SOS LÍNGUA PORTUGUESA

SOS LÍNGUA PORTUGUESA
Tire suas dúvidas. Faça perguntas!!

domingo, 9 de outubro de 2011

LINGUAGEM II

                          QUALIDADES  E  VÍCIOS  DA  LINGUAGEM
  A- Qualidades
        Um texto bem escrito apresenta três aspectos fundamentais: clareza, concisão e correção gramatical.
         1. Clareza - 
 É a qualidade que tem um texto de ser entendido, sem provocar dúvidas ou confusões. 
         2.Concisão - É a característica de um texto de transmitir uma idéia com precisão, mas sem muitas palavras, sem rodeios. Á concisão reflete a capacidad de síntese do autor.
       3.Correção gramatical - É o uso da língua segundo os padrões da norma culta. É a ausência de erros gramaticais. 
Observação:
     Se o texto estiver retratando personagem ou ambiente de baixo nível cultural, os erros gramaticais na fala das personagens adequam-se ao nível cultural delas; não são erros, constituem qualidade de estilo.

B - Vícios ou defeitos
 Dizer que um texto está bem ou mal escrito depende da análise do contexto. Uma palavra grosseira, obscena, quando no contexto de um cortiço, tem a função de retratar a realidade. Errado seria colocar na boca de um ignorante expressões características de erudição e cultura refinada.
    1.
Obscuridade - Diz-se que um texto é obscuro quando está escrito em um estilo que confunde o leitor. É o contrário de clareza.
      2.Prolixidade -   Uso de muitas palavras e muitos volteios para dizer algo. É o uso de mais vocábulos do que o necessário para se comunicar. É o antônimo de concisão.
     
3.Solecismo - São erros de construção sintática. São erros de regência, concordância e colocação.
 * Regência: Ele assistiu o jogo. (“Assistiu ao jogo” é o certo.)
 * Concordância: Faltou na festa os pais. (“Faltaram na festa os pais” é o certo.)
 * Colocação: Disse que amava-me. (“Disse que me amava” é o certo.)
      
 4.Barbarismo - É qualquer desvio que se comete em relação à palavra. São barbarismos: 
 * Estrangeirismos
   Cometeu uma gaffe  (francês) =  Cometeu um engano (português)
   Pediu um roast-beef  (inglês)  = Pediu um rosbife (português)
   Ele queria entrar de sócio (italiano) = Ele queria ser sócio [português)
 * Os erros de pronúncia: pograma (programa),  chipanzé (chimpanzé),  adevogado (advogado)...
  * Os erros de grafia: etinólogo (etnólogo),  adevogado (advogado) largarta ( lagarta)...
 * Os erros de morfologia: se eu pôr (se eu puser),  eu reavi (eu reouve),  eu intervi  (eu intervim)...
 * Os erros de semântica: o réu absorvido (o réu absolvido), o ar absolvido (o ar absorvido),  soou a  camisa (suou a camisa)...
 * Ambigüidade ou anfibologia: duplo sentido:
    O burro do vizinho estava doente.  ( O vizinho burro estava doente?)
    O burro que pertence ao vizinho estava doente.
    O guarda encontrou a menina na sua casa.  (O guarda encontrou a menina na casa dela?)
    (O guarda encontrou a menina na casa dele?)
     
5.Eco - Rima na prosa. Ex.: A informação da premiação causou emoção na multidão.
   Observação: O erro chamado eco acontece quando a rima não é intencional. Na prosa poética podem ser encontradas rimas com finalidade expressiva.
     
