejo na função
Miséria, dolo, ferida.
         Isso é vida?"
            (Mário de Andrade)

















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O  TEXTO  E  A  DISSERTAÇÃO

         É possível  que, em uma prova, você receba um texto.  Assim, pensamos em um texto em prosa.  Como você  deve proceder'? Não há nada de especial.
         Primeiramente  você  deve ler o texto com muita atenção, procurando compreender o assunto que está sendo abordado. Em uma primeira leitura, terá uma noção do seu conteúdo. Leia-o novamente quantas vezes forem necessárias para  perceber as ideias básicas. Estas ideias podem ser resumidas de modo a encontrar-se o conteúdo básico do texto.

        Leia atentamente o seguinte texto:

     “O principal problema não está nos salários. Ele está na maneira desastrada com que se administram as estatais. Elas desperdiçam dinheiro (milhões de dólares por ano). Não geram lucros para investimentos simples e estão sempre endividadas até o pescoço. As estatais fabricam aço, plástico, adubo e uma quantidade enorme de mercadorias e serviços que o setor privado pode perfeitamente administrar.
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