SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

PRODUÇÕES CONTEMPORÂNEAS - A POESIA

       A  POESIA CONTEMPORÂNEA
1.CONTEXTO   
    HISTÓRICO
•Suicídio de Getúlio Vargas;
•Governo desenvolvimentista de Juscelino e construção de Brasília;
•Surgimento da Bossa Nova;
•O Brasil ganha a 1ª Copa do Mundo;
.Renúncia de Jânio Quadros e inauguração da ditadura militar;
•Início do Tropicalismo (Gilberto Gil e Caetano Veloso);
•Surgimento do Cinema Novo: Glauber Rocha ("Deus e o Diabo na Terra do Sol” e  “Terra em Transe").
2.CONCRETIS-
MO
O Movimento da Poesia Concreta, lançado em 1956, por Décio Pignatari e os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos, poetas e teóricos de literatura e editores de um livro-revista chamado Noigrandes, que tratava sobre poesia concreta, arregimentou para a nova corrente outros poetas, como Ronaldo Azeredo, Cassiano Ricardo, Paulo Leminski, Ferreira Gullar, Mário Chamie...
3.CARACTERÍS-TICAS
Basicamente, rejeitam o verso tradicional, com sua estrutura linear, lógica, discursiva. O texto poemático precisa ter uma nova forma de organização no espaço da folha e deve-se usar outros recursos além da palavra. O poema deve ser "verbivocovisual” (lido/ouvido/visto).
4.NEOCONCRE-TISMO
Dissidência do Concretismo, envolveu artistas plásticos e poetas. O principal teórico foi  poeta Ferreira Gullar. Surgiu em 1959. Os seus adeptos criticavam o uso abusivo dos recursos puramente visuais, defendendo a subjetividade do "eu lírico” no texto. O poema deve ser expressão, um verdadeiro  “organismo vivo. Seguidores: Reinaldo Jardim, Hélio Oiticica, e outros.
5.POESIA  PRAXIS
Com um manifesto didático, intitulado "Poema-Praxis", em 1961,o poeta Mário Chamie lança em São Paulo um movimento chamado lnstauração Praxis .Segundo ele, o poema deve ser planejado, com a escolha de  uma realidade a ser trabalhada, com vistas a desencadear uma reação no leitor. Ao lado de Chamie estiveram Cassiano Ricardo, Antõnio Carlos Cabral, Armando Freitas Filho , Camargo Meyer, Mauro Gama, etc.
6.POEMA PROCESSO
Lançado em 1967, no Rio de Janeiro e em Natal, por Wlademir Dias Pino, propõe a linguagem universal de caráter visual, basicamente uma "'poesia para ser vista e sem palavras".
7.DESTAQUES   DO PERÍODO
. FERREIRA  GULLAR – Nascido em Sao Luis do Ma!snhao, em 1930, publicou seu primeiro livro aos 19 anos. Veio para o Rio de Janeiro, onde trabalha em jornais e revistas. Adere ao Concretismo, lidera o Neoconcretismo, assumindo uma poesia compremetida com as injustiças sociais e a opressão. Foi preso pela ditadura militar, em 1968, e forçado a exilar-se, em 1971. Em Buenos Aires, escreve sua obra-prima e um dos marcos da poesia brasileira, o poema-livro POEMA SUJO (1978), que dá um testemunho da poca de difícil situação sócio-político-econômico-cultural do povo brasileiro. Absolvido pelo Supremo Tribunal Federal, retorna ao Brasil e continua seu trabalho. Ganhou o concurso de poesia promovido pelo Jornal de Letras com seu poema "O Galo" em 1950. Os prêmios Molière, o Saci e outros prêmios do teatro em 1966 com "Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come", que é considerada uma obra prima do teatro moderno brasileiro.Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura. Em 2007, seu livro Resmungos ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano. O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crônicas de Gullar publicadas no jornal "Folha de São Paulo" no ano de 2005. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009. Foi agraciado com o PrEmio Camões 2010. Em 15 de outubro de 2010, foi contemplado com o título de Doutor Honoris Causa, na Faculdade de Letras da UFRJ.Obras:UM POUCO AClMA DO CHÃO, A LUTA CORPORAL, POEMAS NEOCONCRETOS, JOÃO BOA-MORTE, CABRA MARCADO PHA MORRER, POR VOCÊ-POR MIM, CULTURA POSTA EM QUESTÃO, DENTRO DA NOITE VELOZ, POEMA SUJO, NA VERTIGEM DO DIA, CRIME NA FLORA, BARULHOS..