6.Cacofonia ou cacófato - Som desagradável ou significado imprevisto que surge a partir da reunião de mais de uma palavra. Ex.: Se eu pudesse, amá-la-ia (a mala ia)   Amo ela (a moela)
     
7.Pleonasmo vicioso -  Retição de uma idéia, por ignorância ou distração.
    Ex.: Deu ré para trás.             Entrou para dentro.         Exportando para fora.
           Monopólio exclusivo.      Hemorragia de sangue.
Observação:  O pleonasmo pode ser um fator de estilo e, nesse caso, chama-se pleonasmo estilístico. Ex.:  “Morrerás morte vil na mão de um forte...” (Gonçalves  Dias)

                                            EXERCÍCIOS
1.Qual o vício de linguagem que se observa na frase: “Eu vi ele não faz muito tempo”?
       a) Solecismo       b) Cacófato       c) Arcaísmo       d) Barbarismo      e) Colisão

2.  Dentre as seguintes frases, assinale aquela que não contém ambiguidade:
a) Encontrei o menino sorrindo.                           c) Uma palavra pode ter mais de um sentido.
b) Ela encontrou a aluna em seu quarto.              d) O menino viu o incêndio do prédio.
                                e) Deputado fala da reunião no Canal 2.

3. Em “Envie-me já o catálogo de vendas”, temos:
       a) Ambiguidade          b) Pleonasmo       c) Barbarismo      d) Colisão       e) Cacófato

4.Assinale a construção em que é feito um reforço inadequado.
a) Vi com os meus próprios olhos.                           c) Bom motorista não o sou.
b) Levantou a alavanca da máquina para cima.        d) Os impostos é bom pagá-los.
                                               e) Nenhuma das anteriores.

                      LÍNGUA   E   ARTE   LITERÁRIA                                                                
                                                                                   
1 - ELEMENTOS DA OBRA LITERÁRIA
     Dois são os elementos fundamentais da obra literária:
   a) o conteúdo (ou fundo): são as idéias, os conceitos, os sentimentos, os apelos e as. imagens imateriais que as palavras transmitem da mente do escritor à do leitor;
     b) a forma: é a expressão linguística, a linguagem escrita ou falada, veículo das idéias e dos sentimentos, sensibilidade, de empolgar o nosso espírito. As obras literárias de alcance universal têm mais valor que as de caráter estritamente nacional ou regional,

                          PROSA - VERSO - POESIA
1) Aspecto formal
    Considerando-se apenas o aspecto formal, você olha um texto e identifica imediatamente se se trata de prosa ou de verso, pois há, entre os dois, uma clara diferença na distribuição espacial das palavras, isto é: 
- o texto em prosa organiza-se em linhas contínuas e tem como unidade básica de composição o parágrafo.
- o texto em versos (que se materializa no poema) faz aproveitamento parcial da linha (o verso) e tem como unidade básica de composição a estrofe.

2) Aspecto de conteúdo

POESIA - ” é um tipo de conteúdo que aparece em textos literários,tendo como características o predomínio da linguagem conotativa, a polivalência das palavras e a expressão de idéias e sentimentos pessoais do  poeta diante de certos aspectos da vida.” A materialização de um texto poético se faz, geralmente, eu forma de poema.

PROSA - é um tipo de conteúdo que procura expressar com mais objetividade a realidade que o autor deseja transmitir; por isso, a prosa usa uma linguagem basicamente denotativa.

OBSERVAÇÃO: Há  textos em verso sem conteúdo poético; por outro lado, há textos poéticos escritos em prosa.

 3) ESTILO
    Estilo é a maneira típica de cada um exprimir seus pensamentos, sentimentos e emoções, através da linguagem.
    Todo escritor tem seu estilo próprio, isto é, sua expressão reveste uma forma característica, através da qual se manifestam seus impulsos emotivos, sua sensibilidade e a feição peculiar de seu espírito. Podemos, pois, afirmar que o estilo é o espelho onde se reflete a alma do escritor, a tela em que se projeta a personalidade do artista.
     Mas, além destas características individuais  que diferenciam os autores uns dos outros, o estilo revela também os traços psicológicos da raça e as tendências dominantes das diversas escolas e correntes literárias que marcaram época através dos tempos. Neste sentido é que dizemos que há um estilo clássico, um estilo barroco, um estilo romântico, um estilo modernista, etc.
      É pelo seu estilo primoroso e brilhante que os grandes artistas da palavra conseguem criar obras de imarcescível beleza,
     No estilo cumpre distinguir o aspecto material ou linguístico  (que são as possibilidades de expressão que a língua oferece ao escritor e que este seleciona a seu gosto e até mesmo recria) e o aspecto psíquico, mental, subjetivo, ou seja, os traços psicológicos do artista, suas tendências, seu modo de ver e julgar a vida e o mundo em que vive. Da fusão desses dois elementos, um externo, outro interno, é que resulta o estilo.

