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terça-feira, 21 de agosto de 2012

O PARNASIANISMO (1882-1893)

    O parnasianismo é uma escola literária ou um movimento literário essencialmente poético, contemporâneo do Realismo-Naturalismo. Um estilo de época que se desenvolveu na poesia a partir de 1850, na França.
Origens
    Movimento literário que se originou em Paris, França, representou na poesia o espírito positivista e científico da época, surgindo no século XIX (19) em oposição ao romantismo.
Nasceu com a publicação de uma série de poesias, precedendo de algumas décadas o simbolismo uma vez que os seus autores procuravam recuperar os valores estéticos da antiguidade clássica. O seu nome vem do Monte Parnaso, a montanha que, na mitologia grega era consagrada a Apolo e às musas.
    Caracteriza-se pela sacralidade da forma, pelo respeito às regras de versificação, pelo preciosismo rítmico e vocabular, pelas rimas raras e pela preferência por estruturas fixas, como os sonetos. O emprego da linguagem figurada é reduzido, com a valorização do exotismo e da mitologia. Os temas preferidos são os fatos históricos, objetos e paisagens. A descrição visual é o forte da poesia parnasiana, assim como para os românticos são a sonoridade das palavras e dos versos. Os autores parnasianos faziam uma "arte pela arte", pois acreditavam que a arte devia existir por si só, e não por subterfúgios, como o amor, por exemplo. O primeiro grupo de parnasianos de língua francesa reúne poetas de diversas tendências, mas com um denominador comum: a rejeição ao lirismo como credo. Os principais expoentes são Théophile Gautier (1811-1872), Leconte de Lisle (1818-1894), Théodore de Banville (1823-1891) e José Maria de Heredia (1842-1905), de origem cubana, Sully Prudhomme (1839-1907). Gautier fica famoso ao aplicar a frase “arte pela arte” ao movimento.
Características gerais
   Preciosismo: focaliza-se o detalhe; cada objeto deve singularizar-se, daí as palavras raras e rimas ricas.
Objetividade e impessoalidade: O poeta apresenta o fato, a personagem, as coisas como são e acontecem na realidade, sem deformá-los pela sua maneira pessoal de ver, sentir e pensar. Esta posição combate o exagerado subjetivismo romântico.
Arte Pela Arte: A poesia vale por si mesma, não tem nenhum tipo de compromisso, e se justifica por sua beleza. Faz referências ao prosaico, e o texto mostra interesse a coisas pertinentes a todos.
Estética/Culto à forma: Como os poemas não assumem nenhum tipo de compromisso, a estética é muito valorizada. O poeta parnasiano busca a perfeição formal a todo custo, e por vezes, se mostra incapaz para tal.
Aspectos importantes para essa estética perfeita são:
Rimas Ricas: São evitadas palavras da mesma classe gramatical. Há uma ênfase das rimas do tipo ABAB para estrofes de quatro versos, porém também muito usada as rimas interpoladas.
Valorização dos Sonetos: É dada preferência para os sonetos, composição dividida em duas estrofes de quatro versos, e duas estrofes de três versos. Revelando, no entanto, a "chave" do texto no último verso.
Metrificação Rigorosa: O número de sílabas poéticas deve ser o mesmo em cada verso, preferencialmente com dez (decassílabos) ou doze sílabas(versos alexandrinos), os mais utilizados no período. Ou apresentar uma simetria constante, exemplo: primeiro verso de dez sílabas, segundo de seis sílabas, terceiro de dez sílabas, quarto com seis sílabas, etc.
Descritivismo: Grande parte da poesia parnasiana é baseada em objetos inertes, sempre optando pelos que exigem uma descrição bem detalhada como "A Estátua", "Vaso Chinês" e "Vaso Grego" de Alberto de Oliveira.
Temática Greco-Romana - A estética é muito valorizada no Parnasianismo, mas mesmo assim, o texto precisa de um conteúdo. A temática abordada pelos parnasianos recupera temas da antiguidade clássica, características de sua história e sua mitologia. É bem comum os textos descreverem deuses, heróis, fatos lendários, personagens marcados na história e até mesmo objetos.
Cavalgamento ou encadeamento sintático (enjambement) - Ocorre quando o verso termina quanto à métrica (pois chegou na décima sílaba), mas não terminou quanto à ideia, quanto ao conteúdo, que se encerra no verso de baixo. O verso depende do contexto para ser entendido. Tática para priorizar a métrica e o conjunto de rimas. Como exemplo, este verso de Olavo Bilac:
                    Cheguei, chegaste. Vinhas fatigada
                    e triste. E triste e fatigado eu vinha.
Em Portugal
     Em Portugal, o movimento não foi muito importante, tendo como autores Gonçalves Crespo (nascido no Brasil mas criado em Portugal desde os 10 anos de idade), João Penha, António Feijó e Cesário Verde.
 No Brasil
     No Brasil, o parnasianismo dominou a poesia até a chegada do Modernismo brasileiro. A importância deste movimento no país deve-se não só ao elevado número de poetas, mas também à extensão de sua influência, uma vez que seus princípios estéticos dominaram por muito tempo a vida literária do país, praticamente até o advento do Modernismo em 1922.
    Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista. Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do Romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.
     Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o Parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris. O Parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Luís Guimarães Júnior (Sonetos e rimas. 1880) e Teófilo Dias (Fanfarras. 1882), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (Sinfonias. 1883), Alberto de Oliveira (Meridionais. 1884) e Olavo Bilac (Relicário. 1888).
      O Parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do Parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto ao assunto, caracteriza-se pela objetividade, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita (formalismo) quanto à construção e à sintaxe. Os poetas parnasianos veem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo.
      Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a chamada tríade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Antônio Augusto de Lima, Luís Murat e Mário de Lima.
     A partir de 1890, o Simbolismo começou a superar o Parnasianismo. O realismo classicizante do Parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e se manteve paralelo ao Simbolismo e mesmo ao Modernismo em sua primeira fase.
      O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o Simbolismo, o Parnasianismo deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição:
Olavo Bilac
Alberto de Oliveira
Raimundo Correia
Francisca Júlia
Vicente de Carvalho
Luís Delfino
Mário de Lima