. CARLOS   NEJAR - Luís Carlos Verzoni Nejar, mais conhecido como Carlos Nejar (Porto Alegre, 11 de janeiro de 1939), é um poeta, ficcionista, tradutor e crítico literário brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras. Um dos mais importantes poetas da sua geração, Nejar, também chamado de "o poeta do pampa brasileiro", destaca-se pela riqueza de vocabulário e pela utilização das aliterações, que tornam seus versos musicais. Lançou seu primeiro livro, Sélesis, em 1960.É graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, sendo também  professor e promotor público. Vários críticos o consideram um dos mais expressivos poetas da “Geração de 60". A princípio, produziu obras com influência de poetas mítico-místicos e de indagações metafísicas, preocupa-se com o rigor formal e os experimentos de vanguarda .Num segundo momento, com a publicação de O CAMPEADOR E O VENTO, volta-se para uma poesia de historicidade concreta, de realidade social, com forte diimensão épica e voz coletiva.
]Obras: SÉLESIS, LIVRO DO SILBION, LIVRO D0 TEMPO, O CAMPEADOR E O VENTO,DANAÇÕES, CASA DOS ARREIOS, O P0Ç0 DO CALA-BOUÇO, ÁRVORE DO MUNDO, O MENINO DO RIO, VOZES DO BRASIL... Detém os prêmios Cassiano Ricardo, do Clube de Poesia de SP, 1996; Francisgreja, da UBE, 1991; Luiza Cláudio de Souza, do Pen Clube do Brasil - 1977; Érico Veríssimo, da Câmara Municipal de POA, 1981; Fernando Chinaglia, da UBE, 1974; Jorge de Lima, do Instituto Nacional do Livro, 1971. Na área do livro infanto-juvenil, arrebatou os prêmios Monteiro Lobato e o da Associação de Críticos Paulistas de  Arte, com respectivamente Era um Vento muito Branco e Zão. Na mesma linha, publicou ainda, O Grande Vento (Ed. Consultor, 1998, Rio), com ilustrações de Cristiano Chagas. É autor de Teatro em Versos: Miguel Pampa, Fausto, Joana das Vozes, Ulisses, As Parcas, Favo branco (Vozes do Brasil), Pai das Coisas, Auto do Juízo Final - Deus não é uma andorinha, (Funarte, Rio, 1998).
8.A POESIA JOVEM DOS  ANOS  70
Na década de 70 ), em meio a forte pressão sócio-política,há uma verdadeira explosão da literatura feita por jovens em todo o Brasil, numa literatura favorável ao fim de toda e qualquer repressão, feita com humor, deboche, uso de gíria e palavrão. Sua divulgação é feita à margem dos veículos e circuitos convencionais, através de volantes, folhas soltas, cartazes, varais, manuscritos, grafites, revistas e jornais artesanais, distribuídos de mão em mão nos locais públicos. Designada como POESIA MARGINAL e GERAÇÃO MIMEÓGRAFO, teve entre seus incontáveis praticantes nomes como: Chacal. Charles, Nicolas Behr, Alex Polari, Francisco Alvim, Cacaso, Paulo Leminski, Alice Ruiz, Roberto Piva, Torquato Neto, Afonso Henriques Neto, Capinam, Leila Miccolis, Ulisses Tavares, entre outros.

Texto I  -  Leia atentamente o texto abaixo, de José Paulo Paes.
de sol a sol                                                       
de sal a sal
salgado
de sova a sova
sovado
de suco a suco
sugado
de sono a sono
sonado
sangrado
de sangue a sangue.
             (Haroldo de Campos)

Anatomia  do  monólogo
         ser ou não ser?
          er ou não er?
            r ou  não r?
               ou não?
                 onã?
a) A que corrente poética você filiaria o texto acima? Justifique a resposta.
b) Comente o texto de José Paulo Paes levando em conta o título, a forma geométrica, etc.

POEMAS FIGURATIVOS
               Os poemas figurativos, também chamados de poemas concretos ou cinéticos, são aqueles que têm uma disposição especial de versos e palavras, dão a impresso de formas concretas e movimento (cinético). Neste tipo de estrutura gráfica, a própria disposição dos elementos auxilia na transmissão da mensagem. Observe isso no poema a seguir:
                               SOBRE A AMBIÇÃO
                                             Só
                                          de pé
                                      Deus o fez.
                                Mas ele, em vez
                               de se conformar,
                            quis ser sol, e ser mar,
                        e ser céu ... 5er tudo, enfim
                       Mas nada pôde! E foi assim
                      que se pôs a chorar de furor ...
                   Mas ah! foi sobre sua própria dor
                que as lágrimas tristes rolaram. E o pó,
                molhado, ficou sendo lodo - e lodo só!
                                                 (Guilherme de Almeida).
                                                               
   O movimento concretista teve desdobramentos como a poesia-praxis, sob a liderança de Mário Chamie, e o poema-código lançado por Décio Pignatari e Luiz Ângelo Pinto. O poema-código destaca-se pelo visual e utilização de elementos da publicidade.
     Poema-código composto por Augusto de Campos.
Gilberto Gil e Caetano Veloso mostraram interesse pelo poema concretista:
A      DEUS                                               
DEUS      A                                               
AFRODITE                                               
DE         TI                                                 
TI          VE
VI          DA
DA        DA
A      DEUS
(Letra de Gilberto Gil,
 musicada pr Caetano Veloso)

   O poema abaixo pertence à poesia concreta brasileira. O termolatino de seu título significa “epitalâmio”, poema ou canto  em homenagem aos que se casam.
1.Considerando que símbolos e sinais são utilizados geralmente para demonstrações objetivas, ao serem incorporados no poema "Epithalamium -II",
(A) adquirem novo potencial de significação.                                                
(B) eliminam a subjetividade do poema.
(C) opõem-se ao tema principal do poema.                         
(D) invertem seu sentido original.  
(E) tornam-se confusos e equivocados.

2. (VUNESP) Em seu último álbum póstumo, o cantor e compositor Cazuza diz, com sarcasmo:
"A burguesia fede!
A burguesia quer ficar rica!
( ... )
A burguesia não tem charme nem é discreta
Com suas perucas de cabelo de boneca
A burguesia quer ser sócia do Country
Quer ir em Nova Iorque fazer compras".
                                   (G. Israel, Cazuza & E. Neves.)
Compare os versos apresentados com o seguinte poema concreto:
 3. Releia ambos os textos e, a seguir, comente:
a) O sentido de crÍtica social que os versos cantados por Cazuza e o poema de Augusto de Campos podem conter;
b) Que relação pode existir entre a simbologia gráfica do tipo de letra "decorativa" ou "ornamental" com que Augusto de Campos escreve a palavra luxo e os versos "A burguesia não tem charme nem é discreta / Com suas perucas de cabelo de boneca"

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