SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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sexta-feira, 16 de março de 2012

TROVADORISMO: CANTIGAS E PROSA MEDIEVAIS (continuação)

VI – OS CANCIONEIROS:
       Por ser transmitida oralmente, durante muito tempo, era de se esperar que boa parte da poesia trovadoresca acabasse desaparecendo, sobretudo, a que se produziu antes de 1198. Com o tempo, com o objetivo de fixar aquilo que a memória não podia reter, as letras das cantigas passaram a ser transcritas em pequenos apontamentos. Mais adiante, para evitar que se perdessem, foram postas em “cancioneiro”, isto é, em coletânea de canções, sempre por ordem e favor de um protetor das artes, de um mecenas. 
• O Cancioneiro da Ajuda, o mais antigo, com 310 cantigas, quase todas de amor. Composto no reinado de D. Afonso III, fins do século XIII, o que excluía a contribuição de D. Dinis que reinou entre 1268 e 1325.
• O Cancioneiro da Vaticana, assim chamado por ter sido encontrado na Biblioteca do Vaticano, em Roma. Contém 1205 cantigas; 
• O Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa, anteriormente chamado de Collocci-¬Brancutti, homenagem a dois italianos que os possuíram e guardaram para a prosperidade. É uma cópia italiana do século XVI. Contém 1647 cantigas, de todos os tipos, e inclui trovadores dos reinados de Afonso III e de D. Dinis. 

VII – PRINCIPAIS TROVADORES:

JOÃO GARCIA DE GUILHADE – notabilizou-se pelo forte estilo pessoal, pela originalidade de suas composições. São conhecidas 54 cantigas, entre líricas e satíricas.

MARTIM CODAX – dele são conhecidas apenas 7 cantigas, as quais, além de contarem entre as melhores do período, são as únicas de que temos as partituras musicais que normalmente acompanham os poemas.
       
   São nomes bastante lembrados, ainda, os seguintes: Afonso Sanches (filho de D.Dinis); João Zorro; Aires Nunes; Nuno Fernandes Torneol; Bernardo Bonaval e Paio Soares de Taveirós, considerado o primeiro autor importante, do ponto de vista cronológico, do Trovadorismo português.

VIII - A PROSA MEDIEVAL PORTUGUESA:
      
      A época do Trovadorismo ainda se caracteriza pelo aparecimento e cultivo das novelas de cavalaria. Originárias da Inglaterra e da França, e de caráter tipicamente medieval, nasceram da prosificação e metamorfose das “canções de gesta” (poesia de temas guerreiros): estas, alargadas e desdobradas a um grau que transcendia qualquer memória individual, deixaram de ser expressas por meio de versos para o ser em prosa, e deixaram de ser cantadas para ser lidas. Dessa mudança resultaram as Novelas de Cavalaria, que penetraram em Portugal no século XIII, durante o reinado de Afonso III.Seu meio de circulação era a fidalguia e a realeza.
    Como eram traduzidas, era natural que na tradução e cópia sofressem voluntárias e involuntárias alterações com o objetivo de aclimatá-las à realidade histórico-cultural portuguesa.Convencionou-se dividir a matéria cavaleiresca em três ciclos. São eles: 
- CICLO ARTURIANO, em torno do rei Artur e seus cavaleiros e os cavaleiros da Távola Redonda.
- CICLO CAROLÍNGIO, a respeito de Carlos Magno e os doze pares da França.
CICLO CLÁSSICO, relativo aos temas greco-latinos, narram á guerra de Tróia e as aventuras de Alexandre, o Grande.
     Floresceram também, nessa época, formas paraliterárias: 
- os cronicões: livros de crônicas que deram origem ao início da historiografia portuguesa;
- as hagiografias: vidas de santos;
- os livros de linhagem (ou nobiliários): relações de nomes, geralmente de fidalgos, com a intenção de estabelecer graus de parentesco a fim de evitar casamentos entre parentes próximos e esclarecer dúvidas no caso de heranças.
   Tratando-se da literatura portuguesa só o ciclo arturiano deixou marcas vivas de sua passagem em Portugal. Sabe-se, ainda, que na biblioteca de D. Duarte (1391-1438) existiam exemplares de algumas novelas como ”Tristão”, o “Livro de Galaaz”, o “Mago Merlim”, o que revela o alto preço em que eram tidas e a grande influência que exerceram sobre os hábitos e costumes palacianos da Idade Média portuguesa.
 
