SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A PROSA DA GERAÇÃO DE 1945

1.JOÃO  GUIMARÃES  ROSA

Nasceu em 1908 e faleceu em 1967. Formado em Medicina, foi médico em seu estado, Minas Gerais e, depois, diplomata em vários países. Recebeu inúmeros prêmios pelas suas obras literárias.
Seu estilo era absolutamente novo:
. Regionalismo universalista: suas obras, embora voltadas para espaços rurais, transcendem o puro regionalismo e dão à obra um caráter universal, pois são cheias de indagações metafísicas.
. Recriação da linguagem:   estiliza o linguajar sertanejo, inventando novas palavras, recriando palavras misturadas com arcaísmos, linguagem erudita, latim, grego. A sintaxe da frase é bastante original.
As obra é, sem dúvida, a mais complexa que apareceu depois de 1945. A flora e a fauna são magistralmente apresentadas e, às vezes, humanizadas, como em Conversa de Bois.
É o mundo do sertão a desfilar suas tradições, traições, ledas, coragens e aventuras.
Obras  principais:
SAGARANA – Contos e novelas regionalistas, mas de um regionalismo diferente, baseado nas pesquisas e elaboração artística da linguagem, incluindo o linguajar nacional. Entre eles se encontra o famoso A Hora e a Vez de Augusto Matraga. O próprio título do livro (sagarana) já exemplifica a revolução idiomática literária, pois saga significa lenda não escrita, propriamente o que se diz ou conta apenas.
CORPO DE BAILE – Nele o novelista leva seus processos estilíisticos às últimas consequências. É um corpo de novelas distribuídas em dois volumes.
GRANDE SERTÃO: VEREDAS -   Pode ser considerada a sua grande obra, pois ela rompe com todas as convenções, é um romance mítico, uma obra-prima para as nossas letras. Nele o autor criou uma linguagem inventiva, cheia de novas construções sintáticas, tais como “a bala beija-florou”, “os passarinhos bem-me-viam”, “os cavalos aiando gritos”.
Guimarães Rosa criou nesse romance uma galeria de personagens que habitam mundos mágicos, procurando traçar  a história do sertão de Minas.
O principal personagem é RIOBALDO, que narra a história da época em que fora jagunço e vingador de JOCA RAMIRO, sua longa travessia pelo setão mineiro em busca da sonhada vingança contra HERMÓGENES, que havia  Joca. Também faz parte dobando DIADORIM, um jovem companheiro por quem Riobaldo tem afeição especial. Na realidade, Diadorim é Deodorina, a filha de Joca Ramiro que ingressara no bando disfarçada de homem para poder participar da caçada e vingança contra o homem que matara seu pai. Entre as angústias de Riobaldo estão o amor por Diadorim( que julga impossível, pois pensa que ela é um homem), a ânsia que sente pelo absoluto, a necessidade de explicar a razão dos acontecimentos e de uma existência que o coloca entre Deus e o Diabo, o bem e o mal, o ser  e o não ser.
Alem desses personagens, temos ainda:
O SERTÃO – Espaço físico onde decorre a ação.é usado côo elemento simbólico, querendo significar o ‘subconsciente humano”
HERMÓGENES– È um jagunço-demônio, chefe do bando rival e que mata o chefe do outro bando, Joca Ramiro, ocasionando  a perseguição do bando, agora chefiado por Riobaldo, na tentativa de vingar o líder morto.
Esta obra se insere dentro da corrente denominada REALISO MÁGICO.
2.CLARICE
    LISPECTOR

