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sábado, 25 de agosto de 2012

PARNASIANISMO: A TRÍADE PARNASIANA

   A trÍade parnasiana foi formada apenas pelo fato dos três mais conhecidos poetas parnasianos: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correi, os que mais se destacaram no movimento.
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OLAVO BILAC -Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac, seu nome completo é um perfeito verso alexandrino" (12 sílabas)
-Príncipe dos poetas        -Autor do Hino à Bandeira       
-Poeta cívico
Temas principais: Natureza - Pátria - Antiguidade greco-romana - Amor sensual e amor platônico - Questionamento da própria poesia.
Características básicas: Rigidez métrica e luta pela perfeição formal - Desvios na objetividade parnasiana, resultantes de uma pretensa "herança romântica" que se traduz em temas subjetivos como o amor (seja o erótico, seja o platônico) e o nacionalismo.
Poemas mais conhecidos: Profissão de fé - In extremis - O caçador de esmeraldas

RAIMUNDO CORREIA.  - Raimundo da Mota de Azevedo Correia (São Luís, 13 de maio de 1859 — Paris,13 de setembro de 1911) foi um juiz e poeta brasileiro
 -Visão negativista do mundo   - Poesia com caráter filosófico
Temas principais: Natureza   - Melancolia da existência.
Características básicas: Recursos visuais (plásticos) e sonoros na confecção dos versos - Tentativa de um sentido filosofante na poesia em geral.
Poemas mais conhecidos: As pombas - Mal secreto

ALBERTO DE OLIVEIRA – Antônio Mariano de Oliveira (05 de abril de 1855 - 5 de janeiro de 1937) foi um brasileiro poeta, farmacêutico e professor, mais conhecido por seu pseudônimo Alberto de Oliveira .Um dos mais típicos representantes do Parnasianismo
-Excessiva preocupação formal      -Gosto por preciosismo
-Sintaxe rebuscada                           -Príncipe dos poetas
Temas principais: Natureza - Descritivismo de objetos
Característica básica: Adesão completa e rígida a todos os princípios do movimento
Poemas mais conhecidos; Vaso grego – Vaso chinês.
podemos concluir que os 3 juntos formavam uma espécie de perfeita harmonia no que se denomina parnasianismo, os 3 são os mais marcantes e dedicados à causa.

PARNASIANISMO: Que foi triade parnasiana? qual o objetivo ...

parnasianismoguara.blogspot.com/.../que-foi-triade-parnasiana-qual-.
A tríade parnasiana
educaterra.terra.com.br/literatura/resumao/resumao_7.htm

TRÍADE PARNASIANA: A ANÁLISE POÉTICA EM ALBERTO DE OLIVEIRA- VASO CHINÊS E O MURO -, RAIMUNDO CORREIA- AS POMBAS E MAL SECRETO -, E OLAVO BILAC- VILA RICA E PROFISSÃO DE FÉ.
INTRODUÇÃO
   O parnasianismo vinha sendo difundido no Brasil desde 1870, e em 1878 surgiu a "Batalha do Parnaso", um polêmico movimento literário que consistia em uma reação contra o Romantismo, tendo seus adeptos de um lado, e de outro, os adeptos do Parnasianismo e também do Realismo.
   Os poetas parnasianos eram contra certos princípios românticos; em lugar da simplicidade da linguagem, do emprego de sintaxe e vocabulário mais brasileiro, do sentimentalismo e da valorização da paisagem nacional, defendiam uma poesia de elevado nível vocabular, uma poesia objetiva e racionalista, priorizando o aspecto formal, através do verso bem ritmado, dos efeitos plásticos e sonoros, e temas universais. Diferentemente também do Realismo e do Naturalismo, que se voltavam para o exame e para a crítica da realidade, o Parnasianismo trouxe a busca do equilíbrio e da perfeição formal, o princípio do belo na arte, a "arte pela arte", onde o objetivo principal da arte não é tratar dos problemas sociais e humanos, e sim alcançar a perfeição em sua construção. O Parnasianismo representava, então, um retorno ao clássico.
   Ainda no Brasil, tínhamos a "Tríade Parnasiana", composta por Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, poetas que mais fielmente seguiram os princípios parnasianos, enchendo suas poesias de preocupações com aspectos formais, vocabulário raro e preciso, impassibilidade, com descrições objetivas de objetos, cenas e coisas, sem preocupar-se em descrever o homem, as pessoas, sem transcendências e sentimentalismo, de forma neutra. Suas descrições eram, assim, consideradas por muitos, artificiais, imprimindo suas obras de um tom desagradável.