 1) SANTO GRAAL
     Ao longo da história do cristianismo, a veneração por relíquias sagradas foi uma das mais corriqueiras demonstrações de fé vinculadas ao catolicismo. Esse tipo de experiência de fé visava reforçar materialmente a crença na história de vida dos santos e de Jesus Cristo. Por isso, principalmente a partir da Idade Média, as relíquias se transformaram em alvo da adoração e da constituição de várias lendas que descreviam os grandes poderes destes artefatos sagrados.
       Em meio a tantas relíquias, o Santo Graal tem um significado especial, pois se trata de um suposto objeto utilizado por Cristo durante a Última Ceia. Ao longo do tempo, as interpretações e simbologias em cima desse objeto sagrado ganharam novas versões que, inclusive, inspiraram a narrativa do best-seller “O Código da Vinci”. Contudo, os estudos sobre o cristianismo primitivo em pouco contribuem para que essa crença se transformasse em realidade.
        No primeiro século, os valores cristãos eram populares entre pessoas de origem humilde e que não tinham condições de ostentar nenhum tipo de luxo material maior. Por isso, caso o Santo Graal realmente existisse, não poderíamos imaginá-lo como um utensílio sofisticado e valioso. Além disso, os próprios relatos sobre a Última Ceia contidos nos evangelhos bíblicos não fazem nenhuma menção especial a qualquer objeto utilizado na última celebração entre Cristo e seus apóstolos.
    No entanto, com o passar dos séculos, outros textos considerados sagrados foram responsáveis por articular a lenda que se criou em torno do Santo Graal. Em um desses textos, também conhecidos como evangelhos apócrifos, encontramos a menção de um cristão que, durante o julgamento e a crucificação de Cristo, teve o cuidado de zelar por utensílios supostamente utilizados pelo líder messiânico. Dessa maneira, estariam nesses relatos à origem do mito sobre o copo da Última Ceia, o Santo Graal.
       Um dos responsáveis por dar continuidade ao mito do Graal foi um poeta medieval francês chamado Chrétien de Troyes. Em um de seus poemas épicos, Troyes contava a história de Percival, um camponês que se juntou aos cavaleiros do Rei Arthur e se lançou ao mundo em busca de aventuras. A certa altura da história, o cavaleiro Percival se depara resignadamente com uma procissão onde alguns cristãos carregavam valiosas relíquias, sendo uma delas “um graal”.
        A história, que não teve prosseguimento pela morte de seu autor, diz em suas partes finais que o Graal avistado pelo cavaleiro tinha o poder de evitar várias intempéries. Apesar de mal explicada, a história do poeta francês foi importante para que o caráter divino do Graal fosse posteriormente explorado por outros escritores. Segundo alguns estudiosos, o termo “graal”, primeiramente utilizado por Troyes, faz referência a um tipo de prato raso, e não ao cálice que costuma simbolizar a famosa relíquia.
     Algumas décadas após a morte de Troyes, a história por ele iniciada foi retomada por vários autores que reinventaram os destinos de Percival e o valor daquele graal. Em meio às reinvenções, os cavaleiros do rei Arthur perseguiriam o Santo Graal com o objetivo de curar e instruir o lendário rei Arthur. Entre os cavaleiros estava o puro Galahad, que ao encontrar a relíquia descobre importantes revelações sobre o mundo.
       Na Idade Moderna, as famosas histórias do Santo Graal e das demais relíquias do mundo medieval se depararam com as críticas do movimento protestante. A crença e a compra das relíquias eram atacadas como um tipo de atividade contrária a outras mais importantes práticas cristãs. Contudo, a lenda conseguiu sobreviver ao longo do tempo e, no século XIX, foi relacionada com a Ordem dos Cavaleiros Templários, ordem religiosa criada no século XII com a missão de proteger a cidade de Jerusalém.
        Essa interpretação histórica foi fundada a partir da leitura de um poema alemão intitulado como “Parzival”. Nessa obra, o graal é descrito como uma pedra protegida por um grupo de guerreiros chamados de “templeisen”. Anos depois, saberiam que esses indícios que ligavam o graal aos templários era fruto de uma interpretação errônea dos termos encontrados no poema alemão. Contudo, essa vinculação foi tomada como verdade durante um bom tempo.
       No final do século XIX, em meio ao “boom” das descobertas arqueológicas, um grupo de pesquisadores resolveu imitar o fictício Percival, e assim saíram em busca do Santo Graal. Com o início da empreitada, vários “graais” foram encontrados e posteriormente desmascarados. No entanto, a lenda do graal ganhou um novo fôlego com o surgimento de grupos esotéricos que compreendiam o Santo Graal como um conjunto de textos sagrados de profunda importância religiosa.
        A última e mais famosa versão sobre esse mito tenta levantar indícios pelos quais o Santo Graal, na verdade, faria uma truncada menção à expressão “sangue real”. Com base em tal premissa, acreditariam que o sangue real supõe a existência de uma linhagem de descendentes de Jesus Cristo que, segundo outras supostas fontes documentais, teria deixado herdeiros a partir de sua união com Maria Madalena. E assim, a lenda do graal cresce com novas, acalentadoras e instigantes promessas.