Parnasianismo – Wikipédia, a enciclopédia livre
pt.wikipedia.org/wiki/Parnasianismo

PARNASIANISMO - A ESTÉTICA DA “ARTE PELA ARTE”
    Atendo-nos à complementaridade referente ao título, ora caracterizada pela expressão “arte pela arte”, temos a impressão de que a estética literária a que fazemos menção parece se divergir daquelas com as quais já estabelecemos uma certa familiaridade no que tange aos traços característicos.
     Nosso conhecimento acerca das particularidades inerentes à arte literária nos revela que o “meio” externo também se tornou um fator que muito incidiu sobre o poder criador de todos os representantes de nossas letras. Fato é que tal exteriorização está intrinsecamente relacionada ao meio social como um todo, e esse, por sua vez, muito influenciou as correntes ideológicas de todos os tempos.
    Mas agora voltando à divergência anteriormente mencionada, temos que as figuras artísticas da era parnasiana não se deixaram abater por causas externas. Uma vez pautadas sob uma ótica puramente neutra de capturar a realidade, cultuavam a poesia voltada para si mesma. Em meio a esse ínterim, instaurava-se todo um jogo de antissentimentalismo e, consequentemente, antirromantismo, pois pregavam o ideal de que tais peculiaridades acabam por comprometer a capacidade imaginativa, o profissionalismo poético do artista.
     Com base nesses pressupostos, já temos a ideia de que a poesia parnasiana esteve arraigada por um rigor técnico. Foi justamente esse o traço marcante das representações artísticas parnasianas, pois o poeta se revela como um ser frio e indiferente às emoções. Assim sendo, a objetividade, o tecnicismo e a imparcialidade ocupam lugar de destaque.
    Digamos que em virtude de todos esses pormenores, o Parnasianismo, esteticamente dizendo, foi uma retomada aos moldes ligados à Antiguidade Clássica. A começar pela nomenclatura (Parnasianismo), a qual se deve à publicação de coletânea Le parnasse contemporain, obra que preconizava a volta ao mundo grego no tocante à rima, métrica, impassibilidade nas descrições, como também no ideal de impessoalidade. Tendo como principais precursores: Théophile Gautier, Stéphane Mallarmé e Paul Verlaine.

