SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

QUESTÕES SOBRE LITERATURA PORTUGUESA

1- VUNESP-SP) O racionalismo é uma das características mais freqüentes da literatura   clássica portuguesa. A logicidade do pensamento quinhentista repercutiu no rigor formal de seus escritores, e no culto à expressão das “verdades eternas”, sem que isto implicasse tolhimento da liberdade imaginativa e poética. Com base nestas observações, releia os dois textos apresentados e
 a) aponte um procedimento literário de Camões que comprove o rigor formal do classicismo;
 b) indique o dado da passagem bíblica que, por ter sido omitido por Camões, revela a prática da liberdade poética e confere maior carga sentimental ao seu modo de focalizar o mesmo episódio.

2. (VUNESP-SP) Em certos contextos, a anteposição do adjetivo ao substantivo costuma revelar traços de afetividade do emissor em relação aos objetos e seres referidos. Damos como exemplo o título de um famoso romance de Lima Barreto: Triste fim de Policarpo Quaresma. Com base nestes comentários:
a) localize no poema de Camões um procedimento que se relacione ao  mencionado fato estilístico;
b) interprete o efeito semântico dado pela antecipação do adjetivo, no exemplo que você localizou no item a.

3. (VUNESP-SP) Nos seis últimos versos do poema, Camões, atendendo a necessidades de ritmo e rima, utiliza-se de variantes alternativas de emprego dos tempos e modos verbais. Com o refinamento de um poeta maior, alcança plena eficácia poética. Levando em consideração estes comentários:
a) aponte duas passagens, nos tercetos referidos, nas quais o poeta empregou o pretérito mais- que-perfeito do indicativo, quando poderia ter-se utilizado de forma verbal em outro tempo ou modo;
b) reescreva essas passagens, empregando os verbos de acordo com o uso cotidiano da língua portuguesa.

       As Origens — A Literatura Portuguesa do Século XI ao XVI

1. “...Bertoleza, crioula trintona, escrava de um velho  cego residente em Juiz de Fora e  amigada com um português que tinha uma carroça de mão e fazia fretes na cidade:
    O fragmento acima pertence ao romance O cortiço, Aluísio Azevedo. Em que sentido o autor utilizou  a palavra amigada? É o mesmo sentido da palavra amigo empregada nas cantigas medievais?

2.FUVEST-SP) “Coube ao século XIX a descoberta surpreendente da nossa primeira época lírica. Em 1904, com a edição crítica e comentada do Cancioneiro da Ajuda, por Carolina Michaëlis de Vasconcelos, tivemos a primeira grande visão de conjunto do valiosíssimo espólio descoberto.” (Costa Pimpão)
a) Qual é essa “primeira época lírica” portuguesa?
b) Que tipos de composições poéticas se cultivavam nessa época?

3.(VUNESP-SP) Leia e observe com atenção a composição seguinte:
                                        “Ay flores, ay flores do verde pinho,
                                          se sabedes novas do meu amigo!
                                                   ay Deus, e u é?
                                          Ay flores, ay flores do verde ramo,
                                          se sabedes novas do meu amado!
                                                   ay Deus, e u é?
                                          Se sabedes novas do meu amigo,
                                          aquel que mentiu do que pôs comigo!
                                                    ay Deus, e u é?
                                          Se sabedes novas do meu amado,
                                          aquel que mentiu do que nh’ á iurado!
                                                     ay Deus, e u é?”

       A composição anterior, parcialmente transcrita, pertence à lírica medieval da Península Ibérica. Ela tem autor conhecido, arte poética própria e características definidas do lirismo trovadoresco, podendo-se ainda descobrir o nome pelo qual composições idênticas são conhecidas.
Em uma das alternativas indicadas acham-se todos os elementos que correspondem àquelas informações.
a)O autor é Paio Soares de Taveirós. Destacam-se o paralelismo das estrofes, a alternância vocálica e o refrão. O poeta pergunta pelo seu amigo.
b) O autor é Nuno Fernandes Torneol. Destaca-se o refrão como interpelação à natureza. Trata-se de uma cantiga de amigo.
c) O autor é el-rei D. Dinis. Destacam-se o paralelismo das estrofes, a alternância vocálica e o refrão. O poeta canta na voz de uma mulher e pergunta pelo amado, porque é uma cantiga de amigo.
d) O autor é Fernando Pessoa. Destaca-se a alternância vocálica. Trata-se da teoria do fingimento, que já existia no lirismo medieval.
e) O autor é Martim Codax. Destaca-se o ambiente campestre. O poeta espera que os pinheiros respondam à sua pergunta.

4.(F. Objetivo-SP) Seu teatro caracteriza-se, antes de tudo, por ser primitivo, rudimentar e popular, muito embora tenha surgido e se tenha desenvolvido no ambiente da corte, para servir de entretenimento nos animados serões oferecidos pelo rei. Entre suas obras destacam-se Monólogo do vaqueiro, Floresta de enganos, O velho da horta, Quem tem farelos?. Trata-se de:
 a)Martins  Pena     b)José de Alencar   c) Gil  Vicente    d) Artur Azevedo    e) Sá de Miranda

5.Aponte a alternativa correta  em  relação  a Gil Vicente:
a) Compôs peças de caráter sacro e satírico.        
b) introduziu a lírica trovadoresca em Portugal.
c) Escreveu a novela Amadis de Gaula.               
d) Só escreveu peças em português.
e) Representa o melhor do teatro clássico português.