 * A DEMANDA DO SANTO GRAAL (SÍNTESE)

     Em torno da “Távola Redonda”, em Cammalot, reino do Rei Arthur, reúnem-se os cavaleiros. É véspera de Pentecostes. Chega uma donzela à Corte e procura por Lancelot do Lago. Saem ambos e vão a uma igreja, onde Lancelot arma Galaaz cavaleiro e regressa com Boorz a Cammalot. Um escudeiro anuncia o encontro de maravilhosa espada fincada numa pedra de mármore boiando n’água. Lancelot e os outros tentam arrancá-la debalde. Nisto Galaaz chega sem se fazer anunciar e ocupa a “seeda perigosa” (cadeira perigosa) que estava reservada para o cavaleiro “escolhido”: das 150 cadeiras, apenas faltava preencher uma, destinada a Tristão. Galaaz vai ao rio e arranca a espada do Pedrão. A seguir, entregam-se ao torneio.
        Surge Tristão para ocupar o último assento vazio. Em meio ao repasto, os cavaleiros são alvoroçados e extasiados com a aérea aparição do Graal (cálice), cuja luminosidade sobrenatural os transfigura e alimenta, posto que dure só um breve momento. Galvão sugere que todos saiam à demanda do Santo Graal.
       No dia seguinte, após ouvirem missa, partem todos, cada qual por seu lado. Daí para frente, a narração se entrelaça, se emaranha, a fim de acompanhar as desencontradas aventuras dos cavaleiros do Rei Arthur, até que, ao cabo, por parecimento ou exaustão, ficam reduzidos a um pequeno número. E Galaaz, em Sarras, na plenitude do ofício religioso, tem o privilégio exclusivo de receber a presença do Santo Vaso, símbolo da Eucaristia, e, portanto, da consagração de uma cidade inteira dedicada ao culto das virtudes morais, espirituais e físicas. 
       A novela ainda continua por algumas páginas, com a narrativa do adulterino caso amoroso de Lancelot, pai de Galaaz, e de D. Guinevere, esposa do Rei Arthur. Tudo termina com a morte deste último. Tal excrescência contém o resumo de outra novela. “A morte do Rei Arthur”, ou “La mort de Le Roi Arthur”, novela francesa do século XIII. Justificaria sua presença como apêndice da “Demanda” o seguinte fato: na intricada selva da matéria cavaleiresca, havia-se formado uma trilogia, intitulada “Lancelot em Prosa”, que continha o “Lancelot”, a “Demanda” e “A morte do Rei Arthur”. Parece evidente que o tradutor português, ao executar sua tarefa, teve diante dos olhos a segunda e a terceira partes do triptico, e resolveu resumir á última, certamente por considerá-la desnecessária à compreensão do núcleo episódico e dramático da “Demanda”. (Massaud Moisés. A literatura portuguesa.)