    Atendendo ao propósito de tornarmo-nos conhecedores autênticos sobre os aspectos que nortearam toda a era em voga, compartilharemos com algumas de suas relevantes características:
* O culto ao belo – Para os representantes parnasianos, a forma deveria sobrepor-se ao conteúdo, com vistas a alcançar, de modo efetivo, todo o rigor apurado e formal.
* O apego aos ideais clássicos – No intento de promover o universalismo temático, o poeta tende a revelar uma objetividade ao extremo, mantendo-se altivo, sereno e neutro às tentações mundanas.
* O preciosismo formal – Preconizavam um vocabulário voltado para a erudição, mesmo porque o referido posicionamento se fazia necessário para o alcance da “perfeição”.
* A valorização da forma clássica – Optavam pelo soneto (dois quartetos e dois tercetos), pelo verso decassílabo (dez sílabas poéticas) ou alexandrino (doze sílabas), pelas rimas ricas ou raras e, sobretudo, pela chave de ouro, ou seja, o verso que conclui o poema de forma magistral.
* A predominância de um recurso estilístico representado pelo hipérbato, que consiste na representação indireta dos elementos discursivos, visando à pomposidade, ao enobrecimento da linguagem propriamente dita.
     Para “fechar com chave de ouro” os nossos conhecimentos teóricos, observemos uma criação poética representada pelo ilustríssimo Olavo Bilac:
Língua portuguesa
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!


Parnasianismo – A estética da “arte pela arte” - Português

PARNASIANISMO NO BRASIL
   O Parnasianismo tem seu marco inicial com a publicação de “Fanfarras” de Teófilo Dias, em 1882. Contudo, Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Raimundo Correia também auxiliaram a implantação do Parnasianismo no Brasil.
   A estética parnasiana, originada na França, valorizava a perfeição formal, o rigor das regras clássicas na criação dos poemas, a preferência pelas formas fixas (sonetos), a apreciação da rima e métrica, a descrição minuciosa, a sensualidade, a mitologia greco-romana. Além disso, a doutrina da “arte pela arte” esteve presente nos poemas parnasianos: alienação e descompromisso quanto à realidade.
    Contudo, os parnasianos brasileiros não seguiram todos os acordos propostos pelos franceses, pois muitos poemas apresentam subjetividade e preferência por temas voltados à realidade brasileira, contrariando outra característica do parnasianismo francês: o universalismo.
    Os temas universais, vangloriados pelos franceses, se opunham ao individualismo romântico, que revelava aspectos pessoais, desejos, aflições e sentimentos do autor.
    Outra característica que o Parnasianismo brasileiro não seguiu à risca foi a visão mais carnal do amor em relação à espiritual. Olavo Bilac, principalmente, enfatizou o amor sensual, entretanto, sem vulgarizá-lo.
     No Brasil, os principais autores parnasianos são: Olavo Bilac e Raimundo Correia.
     O poema “Profissão de fé” de Olavo Bilac é uma representação da estética parnasiana no Brasil:
Veja um trecho:
(...)
E horas sem conta passo, mudo,
O olhar atento,
A trabalhar, longe de tudo
O pensamento.

Porque o escrever – tanta perícia
Tanta requer,
Que ofício tal... nem há notícia
De outro qualquer.

Assim procedo. Minha pena
Segue esta norma,
Por servir-te, Deusa serena,
Serena Forma!

     Vemos nas estrofes acima aspectos parnasianos, como “a arte pela arte”: o poeta deixa claro que a arte poética exige do autor o afastamento quanto ao que acontece no mundo.
    Ainda vemos a exaltação e procura por um rigor técnico, purismo na forma: o poeta diz que escrever requer muita perícia, cuidado e engrandece a estética formal “Serena Forma”.
    Além disso, observamos no poema a forma fixa dos sonetos, a rima rica e a perfeita ou rara em contraposição aos versos livres e brancos dos poetas românticos.
Por Sabrina Vilarinho  - Graduada em Letras - Equipe Brasil Escola

parnasianismo no brasil - brasil escola
www.brasilescola.com › literatura › parnasianismo