6. (UM-SP) Assinale a alternativa em que se encontra uma afirmação incorreta sobre a obra de Gil Vicente.
a) Sofre influência de Juan del Encina, principalmente no teatro pastoril de sua primeira fase.
b) Seus personagens representam tipos de uma vasta galeria de estratos da sociedade portuguesa daépoca.
c) Por viver em pleno Renascimento, apega-se aos valores greco-romanos, desprezando os princípios da Idade Média.
d) Um dos maiores valores de sua obra é ter contrabalançado uma sátira contundente como pensamento cristão.
e) Suas obras-primas, como a Farsa de Inês Pereira, são escritas na terceira fase de sua carteira, período de maturidade  intelectual.

7. (FUVEST-SP) Caracteriza o teatro de Gil Vicente:
a) a revolta contra o cristianismo.                               
b) a obra escrita em prosa.  
c) a elaboração requintada dos quadros e cenários apresentados.     
d) a preocugação como homem e com a religião.
e) a busca dos conceitos universais.

8.(UM-SP) Assinale a alternativa incorreta a respeito da obra de Gil Vicente.
a) Embora servisse para o entretenimento da corte, seu teatro caracteriza-se por ser primitivo, rudimentar e popular.
b) Algumas de suas peças têm caráter misto, de oscilante classificação, como o Auto dos quatro tempos.
c) Apresenta-se como traço de união entre a Idade Média e a Renascença.
d) Ao lado da sátira, encontram-se elevados valores cristãos.
e) Aprofunda-se nos valores clássicos, seguindo rigidamente os padrões do teatro grego.

9. (VUNESP-SP) “Então se despediu da Rainha, e tomou o Conde pela mão, e saíram ambos da câmara a uma grande casa que era diante, e os do Mestre todos com ele, e Rui Pereira e Lourenço Martins mais acerca. E chegando-se o Mestre com o Conde acerca duma fresta, sentiram os seus que o Mestre lhe começava a falar passo, e estiveram todos quedos. E as palavras foram entre eles tão poucas, e tão baixo ditas, que nenhum por então entendeu quejandas eram. Porém afirmam que foram desta guisa:
— Conde, eu me maravilho muito de vós serdes homem a que eu bem queria, e trabalhardes-vos de minha desonra e morte!
— Eu, Senhor? disse ele. Quem vos tal cousa disse, mentiu-vos mui grã mentira.
O Mestre, que mais tinha vontade de o matar, que de estar com ele em razões, tirou logo um cutelo comprido e enviou-lhe um golpe à cabeça; porém não foi a ferida tamanha que dela morrera, se mais não houvera. Os outros todos, que estavam de arredor, quando viram isto, lançaram logo as espadas fora, para lhe dar; e ele movendo para se acolher à câmara da Rainha, com aquela ferida; e Rui Pereira, que era mais acerca, meteu um estoque de armas por ele, de que logo caiu em terra, morto.
Os outros quiseram-lhe dar mais feridas, e o Mestre disse que estivessem quedos, e nenhum foi ousado de lhe mais dar.”
O texto transcrito acima é de Fernão Lopes e pertence à Crônica de D. João L
As crônicas de Fernão Lopes caracterizam-se por tentarem reproduzir a verdade histórica como se esta tivesse sido testemunhada. Por outro lado, é com Fernão Lopes que a lingua portuguesa inicia o percurso da sua modernidade.
        Nestes termos, assinale, nas alternativas abaixo indicadas, a que melhor caracteriza o trecho transcrito da Crônica de D. João I.
a) Narração realista e dinâmica que quase nos faz visualizar os acontecimentos.
b) Fidelidade absoluta aos acontecimentos históricos.
c) Utilização de urna linguagem elevada, de acordo com a reprodução dos fatos históricos.
d) Preocupação em mencionar os nomes de todas as pessoas presentes à morte do Conde.
e) Exaltação do feito heróico do Mestre  ao matar o inimigo do Reino.

10.                           O poeta
             “Este, de sua vida e sua cruz
               uma canção eterna solta aos ares.
               Luís de ouro vazando intensa luz
               por sobre as ondas altas dos vocábulos.”

       Nestes versos de Carlos Drummond de Andrade destacam-se dois sentidos para a navegação do Luís Quais são?

11. O professor  Hernani Cidade, na abertura de seu livro A literatura portuguesa e a expansão ultramarina, narra o seguinte episódio:
“Quando os nautas do Gama desembarcaram em  Calecute, foi um deles interrogado sobre os motivos da viagem, e consta que respondeu:
— Viemos buscar cristãos e especiarias. Dava o marinheiro, na singeleza da resposta, a completa finalidade dos objetivos: a mistura, bem humana, da ganância comercial com o proselitismo religioso.”