  2) A LENDA DO REI ARTHUR

      Há duas versões da lenda para a transformação de Arthur em Rei, são elas:

        a) A VERSÃO DA EXCALIBUR:

          Conta essa versão que Uther Pendragon estava sendo perseguido por inimigos que lhe armaram uma emboscada e antes de morrer fincou a sua espada mágica numa pedra e disse que o próximo rei seria quem a retirasse desta pedra. Para satisfazer suas vontades de se transformarem em rei, todos os grandes guerreiros tentaram, e passaram a organizar torneios anuais onde o vencedor receberia a chance de tentar retirar a espada mágica da rocha. Arthur, nessa época, era criado por Ectório e era o seu filho mais novo (de criação) e ele, como acontecia na era medieval, era o Pajem de seu irmão mais velho Cai. Numa dessas batalhas Arthur perdeu a espada de Cai e quando viu a espada encravada na rocha retirou-a e levou-a a seu pai. Neste momento alguns se ajoelharam e outro senhor, Ban da Bretanha, jurou guerra ao bastardo. Começada a guerra, Arthur imobilizou Ban e pediu para Ban jurar fidelidade a ele. Ban disse que não juraria fidelidade a um rei que não tivesse ainda se tornado um cavalheiro de verdade. E Arthur, sem pestanejar disse: "Estás certo meu senhor, faça-me então cavalheiro e jure fidelidade ao seu rei." Diante disso, Ban não acreditando na coragem do jovem, tomou a Excalibur em suas mãos e o cavalheiro jurando-lhe fidelidade diante de todos os seus soldados. Assim, Arthur foi feito rei de toda a grande Bretanha.Guinevere (ou Gwen) ainda era uma moça quando se casou. Ela foi aceita pelo rei que nem mesmo a conhecia; mais por causa do seu dote do que por qualquer outra coisa. Gwen trazia consigo 100 cavalos de guerra pesados e 100 soldados para montá-los. Artur ao vê-la encantou-se, mas o coração de Gwen já era de Lancelot do Lago, o chefe da cavalaria de Arthur. Gwen teve dias felizes em Cammalot e em Tintagel, mas o seu amor proibido fazia com que uma angústia enorme acompanhasse a Rainha da Bretanha. Gwen tornou-se uma mulher fria, calculista e vingativa. Ela deu forças para que Morgana se casasse com um velho rei e fez com que Lancelot tomasse ódio de Morgana. Guinevere tinha muitos ciúmes de Morgana; a rainha era também muito católica e fez com que Arthur trocasse a bandeira do Pendragon pela cruz do Cristianismo e com isso criou o início da decadência do reinado do seu marido. Guinevere mantinha encontros furtivos com seu verdadeiro amor, Lancelot. A figura da rainha é retratada como a mulher que se impõe num regime onde ela não tem vez. Guinevere e Morgana formam a espinha dorsal da trama e desencadeiam todas as histórias que acontecem dentro do reino. Guinevere é exilada mais tarde por Arthur, devido a sua vida "indigna" com Lancelot.
                       (valiteratura.blogspot.com/.../trovadorismo-cantigas-e-prosa-medieval..)                                                                                                                                                     
                                                                                   (continua...)

2 comentários:

  1. Respostas
    1. Obrigada. Quando tiver algo a perguntar é só enviar e terei prazer em auxiliar.

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