A ANÁLISE DOS POEMAS
             Vaso Chinês
 Estranho mimo, aquele vaso! Vi-o
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.

Fino artista chinês, enamorado
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.

Mas, talvez por contraste à desventura -
Quem o sabe? - de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura;

Que arte, em pintá-la! A gente acaso vendo-a
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.
                                         Alberto de Oliveira
   Nesse poema, Alberto de Oliveira opta pela forma fixa de Soneto - bem como os outros dois poetas da tríade parnasiana na maioria de suas obras -, constituído de duas quadras (estrofe com quatro versos) e de dois tercetos (estrofe com três versos). O soneto não é somente um tipo de poema a mais, senão o único tipo que tem número de versos absolutos (14 versos) e quase absoluta unanimidade quanto à divisão estrófica (dois quartetos e dois tercetos,  para o italiano, criação de Petrarca, daí o nome soneto petrarquiano; e três quartetos e um dístico, no caso do soneto inglês), demonstrando o rigor formal de Alberto de Oliveira, mestre do parnasianismo, e uma de suas maiores preocupações enquanto parnasiano: a precisão das palavras, resultado de um intenso trabalho de adequação à forma e ao conteúdo de estruturas como o soneto. Em relação à métrica, este soneto é decassílabo, ou seja, é constituído de dez sílabas poéticas, representando uma das principais características do Parnasianismo; a preferência por metros como o alexandrino de tipo francês e o decassílabo (caso de Vaso chinês).
   No poema em questão, há a predominância de elementos descritivos em vez de narrativos; a descrição rigorosamente objetiva do vaso. O assunto são as pinturas que decoram um vaso chinês e a interpretação que o poeta lhes dá, sendo um poema exemplar da poesia parnasiana, com todas as características do Parnasianismo: o exotismo ("estranho mimo", 1º verso; "coração doentio", 6º verso; "calor sombrio", 8º verso; "singular figura", 11º verso; "olhos cortados", 14º verso); a plasticidade, com seus efeitos poesia-pintura, presente em todo poema; as rimas ricas ("vi-o", 1º verso / luzidio", 3º verso ; "vendo-a", 12º verso / "amêndoa", 14º verso), impassibilidade (não há sentimentalismo excessivo); precisão vocabular e sua correção gramatical; ênfase no sensorial e suas sinestesias ("tinta ardente", 8º verso; "calor sombrio", 8º verso), e mesmo a necessidade e, ao mesmo tempo, certa impossibilidade de expressar algo ("sentia um não sei quê com aquele chim", 13º verso). As inversões sintáticas (hipérbato), como em "de um perfumado / contador sobre o mármor luzidio", devem-se ao cultivo do português do século XVIII. Note-se também que em Vaso chinês não há juízos de valor a respeito do cotidiano ou da realidade; Alberto de Oliveira, bem como os demais parnasianos, aliena-se propositadamente para fazer a poesia da arte pela arte, primor da forma.
            O Muro
É um velho paredão, todo gretado,
Roto e negro, a que o tempo uma oferenda
Deixou num cacto em flor ensangüentado

E num pouco de musgo em cada fenda.

Serve há muito de encerro a uma vivenda;
Protegê-la e guardá-la é seu cuidado;
Talvez consigo esta missão compreenda,

Sempre em seu posto, firme e alevantado.

Horas mortas, a lua o véu desata,
E em cheio brilha; a solidão se estrela
Toda de um vago cintilar de prata;