4)  DISCURSO  DIRETO  E  O  INDIRETO
    O discurso é direto quando são as personagens que falam, O narrador, interrompendo a narrativa, põe-nas em cena e cede-lhes a palavra. Exemplo:
      “ -  Por que veio tão tarde? -  perguntou-lhe Sofia, logo que ele apareceu à porta do jardim, em Santa Teresa.
       -  Depois do almoço,  que acabou às duas horas, estive arranjando uns papéis. Mas não é tão tarde assim, continuou Rubião, vendo o relógio; são   quatro horas e meia.       
          -   Sempre é tarde para os amigos, replicou Sofia, em ar de censura.”
                                        (Machado de Assis, Quincas Borba, cap. XXXIV.)

     No discurso direto, indica-se o interlocutor e caracteriza-se-lhe a fala por meio dos verbos de elocução, tais como: dizer, exclamar, suspirar, segredar, explicar, perguntar, responder, replicar, protestar, pedir, prometer, prosseguir, concluir, acrescentar, propor.. Alguns desses verbos traduzem os sentimentos, as emoções e as reações psicológicas das personagens. Os autores modernos usam os verbos de elocução com muita parcimônia. Nas falas breves, convém omiti-los, bastando, para a clareza do diálogo, a abertura de parágrafo e o uso do travessão.
     No discurso indireto não há diálogo, o narrador não põe as personagens a falar diretamente, mas faz-se o intérprete delas, transmitindo ao leitor o que disseram ou pensaram. Exemplo:
    “A certo ponto da conversação, Glória me disse que desejava muito conhecer Carlota e perguntou por que não a levei comigo.” 
                                             (Ciro dos Anjos, Abdias, 4’ cd., pág. 52)  (
           Expresso em discurso direto, o período acima apresentaria a seguinte forma:
        - Desejo muito conhecer Carlota — disse-me Glória, a certo ponto da conversação. Por
                 
         Resultante da mistura dos discursos direto e indireto, existe uma terceira modalidade de técnica narrativa, o chamado discurso indireto livre, processo mais difícil e menos comum, porém de grande efeito estilístico. É uma espécie de monólogo interior das personagens, mas expresso pelo narrador. Este interrompe a narrativa para registrar e inserir reflexões ou pensamentos das personagens, com as quais passa a confundir-se. Exemplos:

    “Quando Eduardo ia para o Grupo, deixava-a debaixo da bacia. Um dia o pai lhe disse que aquilo era maldade: "Gostaria que fizessem o mesmo com você? As galinhas também sofrem." Um domingo, encontrou Eduarda na mesa do almoço, pernas para o ar, assada. Eduarda foi comida entre lágrimas. "É, sofrem, mas todo o mundo come e ainda acha bom.”
                                           (Fernando Sabino, O Encontro Marcado, 5.” cd., pág. 9.)

    Há duas frases (por nós grifadas), embora expressas pelo narrador, que representam discurso direto, as demais são discurso indireto. Assim, o autor usou o chamado discurso indireto livre no parágrafo acima, ao misturar os dois discursos.

                             GÊNEROS LITERÁRIOS

1. GÊNERO LÍRICO
    Líricas eram, na Antiguidade, as composições poéticas feitas para serem cantadas ao som da lira, instrumento musical de cordas,de origem muito remota.
    Hoje o gênero lírico engloba toda.a produção poética centrada no “eu lírico” ou “eu poético”. Exprime sentimentos pessoais, juízos subjetivos, sensações, angústias, reflexões, etc.
    Na Literatura Brasileira, destaca-se a poesia lírica do Romantismo e do Simbolismo, embora haja composições líricas importantes no Barroco, no Arcadismo, no Modernismo e até mesmo no Parnasianismo (que deveria obedecer a uma proposta de poesia impessoal).

