SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

LITERATURA PORTUGUESA (continuação 2)

III-O  CLASSICISMO  PORTUGUÊS   (ESPLENDOR  E  DECADÊNCIA  DE  PORTUGAL) -  1527 – 1580
   
1-CONTEXTO    
   HISTÓRICO

. Século XVI =  período áureo da arte e particularmente da literatura portuguesa: maravilhosa arquitetura manuelina (do reinado de D. Manuel),  produção do humanista Gil Vicente  e  de Luís de Camões, expressão máxima do Renascimento.
. A língua portuguesa   assume contornos definidos, iniciando-se o período do português moderno.
. Final desse mesmo século XVI: Portugal conhece uma grande derrocada econômica.
. 1580: ocorre a unificação da Península Ibérica sob o domínio espanhol,fato que marca o fim do Classicismo quinhentista e o início do Barroco, sob a influência espanhola.
2.MARCO  
   INICIAL
. A volta de Francisco Sá de Miranda a Portugal, após seis anos na Itália, de onde traz novos  conceitos de arte e poesia, conhecidos como dolce  stil  nuovo (“doce estilo novo”).
3.O  RENASCIMEN-
   TO  ITALIANO
. Os italianos do século XIV acreditavam que  lhes cumpria a missão de ajudar a reviver o glorioso passado das artes, ciências e cultura  do  período  clássico e todas,  pois essas coisas tinham sido destruídas pelos bárbaros do Norte. Portanto precisavam inaugurar uma nova era. 
. Florença, berço de Dante e de Giotto, uma cidade de mercadores: nas primeiras décadas do século XV, um grupo de artistas se dispôs deliberadamente a criar uma nova arte e a romper com as idéias do passado.
* Fatores que geraram o Renascimento
. Plano econômico: o renascimento comercial reativou o intercâmbio cultural entre Ocidente e Oriente, configurando-se como o principal fator do renascimento cultural.
 . Plano social: a urbanização gerava as condições de uma nova cultura, sendo as cidades o pólo de irradiação do Renascimento,ascensão social e econômica da burguesia propiciava apoio e financiamento ao desenvolvimento da nova cultura.
 . Plano intelectual: a retomada dos estudos das obras clássicas greco-romanas foi de grande importância, graças aos mosteiros medievais, que preservaram em suas bibliotecas muitas dessas obras, protegendo-as da destruição pelos bárbaros no período das invasões.
  . Aperfeiçoamento da imprensa, atribuído a Gutenberg, teve importância no século final do Renascimento (século XVI.
4  .O   RENASCIMEN-TO  EM   PORTUGAL
 . Fim do monopólio clerical sobre a cultura,  filhos dos burgueses  começam a freqüentar universidades, conhecendo uma cultura desligada dos conceitos medievais.  A nova realidade econômica da Europa exige uma nova cultura, mais liberal, antropocêntrica, identificada com o mercantilismo.
 . Em Portugal, o momento histórico é propício aos novos ventos que sopram da Itália. No final do século XV (1487) é  introduzida a imprensa em Portugal, possibilitado a divulgação das obras de autores humanistas italianos, Dante Alighieri, Francesco Petrarca e Giovanni Boccaccio.
  . Autores portugueses de forte inclinação humanista: historiadores João de Barros,Fernão Mendes Pinto; autores tipicamente renascentistas Sá de Miranda, o Ferreira (autor da tragédia A Castro) e Luís de Camões.
              * A   expansão   marítima
   . Os  Portugueses dos séculos XV e XVI provaram pela experiência e pela dedução científica: o oceano Atlântico  era navegável e estava livre de monstros;  o mundo  equatorial era habitável e habitado; que era possível  navegar  sistematicamente longe da costa e conseguir perfeita orientação pelo Sol e pelas estrelas; a África tinha  uma  ponta meridional e existia um caminho marítimo  para a Índia; as pseudo-Índias descobertas por Colombo eram, na realidade, um novo continente separando a Europa da Ásia Oriental e as três Américas iam um bloco territorial contínuo;  a América  tinha uma ponta meridional como a  África e havia um outro caminho marítimo para a Índia por ocidente; os três oceanos comunicavam entre si;  a  Terra era redonda e circunavegável.