E o velho muro, alta a parede nua,
Olha em redor, espreita a sombra, e vela,
Entre os beijos e lágrimas da lua.
                                     Alberto de Oliveira
     Neste poema, Alberto de Oliveira também opta pela construção em forma de soneto, mais uma vez mostrando seus ideais parnasianos e sua intensa preocupação com o aspecto formal da poesia e seu caráter objetivo. E também, igualmente como faz em Vaso Chinês, opta pela métrica do decassílabo, tão utilizado pelos outros poetas parnasianos da tríade. Podemos perceber, assim, que o poeta permanece fiel às leis métricas do movimento literário ao qual pertencia, sempre contrário à "frouxidão" e à "incorreção" dos românticos. Fica claro neste poema, bem como no poema anterior, que Alberto de Oliveira preocupava-se bem mais com a mecânica do metro do que com a melodia no poema.
   Aqui, o poeta, ao descrever um "Muro", faz uma seleção de elementos predominantemente descritivos, porém, diferentemente de em Vaso chinês, o poeta produz versos mais expressivos, com certa sombriedade, como podemos perceber em "Roto e negro" (2º verso), "(...) em flor ensangüentado" (3º verso), "Horas mortas, a lua o véu desata" (9º verso), "Entre os beijos e lágrimas da lua" (14º verso), produzindo certo exotismo, uma de suas marcas enquanto parnasiano. Em O muro, Alberto de Oliveira constrói uma poesia objetivista em seu conteúdo, fiel ao Parnasianismo, imprimindo a obra de um racionalismo que lhe é característico, porém, o faz a partir da transferência de  tônica dos sentimentos vagos, tão presente no Romantismo, para a visão do real, derrubando, assim, a idéia do "poeta completamente impassível". Além disso, mais uma vez podemos perceber a defesa da "Arte pela arte", em que o poeta busca, fundamentalmente, a perfeição em sua construção poética, utilizando-se, para isto, de vocabulário culto e preciso, provocando, assim, os efeitos de plasticidade que perpassam toda sua obra.
                 Plenilúnio
Além nos ares, tremulante,
Que visão branca das nuvens sai!
Luz entre as franças, fria e silente;
Assim nos ares, tremulamente,
Balão aceso subindo vai...

Há tantos olhos nela arroubados,
No magnetismo do seu fulgor!
Lua dos tristes e enamorados,
Golfão de cismas fascinador!
Astro dos loucos, sol da demência,
Vaga, noctâmbula aparição!
Quantos, bebendo-te a refulgência,
Quantos por isso, sol de demência,
Lua dos loucos, loucos estão!
Quantos à noite, de alva sereia
O falaz canto na febre a ouvir,
No argênteo fluxo da lua cheia,
Alucinados se deixam ir...

Também outrora, num mar de lua,
Voguei na esteira de um louco ideal;
Exposta aos euros a fronte nua,
Dei-me ao relento, num mar de lua,
Banhos de lua que fazem mal.

Ah! quantas vezes, absorto nela,
Por horas mortas postar-me vim
Cogitabundo, triste, à janela,
Tardas vigílias passando assim!

E assim, fitando-a noites inteiras,
Seu disco argênteo n?alma imprimi;
Olhos pisados, fundas olheiras,
Passei fitando-a noites inteiras,
Fitei-a tanto, que enlouqueci!
Tantos serenos tão doentios,
Friagens tantas padeci eu;
Chuva de raios de prata frios
A fronte em brasa me arrefeceu!

Lunárias flores, ao feral lume,
? Caçoilas de ópio, de embriaguez ?
Evaporavam letal perfume...
E os lençóis d?água, do feral lume
Se amortalhavam na lividez...

Fúlgida névoa vem-me ofuscante
De um pesadelo de luz encher,
A tudo em roda desde esse instante,
Da cor da lua começo a ver