(1925-1977) Nascida na Ucrânia, veio ara o Brasil com dois meses de idade, vivendo até os 12 anos no Nordeste. Desde pequena lia muito, interessando-se por autores nacionais e estrangeiro. Formou-se em Direito e trabalhou como jornalista. Casou-se com um colega e morou em diversos países estrangeiros, devido à profissão do marido, do qual se separou em 1950, voltando pra o Brasil. Continuou a escrever sempre, além de fazer traduções e crônicas para jornais e revistas, a fim de sobreviver. Não parou de escrever nem mesmo quando sofreu graves queimaduras num braço e numa perna, tendo de fazer vários enxertos de pele. Em 1977, foi constatada a existência de um câncer, que a levou a internar-se, vindo a falecer no final do mesmo ano.
É considerada uma das maiores cronistas do Brasil e, estilisticamente, está no primeiro plano dos escritores Brasileiros. Ela mesma nunca soube explicar seu processo de criação. Dizia-se mais uma “sentidora” do que uma escritora.De feto, as histórias de Clarice raramente têm um enredo (começo meio e fim). Por isso, seus livros, mais do que histórias, contêm impressões. Seus romances são introspectivos (voltam-se para o íntimo de seus personagens), sem se preocupar com o enredo, mas com o seu EU. A linguagem contém como que uma armadilha enganosa. Como sua narrativa segue o fluxo da consciência, importa é contar a vivencia interior dos personagens e a complexidade de seu aspecto psicológico. Cria figuras insólitas e altamente poéticas, pelas observações em linguagem dissertativa pelo narrador , que se intromete e julga comportamentos das personagens ou justifica seus atos.
Obras: ESCRITOS NO EXTERIOR: O LUSTRE, A CIDADE SITIADA, A MAÇÃ, NO ESCURO, LAÇOS DE FAMÍLIA. INFANTIS: O MISTÉRIO DO COELHO PENSANTE, A MULHER QUE MATOU OS PEIXES, A VIIDA ÍNTIMA DE LAURA, QUASE VERDADE. NO BRASIL: A HORA DA ESTRELA, A LEGIÃ ESTRANGEIRA, A PAIXÃO SEGUNDO G.H., UM SOPRO DE VIDA, FELICIDADE CLANDESTINA, UMA APRENDIZAGEM OU O LIVRO DOS PRAZERES, ÁGUA VIVA, IMITAÇÃO DA ROSA, A VIA-CRUCIS DO CORPO, ONDE ESTIVESTE DE NOITE, O OVO E A GALINHA. 
3.JOSUÉ  GUIMARÃES
(1921-1986) Nascido em São Jerônimo,RS, passou sua infância em Rosário. Convivendo com o caudilhismo dos papas, seus romances refletem, além de uma grande preocupação social, o seu interesse pela história da sua terra, o RS. É considerado um dos grandes romancistas brasileiros, desenvolvendo seus enredos geralmente sobre patamares da história rio-grandense e brasileira, como um dos raros escritores brasileiros que consolidaram uma carreira de alto nível literário e grande sucesso de público em pouquíssimo tempo. Apesar de sua temática predominantemente regional,
Sua linguagem é simples, direta e universal, agradando a leitores de qualquer região.  Como Érico Veríssimo, que foi seu grande amigo, prefere ser tido como um “contador de histórias”.  Traça um perfil preciso de seus personagens, mesclando fantasia à realidade. São homens e mulheres que se movimentam com independência na trama de suas vidas. Vencedores e perdedores, amores intensos e solidão, poder e miséria. Uma narrativa implacável que conduz o leitor a momentos de emoção, levados pela poderosa ficção deste grande escritor. Sua carreira literária foi curta no tempo, mas fecunda e produtiva. Escreveu quase 20 livros, como romances, contos, literatura infantil e teatro. Uma constante do seu trabalho foi o diálogo com o leitor.
Obras principais: OS LADRÕES, A FERRO E FOGO – TEMPO DE SOLIDÃO, A FERRO E FOGO – TEMPO DE GUERRA, OS TAMBORES SILENCIOSOS, DEPOIS DO ÚLTIMO TREM, LISBOA URGENTE, É TARDE PARA SABER, DON ANJA, O CAVALO CEGO, ENQUANTO A NOITE NÃO CHEGA, A CASA DAS QUATRO LUAS, CAMILO MORTÁGUA, O GATO NO ESCURO, NOVE DO SUL, RODA DE FOGO, PEGA PRA KAPPUT, SHERLOCK DA SILVA EM “O RAPTO DE DOROTEIA.”
O  TEATRO  MODERNO
Nelson  Rodrigues - No teatro, a situação política suscitou, ao mesmo tempo, a criação e a desintegração de grupos conceituados. Para compreender melhor o moderno teatro brasi1eiro, é necessário retroceder até 1943, quando foi encenado o texto Vestido de Noiva, de Nélson Rodrigues, com a competente direção do polonês Ziembinski. Essa montagem é considerada um marco da encenação moderna em palcos brasileiros. Em 1948, surgiu o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), responsável pela formação de um sem-número de artistas, quase sempre trabalhando com técnicas e textos importados. O teatro moderno, no entanto, assumiu sua função social, voltando-se para o questionamento da realidade brasileira: 1958 marca a estreia da peça Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, encenada pelo grupo do Teatro de Arena.
A década de 1960 assistiu a uma proliferação de grupos teatrais, que, espalhado por todo o Brasil, intensificaram suas atividades após o movimento de 64. Entre os mais importantes estão, além do Teatro de Arena, o grupo do Teatro Oficina, que teria o seu grande momento com a encenação, revolucionária sob todos os aspectos, do texto de Oswald de Andrade O Rei da Vela, sob a direção de José Celso Martinez Correa, e O Grupo Opinião, do Rio de Janeiro, que em 1965 apresentou Liberdade, Liberdade, montagem baseada em textos de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, entremeados com canções de protesto. Com o AI-5 (Ato Institucional nº 5, de 1968) e os ataques de grupos de extrema-direita, desmantela-se o teatro de resistência. Nomes importantes vão para o exílio. Apesar de tudo, autores como Guarnieri, Dias Gomes, Chico Buarque de Hollanda, Rui Guerra, Ferreira Gullar, Paulo Pontes e Plínio Marcos continuam a produzir textos.
Obras de Nelson Rodrigues: VESTIDO DE NOIVA, ÁLBUM DE FAMÍLIA, BONITINHA MAS ORDINÁRIA, A FALECIDA, A SERPENTE, O CASAMENTO, BEIJO NO ASFALTO, OS SETE GATINHOS, TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA, BOCA DE OURO, ENGRAÇADINHA, SENHORA DOS AFOGADOS.
Outros  autores :
JORACI CAMARGO - "Deus lhe Pague"    
DIAS GOMES - "O Pagador de Promessas"
MARIA CLARA. MACHADO - "Pluft, o Fantasminha"
GIANFRANCESCO GUARNIERI - "Um Grito Parado no Asfalto"
PLÍNIO MARCOS - "Navalha na Carne”, "Dois Perdidos numa Noite Suja" 
JOÃO CABRAL DE MELO NETO - "Morte e Vida Severina"
ARIANO SUASSUNA - "Auto da Compadecida; "O Santo e a Porca "  



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