PARNASIANISMO  - PROJETO DESSOCIEDADE
Contexto histórico
    Como consequência da Revolução Industrial, o espaço geográfico, antes predominantemente rural, começou a sofrer modificações. Surgiram grandes aglomerações urbanas, e a sociedade acompanhou essa evolução: o proletariado, que antes sobrevivia as custas de trabalho braçal, mal-remunerado e alienante (muitas vezes em regime de escravidão) nas fazendas de seu senhor feudal, passou a ser visto como mão-de-obra barata para trabalho braçal, mal-remunerado e alienante (muitas vezes em regime de escravidão) nas fábricas de seus novos patrões, os capitalistas industriais.
 Só não se inventou uma máquina de fazer versos – já havia o poeta parnasiano...
Oswald de Andrade, demonstrando total desconhecimento dos avanços tecnológicos de sua época
Surgimento do Parnasianismo
A    ssim como o tear automático tornou obsoletas as agulhas de crochê utilizadas por sua tataravó, os poetas e músicos também foram perdendo espaço para as recem-criadas máquinas de fazer versos.
    Claro que uma máquina de fazer versos, assim como qualquer outro equipamento industrial, era (e ainda é) caríssima. Portanto, as únicas pessoas com poder aquisitivo para comprá-las eram os próprios capitalistas industriais que, após não verem modo algum de obter lucro com aquelas traquitanas, resolveram da-las de presente seus filhos virgens de 30 anos que nunca desgrudaram da saia da mamãe.
    Como naquela época muitas pessoas ainda não acreditavam em máquinas de fazer versos, maquinas voadoras mais pesadas que o ar ou carroças sem cavalos, a autoria de tais poemas foi atribuída aos donos das máquinas.
Alguns deles, como Baulellaire, Verlaine, Mallarmé e Bilac se aproveitaram dessa situação e reuníram-se para "criar" um novo pseudo movimento literário. O nome parnasianismo foi retirado do local da reunião: o cabaré parisiense Le Parnasse, local que a zelite frequentava para gastar os lucros do espólio imperialista bebendo licor e comendo prostitutas de alta classe.
Características da poesia parnasiana
Elitismo: o autor parnasiano mantém uma soberba indiferença frente aos dramas do cotidiano, isolando-se em suas casinhas de bonecas.
Pedantismo: Qualquer texto escrito por autores não pertencentes ao clubinho parnasiano era considerado não-literário, indigno de ser publicado em um livro. Na época, os parnasianos orgulhavam-se de serem pedantes. Após estudos feitos por escritores e/ou cientistas naturalistas, tal pedantismo passou a ser classificado como uma doença .
Estética e culto à forma: A estética é muito valorizada no Parnasianismo, principalmente os corpos másculos de deuses gregos, heróis e personagens históricos, além da descrição detalhada de objetos trabalhados em ouro.
Ausência de conteúdo: O Parnasianismo foi, em última análise, uma arte que não serviu para porra nenhuma, nem para a difusão de qualquer ideologia, nem à ninguém; Uma arte voltada para seu próprio umbigo, em suma.

Parnasianismo - Desciclopédia
desciclopedia.ws/wiki/Parnasianismo

  A IMPORTÂNCIA DO PARNASIANISMO NO BRASIL
    O movimento parnasiano teve grande importância no Brasil, não apenas pelo elevado número de poetas, mas também pela extensão de sua influência. Seus princípios doutrinários dominaram por muito tempo a vida literária do país. Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista. Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.

    Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris. O parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Luís Guimarães Júnior (1880; Sonetos e rimas) e Teófilo Dias (1882; Fanfarras), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (1883; Sinfonias), Alberto de Oliveira (Meridionais) e Olavo Bilac (1888; Poesias).
    O parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto ao assunto, caracteriza-se pelo realismo, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita quanto à construção e à sintaxe. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo.
     Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a trindade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino da Costa Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Augusto de Lima e Luís Murat.
     A partir de 1890, o simbolismo começou a superar o parnasianismo. O realismo classicizante do parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e se manteve paralelo ao simbolismo e mesmo ao modernismo.
   O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o simbolismo, o parnasianismo deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição.

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5 comentários:

  1. muito bom o texto . Bem explicativo e esclarecedor.

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  2. muito bom o texto . Bem explicativo e esclarecedor.

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  3. QUANDO TERMINOU E PORQUE? N ENTENDI ISSO...

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  4. Gostaria de saber pq não teve tanto destaque em Portugal

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