E erguem por vias enluaradas
Minhas sandálias chispas a flux...
Há pó de estrelas pelas estradas...
E por estradas enluaradas
Eu sigo às tontas, cego de luz...
Um luar amplo me inunda, e eu ando
Em visionária luz a nadar,
Por toda a parte, louco arrastando
O largo manto do meu luar...
                          Raimundo Correia
     Em Plenilúnio, Raimundo Correia cria uma imagem impressionista da lua, já vista no próprio título. Utiliza-se de descrições vagas e subjetivas, como "balão aceso" (5º verso), "golfão de cismas" (9º verso), "sol da demência" (10º verso). No poema, o poeta vai se expondo à lua, da qual fala no texto, e sua luz fria, e à medida em que vai se expondo, essa mesma luz começa a enlouquecê-lo, até o momento em que os dois encontram-se em um só.
É interessante perceber que Plenilúnio pode ser dividido em duas partes. A primeira abarca as quatro estrofes iniciais, em que o poeta esboça uma paisagem impressionista em que a lua é o tema principal. Nesse primeiro momento, o foco é a pintura de um quadro, a descrição de uma cena, e a maioria dos versos constitui-se de frases nominais, sendo a ação praticamente excluída dessas estrofes, que se apresentam como um grande painel estático e descritivo, embora a descrição não se faça objetiva e clara como era costume na estética parnasiana.
    A segunda parte, por sua vez, inicia-se na quinta estrofe e vai até a décima segunda. Aqui, todas as frases são verbais, constituindo-se essas orações de verbos de ação, que imprimem maior movimento ao poema. Essa nova dinâmica, unida à subjetividade, acompanha o progressivo enlouquecimento do poeta, que se deixa embriagar pelos raios e pela luz do luar. O estado de embriaguez e de perda de consciência é refletido pela estrutura aparente do poema. O ritmo é criado por versos eneassílabos. Outro aspecto importante é a pontuação, pois dos cinqüenta e quatro versos, oito terminam em exclamação e outros oito em reticências, e isso reflete as grandes oscilações emocionais promovidas por um estado de loucura e embriaguez e a falta de conclusão de um raciocínio objetivo. Sobretudo as reticências mantêm o caráter vago das imagens do poema.
   A outra figura largamente utilizada por Raimundo Correia e por outros parnasianos é a sinestesia. A embriaguez promovida pelos banhos de lua que o poeta se dá mobiliza todos os seus sentidos e faz com que eles misturem as sensações percebidas pelo sujeito. À visão, que seria o primeiro sentido mobilizado pelo ato de contemplar a lua, une-se o paladar na terceira estrofe, em que alguns indivíduos bebem a refulgência do luar. Na estrofe seguinte há uma mistura da visão com a audição: os alucinados que se deixam ir no fluxo da lua ouvem cantos de sereia. A quinta e a oitava estrofes ficam por conta de mobilizar o tato. Finalmente, na nona estrofe, há uma participação do olfato nas sensações provocadas pelo plenilúnio.
                  Mal Secreto
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N?alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;

Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!

Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!

Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
                              Raimundo Correia
     Em Mal secreto, Raimundo Correia utiliza-se de rima do tipo ABAB nas duas primeiras estrofes, e do tipo CCD nas duas últimas estrofes. A forma utilizada pelo poeta foi a de Soneto, largamente utilizada pelos parnasianos e pela tríade. Em relação à métrica, Raimundo Correia opta por versos decassílabos, também muito utilizado pelos poetas parnasianos.
Raimundo Correia utiliza-se também de recursos sonoros e visuais: O ritmo marcado pela sonoridade, especialmente nas palavras tônicas, e nas rimas a marca do tom consistente e forte. Através desses recursos, o poeta consegue transmitir sua oposição semântica fundamental dentro do poema, entre o íntimo do ser humano e sua aparência, com as máscaras que muitas vezes escondem a realidade.
              Vila rica
O ouro fulvo do ocaso as velhas casas cobre;
Sangram, em laivos de ouro, as minas, que ambição
Na torturada entranha abriu da terra nobre:
E cada cicatriz brilha como um brasão.

O ângelus plange ao longe em doloroso dobre,
O último ouro do sol morre na cerração.
E, austero, amortalhando a urbe gloriosa e pobre,
O crepúsculo cai como uma extrema-unção.

Agora, para além do cerro, o céu parece
Feito de um ouro ancião que o tempo enegreceu...
A neblina, roçando o chão, cicia, em prece,

Como uma procissão espectral que se move...
Dobra o sino... Soluça um verso de Dirceu...
Sobre a triste Ouro Preto o ouro dos astros chove.
                                                                Olavo Bilac
   Além de várias figuras de linguagem - comparação, metáfora, metonímia, personificação, inversão etc. -, o poema é rico em sugestões sonoras, como o baladar do sino sugerido pelos fonemas nasais e pela aliteração do fonema /jê/ no 1º verso da 2ª estrofe. Além disso, há várias sugestões cromáticas relacionadas ao ouro (luz do sol e do ouro das minas) e ao negro (da noite, do passado e do próprio nome da cidade). É possível notar também as oposições existentes no poema, que reforçam o contraste entre passado e presente, riqueza e pobreza, dia e noite, o passado glorioso e o presente humilde.
   No "soluçar" do verso de Dirceu, a repetição do fonema /s/ na última estrofe, ao mesmo tempo que lembra um choro, sugere também os sofrimentos amorosos de Marília e Dirceu e dos inconfidentes mineiros, apenas sugerindo, nunca enchendo o texto de sentimentalismo e subjetivismo exacerbado. Trata-se, portanto, de um poema que consegue unir técnicas de construção a um rico conteúdo histórico - qualidades que nem sempre foram alcançadas pelos parnasianos. Assim, em Vila rica Bilac mostra a objetividade parnasiana evoluindo para uma postura mais intimista e subjetiva.
       Profissão de fé
Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor
Com que ele, em ouro, o alto relevo
Faz de uma flor
(...)
Torce, aprimora, alteia, lima
A frase; e, enfim, No verso de ouro engasta a rima,
Como um rubim.

Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito:
(...)
E horas sem conto passo, mudo,
O olhar atento,
A trabalhar, longe de tudo
O pensamento.

Porque o escrever - tanta perícia,
Tanta requer,
Que oficio tal... nem há notícia
De outro qualquer.

Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!
                            Olavo Bilac
     O trecho acima de Profissão de fé é construído em cinco quadras, caracterizando a forma do tipo rondó. Sua métrica varia, aparecendo em quatro, nove e dez sílabas, com rimas alternadas. A poesia aborda o próprio processo de criação poética. Olavo Bilac compara o ofício do poeta ao do ourives, do escultor, utilizando o vocabulário das artes plásticas: "(...)Torce, aprimora, alteia, lima / A frase; e, enfim, / No verso de ouro engasta a rima, / Como um rubim" (segunda estrofe do trecho), abordando o lema defendido por todos os parnasianos; "A arte pela arte", onde Bilac nos diz que se o poema em que se lima a frase logrará maior perfeição, saindo da oficina / Sem um defeito. É possível também observar neste poema um pouco do tributo "obrigatório" à estética do Parnasianismo, onde Bilac canta, ao final, a antiguidade greco-romana, de maneira pouco convincente: "Por te servir, Deusa serena, / Serena Forma!", podendo ser considerada até artificial.
Logo no início, o poeta já começa a definir sua "profissão de fé", ou seja, seus próprios princípios artísticos. É possível perceber, ao longo do texto, o poema (a palavra) é comparado a materiais da escultura e da ourivesaria, como ônix, ouro, rubim etc, relevando, desta forma, a concepção de Olavo Bilac a respeito do valor e da função da poesia, que ele considera, basicamente, como sendo responsável por esculpir a palavra, através da busca da perfeição formal, de um vocabulário culto, de rimas raras (as chamadas "chaves de ouro") e o excessivo tom descritivo. Para alcançar tal perfeição, Bilac trabalha arduamente em cima das palavras, ilustrando o próprio poema em questão com este procedimento, como pode-se verificar principalmente nas seguintes estrofes:

Quero que a estrofe cristalina,
Dobrada ao jeito
Do ourives, saia da oficina
Sem um defeito:

(...)
Porque o escrever - tanta perícia,
Tanta requer,Que oficio tal... nem há notícia
De outro qualquer.

Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por te servir, Deusa serena,
Serena Forma!
      Já o princípio da Arte pela Arte é melhor verificado na 4ª estrofe, quando o poeta diz:
E horas sem conto passo, mudo,
O olhar atento,
A trabalhar, longe de tudo
O pensamento.
     Mostrando sua entrega total à arte de escrever.
CONCLUSÃO
    É possível verificar, com as análises feitas neste presente artigo, que embora o Parnasianismo e a tríade parnasiana - bem como os demais poetas parnasianos - apresentem suas características fixas, recorrentes na maioria das obras parnasianas, como busca da perfeição formal, vocabulário culto, gosto pelo soneto, apego à tradição clássica, Arte pela Arte, e tantas outras características abordadas neste breve estudo acerca dos poemas de tal escola, Os principais autores brasileiros parnasianos - a saber, Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac -, ao construir suas poesias, utilizaram-se de outros elementos e recursos, característicos de outras escolas e estilos literários, apresentando, inclusive, influência do próprio Romantismo e Realismo, em alguns de seus poemas, mostrando a impossibilidade de um "poeta impassível", e impermeável a todo e qualquer elementos que não esteja na origem e essência do Parnasianismo. Este artigo foi importante, então, para mostrar a importância e necessidade do estudo e análise dos próprios poemas, tendo a teoria como base, meio, e não como fim para o estudo da poesia, uma vez que, na prática, ou seja, no fazer poético, há a ocorrência de muitos aspectos que passam de certa forma despercebidos ao tratar-se apenas de história da literatura e sua Teoria.
REFERÊNCIAS
BOSI, Alfredo. História concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: CULTRIX, 2006, p. 219 - 229.

Tríade Parnasiana: A análise poética em Alberto de Oliveira- VASO ...

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