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domingo, 8 de janeiro de 2012

A PROSA CONTEMPORÂNEA

1.CARACTERÍS-TICAS
 A partir de 1945, a narrativa brasileira inicia um processo de renovação. A produção em prosa é vasta, numerosos são os nomes que promovem a ficção nacional.
A literatura da atualidade apresenta várias tendências, dificultando uma esquematização. O romance e o conto apresentam a linha de introspecção e sondagem subjetiva. Em linhas gerais, a prosa contemporânea apresenta as seguintes características:
. O enredo tem importância secundária, pois o que interessa é a psicologia dos personagens.
. Predominância do tempo psicológico.
. Interessam as características psicológicas da personagem e não as físicas. A literatura não tem compromisso com a “realidade real”.
. A prosa urbana enfoca o conflito do indivíduo perante a sociedade. 
2.TENDÊNCIAS
1-Prosa regionalista: focaliza o meio e o homem rural brasileiro. (Luiz Antônio de Assis Brasil)
2-Prosa política: denuncia a violência política a que o país foi submetido após a Revolução de 30. (Josué Guimarães)
3-Realismo fantástico: são situações absurdas que fundem real e irreal. A origem dessa tendência está no Surrealismo. Essas situações servem como metáfora da realidade.(Mocyr Scliar, João Guimarães Rosa)
4-Prosa urbana: denuncia a solidão, a marginalização e a violência nos grandes centros. (Rubem Fonseca, Dalton Trevisan)
5-Prosa intimista: obras de sondagem psicológica. São personagens mergulhadas em si mesmas através das quais o autor  vasculha  interior do ser humano. (Lia Luft, Clarice Lispector)
6-Romance  reportagem: essa tendência, também chamada Jornalismo Literário, é chamada assim porque seus adeptos são jornalistas que se tornaram escritores. Por isso, sua linguagem é objetiva, crua, e os temas     giram em torno de denúncia da corrupção, da imoralidade, da marginalidade. (Rubem Fonseca)
 Na prosa, as últimas décadas assistiram à consagração das narrativas curtas - a crônica e o conto. O desenvolvimento da crônica está intimamente ligado ao espaço aberto a esse gênero na imprensa; hoje, não há grande jornal ou revista de circulação nacional que não inclua em suas páginas crônicas de Fernando Sabino, Lourenço Diaféria, Luís Fernando Veríssimo ou Rachel de Queiroz, entre outros.
 Perdas irreparáveis nos últimos anos: os cronistas Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Antônio Callado, Otto Lara Resende, Moacyr Scliar linha de frente de primeiríssimo time, que deixou de habitar as páginas de nossos jornais. Menção especial merece Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, que, com suas bem-humoradas e cortantes sátiras político-sociais, escritas na década de 60, tem servido de mestre a muitos cronistas.
  Por outro lado, o conto, analisado no conjunto das produções contemporâneas, situa-se em posição privilegiada tanto em quantidade como em qualidade. Entre os contistas mais significativos, citam-se Dalton Trevisan, Moacyr Scliar, Samuel Rawet, Luis Fernando Veríssimo, Domingos Pellegrini Jr., João Antônio, Lígia Fagundes Telles, Luís Vilela, Nélida Piñon e Rubem Fonseca. Este ultimo lançou, em 1995, o seu mais recente livro de contos: O Buraco na Parede, coletânea de oito histórias que, explorando técnicas modernas de narrativa, retrata personagens que vivem alguns degraus abaixo do Brasil oficial.
3.O  CONTO       
    MODERNO
  A escassez de tempo e a agitação da vida moderna fizeram da narrativa curta a leitura preferida do grande público. Numa perspectiva bastante diferente daquela da narrativa longa, o conto focaliza elementos pertinentes ao ambiente e às personagens, através de uma estrutura que reúne tempo, espaço e ação.Nele encontramos descrição, diálogos e personagens em maior ou menor relevo, A ação e a atmosfera são descritas com regular concentração e brevidade. O assunto se desenrola dentro de um pequeno enredo, percebendo-se o tema através de ambos.
 A crítica moderna preocupa-se particularmente com o conto e a sua possível conceituação, geralmente caracterizado como “uma obra curta de ficção em prosa”.
Assim, o romance seria uma narrativa longa, a novela uma narrativa média e o conto uma narrativa curta. Na atualidade, o próprio conto está virando “miniconto” para alguns escritores, como Dalton Trevisan, por exemplo.
  Quanto aos tipos de narrativas temos:
Narrativa tradicional - a história é narrada segundo uma sequência temporal lógica: os fatos se sucedem na mesma ordem em que acontecem, o leitor vai conhecendo o assunto pela simples leitura linear do texto.
Narrativa moderna – a história é narrada dum modo fragmentado, os fatos não se apresentam na mesma ordem em que acontecem, o que aconteceu no passado mistura-se com o que está acontecendo no presente. Quer dizer, o autor fica saltando no tempo, indo e vindo, conforme o que quer contar.
Além de fugirem da estrutura clássica de princípio, meio e fim, os contos modernos refletem uma atmosfera abstrata, fantástica e mitológica, criando estruturas  narrativas diferentes. Mas, fundamentalmente, o conto é uma microvisão do mundo real ou imaginário do autor.  Em nossa literatura temos excelentes contistas, tanto na linha tradicional, quanto na moderna.

4 comentários:

  1. Isso se encaixa na 4º fase do modernismo?

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  2. Creio que não houve a 4º fase do modernismo!

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  3. O Modernismo nos deixou um um legado que mescla, desde os anos 60/70, traços das fases de 22, 30 e 45. Dessa foma, temos uma miscelânea de traços em nossa prosa e n poesia contemporâneas - por exemplo, a prosa apresenta a convivência do romance-reportagem de Carlos Heitor Cony, importante retratista dos anos de chumbo, com a introspecção e a angústia existencial de Lispector (Que publicou sua última obra, A Hora da Estrela, em 1977, podendo assim ser enquadrada como autora de limite entre a 3a Fase Modernista e as Tendências Contemporâneas de nossas letras).

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  4. Muito bom o texto, claro, autoexplicativo, veio num momento em que precisava complementar minha aula . Obgada! Abs

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