Relacione a resposta do marinheiro português com o momento histórico que marcou a viagem de Vasco da Gama às Índias (1497-1499).

12. Camões distinguiu-se, na literatura portuguesa, entre outras razões:
      a) por ter sido o primeiro escritor clássico de Portugal.
      b) por ter sido o maior caricaturista da sociedade portuguesa do século XVI.
      c) por ter criado o teatro popular.
      d) por ter escrito a melhor interpretação poética dos valores espirituais, morais e cívicos que distinguiam a civilização portuguesa.

13. Na proposição de Os Lusíadas, Camões afirma que vai cantar:
       a) as navegações de Grécia e Tróia.             
       b) o que a musa antiga canta.
       c) as obras valorosas dos antigos romanos.  
      d) as guerras, as navegações, a história dos reis e dos homens ilustres portugueses.

14. (FESL-SP) Em Os Lusíadas, Camões:
      a) narra as viagens de Vasco da Gama às Índias.
      b) tem por objetivo criticar a ambição dos navegantes portugueses que abandonam a pátria à mercê dos inimigos para buscar ouro e glória em terras distantes.
      c) afasta-se dos modelos clássicos, criando a epopéia lusitana, um gênero inteiramente original na época.
      d) lamenta que, apesar de ter dominado os mares e descoberto novas terras, Portugal acabe subjugado pela Espanha.
      e) tem como objetivo elogiar a bravura dos portugueses e o faz através da narração dos episódio valorosos da colonização brasileira.

15.(FUVEST-SP) Na Lírica de Camões:
a) o metro usado para a composição dos sonetos é a redondilha maior  
b) encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos.
c) cantar a Pátria é o centro das preocupações.
d) encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX.
e) a Mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada & espiritualidade.

As questões 16 e 17 referem-se ao fragmento:
                                            “Converte-se-me a carne em terra dura;
                                           Em penedos os ossos se fizeram;
                                           Estes membros que vês a esta figura
                                           Por estas longas águas se estenderam,
                                           Enfim, minha grandíssima estatura
                                           Neste remoto cabo converteram
                                           Os deuses; e, por mais dobradas mágoas,
                                            Me anda Tétis cercando destas águas.”

16. (ESANSP-SP) Tem-se a figura do Gigante Adamastor criada pelo poeta:
      a) português, Luis de Camões, em Os Lusíadas.
      b) brasileiro, Basílio da Gama, em O Uraguai.
      c) português, P° Antônio Vieira, em Sermão da Sexagésima.
      d) brasileiro, Mário de Andrade, em Macunaíma.                               e) n.d.a.

17. (ESANSP-SP) A figura da retórica que compõe o texto é:
      a) metáfora: “consiste na transferência do nome de um elemento para outro, em vista de uma relação de  semelhança entre ambos”.
      b) prosopopéia: “atribui vida, ou qualidades humanas, a seres inanimados, irracionais, espécie de animismo”.
      c) paronomásia: vocábulos semelhantes na forma, mas opostos ou aparentados no sentido.
      d) metonímia: emprego de um vocábulo por outro, com o qual estabelece uma constante e lógica relação de  contiguidade.
      e) sinédoque: designa-se o mais restrito pelo mais extenso, ou seja, a espécie pelo gênero, a parte pelo todo.

18. (E C. Chagas-BA) “Nem cinco sóis eram passados que de vós nos partíramos, quando a mais temerosa desdita pesou sobre nós. Por uma bela noite dos idos de maio do ano translato, perdíamos a muiraquitã; que outrem grafara muraquitã, e alguns doutos, ciosos de etimologias esdrúxulas, ortografam muyrakitan e até mesmo muraquéitã, não sorriais!”
         Neste fragmento da “Carta pras Icamiabas”, em Macunaíma, de Mário de Andrade, encontramos:
      a) uma paródia do estilo clássico lusitano.                        
      b) um elogio à eloqüência dos parnasianos.
      c) a valorização da linguagem utilizada pela estética do século XVIII.
      d) uma apologia do estilo pretensioso e da oratória  vazia de conteúdo.
      e) uma sátira aos romances indianistas do século XIX.

19. (FUVEST-SP)
                                       “No mar, tanta tormenta e tanto dano,
                                         Tantas vezes a morte apercebida;
                                         Na terra, tanta guerra, tanto engano,
                                         Tanta necessidade aborrecida!
                                         Onde pode acolher-se um fraco humano,
                                         Onde terá segura a curta vida,
                                         Que não se arme e se indigne o Céu sereno
                                         Contra um bicho da terra tão pequeno?”

Nessa estrofe, Camões:
a) exalta a coragem dos homens que enfrentam os perigos do mar e da terra.
b) considera quanto o homem deve confiar na providência divina que o ampara nos riscos e adversidades.
c) lamenta a condição humana ante os perigos, sofrimentos e incertezas da vida.
d) propõe uma explicação a respeito do destino do homem.
e) classifica o homem como um bicho da terra, dada a sua agressividade.

20.Ainda quanto ao texto da questão anterior:
a) Qual a relação estabelecida pelo Poeta entre o homem e o Céu?
b) Haverá um lugar “onde o homem terá segura sua curta vida”?

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