5.CARACTERÍSTICAS
    DO  CLASSICISMO
. Característica principal na literatura e em outras artes é a imitação dos modelos da Antigüidade clássica greco-romana:  retomada da mitologia pagã e pela perfeição estética, marcada pela pureza de formas. Platão, Homero, Virgílio e outros mestres servem de modelo, seus valores são eternos e absolutos.
  . Formas poéticas de inspiração clássica passam a ser utilizadas: o soneto, a ode, a elegia, a écloga e a epopéia, esta última segundo os modelos de Homero (Ilíada e Odisséia) e de Virgílio (Eneida). Essas formas são fixas e sujeitas a determinadas regras.
 .Métrica: introduzida a medida nova (versos decassílabos), já cultivada pelos italianos Dante Alighieri e Francesco Petrarca.
 . Os temas poéticos são vários: a reflexão moral, a filosofia e a política, além do lirismo amoroso.
6.LUÍS  VAZ  DE       
   CAMÕES
   . Vida pontilhada de dúvidas: data provável de  nascimento  1524. Teria freqüentado a Universidade de Coimbra e servido como militar no norte da África, onde, em combate, perdeu o olho direito. Com certeza, em 1550 vivia em Lisboa e frequentava a Corte; em 1552 foi preso por ter agredido um oficial do rei e  em 1553, indo direto para o exílio, vivendo por 17 anos nas colônias portuguesas da África e da Ásia, chegando a morar em Macau, colônia portuguesa na China.
    . Retorna a Portugal em 1570, após a morte de D. João III, já com Os Lusíadas terminados: em 1572  é  publicada a primeira edição do poema. D. Sebastião, rei de Portugal, a quem havia sido dedicado  o  poema concede-lhe uma pensão de 15 mil réis por ano, quantia que o poeta recebe sem regularidade.  Morre  na  miséria  em 10 de junho de 1580, sendo enterrado como indigente, em vala comum.
 . Sua  obra é composta de poesias líricas, uma poesia épica, três peças para teatro e algumas cartas.
                   *  Camões lírico
. É tradicionalmente considerado o maior poeta lírico português, com uma poesia lírica marcada por  uma  dualidade: ora são textos de nítida herança da tradicional poesia portuguesa (escritos em  redondilhas); ora são poesias perfeitamente enquadradas no estilo novo do Renascimento (os belíssimos e famosos sonetos camonianos).
. Entre os temas recorrentes na poesia camoniana,   merecem destaque:
  • O Amor —um dos temas mais ricos da lírica camoniana, ora visto como ideia (neoplatonismo), ora como manifestação de carnalidade. Por vezes, o amor é concebido de forma idealizada, recorrendo o poeta a constante adjetivação para descrever sua amada: um ser superior, angelical, perfeito. Em outros momentos, talvez inspirado em sua experiência concreta, sua vida atribulada, Camões canta um amor terreno, carnal, erótico (é o culto a Vênus, que aparece em inúmeras poesias líricas e em Os Lusíadas). A impossibilidade de obter uma síntese desses dois amores se revela algumas vezes pelo uso abusivo de antíteses.
    . O  “desconcerto do mundo” — um dos temas que mais perturbaram o poeta português, manifestando-se em poemas sobre as injustiças, a recompensa aos maus e o castigo aos bons; a ambição e a inútil  tentativa de guardar bens que acabam no nada da morte; os sofrimentos constantes que aniquilam as prováveis conquistas; enfim, o conflito violento entre o ser e o dever ser.
       * Camões épico — Os Lusíadas
.  Publicado em 1572, Os Lusíadas é considerado o maior poema épico da língua portuguesa; evidentemente, não pelos 8.816 versos decassílabos distribuídos em 1.102 estrofes de oito versos cada, mas por seu valor poético e histórico.
7.OS  LUSÍADAS
 • Herói — o herói de Os Lusíadas é todo o povo português (do qual Vasco da Gama é digno representante). O poeta afirma que vai cantar “as armas e os barões assinalados” que navegaram “por mares nunca dantes navegados”. Ou seja, todo o povo lusitano navegador que enfrenta a morte pelos mares desconhecidos.Mas considerando-se o papel desempenhado por Vasco da Gama no poema, poderíamos afirmar, sim, que ele é o herói de Os Lusíadas. Conciliando as duas idéias, podemos afirmar que o poema apresenta um herói coletivo, que é todo o povo português, individualizado na figura de Vasco da Gama, que seria assim o herói individual.
  • Tema — o poeta deixa expresso o tema da epopéia já nas duas primeiras estrofes: a glória do povo navegador português, que “entre gente remota edificaram / Novo Reino que tanto sublimaram”, isto é, os navegadores que conquistaram as Índias e edificaram o Império Português no Oriente, bem como as memórias  dos reis portugueses que tentaram ampliar o Império: “E também as memórias gloriosas / Daqueles reis que  foram dilatando / A Fé, o Império..”. Portanto, as conquistas de Portugal, as glórias dos navegadores, os reis do passado; em outras palavras, a história de Portugal.
        * A estruturo de Os Lusíadas:
 Os dez cantos que formam o poema estão distribuídos em cinco partes, como se verifica em todas as epopéias clássicas. São elas:
  • Proposição — é a apresentação do poema, com destaque para o tema e o herói. Abrange três estrofes.
   . Invocação — o poeta pede inspiração ás Tágides, ninfas do rio Tejo, para que lhe dêem um “engenho ardente” e “um som alto e sublimado, um estilo grandíloquo”, ou seja, o absoluto domínio da arte poética. A invocação inicial é feita em duas estrofes.
    . Dedicatória — o poema é dedicado a D. Sebastião, rei de Portugal à época da publicação do poema. A Dedicatória se estende por treze estrofes.
   • Narração — é a longa parte narrativa, em que o poeta desenvolve o tema contando os episódios da viagem de Vasco da Gama e a história de Portugal. Estende-se por 1.072 estrofes, que vão do Canto 1 ao Canto X.
   • Epílogo — é o fecho do poema, abrangendo as últimas doze estrofes do Canto X; nele, o poeta se mostra triste, abatido, desiludido com a Pátria, que não merece mais ser cantada.

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