2. GÊNERO ÉPICO
  O gênero épico é hoje denominado também de GÊNERO NARRATIVO. Engloba  as composições antiga em versos, destinadas a contar e exaltar fatos  e personagens heróicos; reúne hoje, também, toda espécie de narrativa ficcional moderna: romance, conto, novela e crônica narrativa.
     Na poesia brasileira, podemos citar, como exemplos de poemas épicos,
“O Uraguai”, de Basílio da Gama, e “Caramuru”, de Santa Rita Durão.
    Os romances surgiram na época do Romantismo e hoje podemos encontrá-los sob várias classificações:
- regionalistas , como O Quinze (Rachel de Queirós), Sem Rumo (Cyro Martins);
- sociais, como  Os Ratos (Dyonélio Machado), Vidas Secas (Graciliano Ramos);
- históricos, como Os Sertões (Euclides da Cunha), Videiras de Cristal (Luiz Antônio de Assis Brasil);
reportagem/não-ficção, como O Diário de um Cucaracha ( Henfil),  O que é isso, companheiro? (Fernando Gabeira); 
psicológicos ou intimistas, como O Quarto Fechado (Lya Luft), Verão no Aquário (Lígia Fagundes Telles);
- autobiográficos, como Solo de Clarineta (Érico Veríssimo), Memórias do Cárcere (Graciliano Ramos).

3.GÊNERO  DRAMÁTICO
  Engloba os textos escritos para serem encenados. É o teatro, só considerado literatura enquanto texto, pois, ao ser representado, torna-se arte mista, onde entram expressão corporal, sonoplastia, iluminação, etc.
    O gênero dramático compreende quatro tipos básicos de textos teatrais:
- a tragédia: expressão do teatro clássico, em versos,  suscitando o  terror e a piedade.
- o auto: expressão teatral, também em versos, muito cultivada na Idade Média. Sua principal característica é a função moral e religiosa.
- o drama: substituto da tragédia a partir do Romantismo, focaliza o mundo das relações humanas, atingindo a nossa  realidade próxima;
- a comédia: apresenta o mundo das ações torpes ou ridículas; provoca o riso.

OBSERVAÇÃO:  Alguns consideram a crítica como o quarto gênero literário e aí estariam englobados o ensaio, o artigo, a resenha e a análise de textos.

                                         EXERCÍCIOS
1) Investigando os textos:   A  que  gêneros  pertencem  os  textos  abaixo?
Texto A
Jorge:
  Sábado, às nove horas, nossa turminha vai jogar no campo do “Primavera Clube”. Precisamos de você para defender o nosso gol. Telefone-me esta noite para confirmar.

Texto B
      Uma mulher me disse: “Vem comigo!   Fecha os olhos e sonha, meu amigo!  Sonha um lar, uma doce companheira, que queiras muito e que também te queira.  Um telhado... Um penacho de fumaça...Cortinas muito brancas na vidraça...”

Texto  C
       Em tempos imemoriais havia uma cidade sagrada chamada Tróia, que se viu palco duma guerra famosa. A renhida luta durou dez anos, ao fim dos quais os assaltantes, que eram gregos, valendo-se de um feliz estratagema, ocuparam-na, não deixando pedra sobre pedra, apesar da bravura dos defensores, que tiveram o auxílio de vários povos vizinhos. E tudo se deu por causa do rapto da esposa de um rei grego, praticado pelo filho mais velho do rei de Tróia. A mulher em questão era tida e havida como a mais bela do mundo e o raptor, não contente com a riqueza que levava, carregou ainda quanto ouro e prata encontrou ao alcance da mão.

Texto  D
     (Inicia-se o segundo ato. Trevas. Voz de Alaíde e Clessi ao microfone.)
CLESSI — É impossível que não tenha havido mais coisas.
ALAÍDE (impaciente com a própria memória) — Mas não me lembro, Clessi. Estou com a memória  tão  ruim!...
CLESSI — Olha, Alaíde. Antes de sua mãe entrar, quando você pediu o bouquet, tinha alguém lá? Sem ser Pedro?
ALAÍDE (desorientada) — Antes de mamãe entrar?                                                                                                          
CLESSI - Sim. Tinha que ter mais alguém. Já disse— uma noiva nunca fica tão abandonada na hora de vestir!

Texto  E
     Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.
    Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário