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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

O CONTO CONTEMPORÂNEO; RUBEM FONSECA


Características:
- Narrativa de modo fragmentado, mistura, de presente e passado;
- Atmosfera abstrata, fantástica e mitológica;
- Microvisão do mundo real ou imaginário do narrador.

1.RUBEM  FONSECA

José Rubem Fonseca (Juiz de Fora11 de maio de 1925) é um contistaromancistaensaísta e roteirista brasileiro. Ele precisou publicar dois ou três livros para ser consagrado como um dos mais originais prosadores brasileiros contemporâneos. Com suas narrativas velozes e sofisticadamente cosmopolitas, cheias de violência, erotismo, irreverência e construídas em estilo contido, elíptico, cinematográfico, reinventou entre nós uma literatura noir, ao mesmo tempo clássica e pop, brutalista e sutil.
    É formado em Direito, tendo exercido várias atividades antes de dedicar-se inteiramente à literatura. Em 2003, venceu o Prémio Camões[1], o mais prestigiado galardão literário para a língua portuguesa.
Biografia
    Rubem Fonseca nasceu em Juiz de ForaMinas Gerais, em 1925. É filho de portugueses transmontanos, emigrados para o Brasil. Reside desde a infância no Rio de Janeiro.
    Graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade Nacional de Direito da então Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Em 31 de dezembro de 1952 iniciou sua carreira na polícia, como comissário, no 16º Distrito Policial, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Muitos dos fatos vividos naquela época e dos seus companheiros de trabalho estão imortalizados em seus livros.    
   Aluno brilhante da Escola de Polícia, não demonstrava, então, pendores literários. Ficou pouco tempo nas ruas. Foi, na maior parte do tempo em que trabalhou, até ser exonerado em 6 de fevereiro de 1958, um policial de gabinete. Cuidava do serviço de relações públicas da polícia.
   Na Escola de Polícia destacou-se em Psicologia. Em julho de 1954 recebeu uma licença para estudar e depois dar aulas desta disciplina na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.
   Contemporâneos de Rubem Fonseca dizem que, naquela época, os policiais eram mais juízes de paz, apartadores de briga, do que autoridades. Rubem Fonseca via, debaixo das definições legais, as tragédias humanas e conseguia resolvê-las. Nesse aspecto, afirmam[, ele era admirável. Escolhido, com mais nove policiais cariocas, para se aperfeiçoar nos Estados Unidos, entre setembro de 1953 e março de 1954, aproveitou a oportunidade para estudar administração de empresas na New York University. Após sair da polícia, Rubem Fonseca trabalhou na Light até se dedicar integralmente à literatura.
    Reconhecidamente uma pessoa que, como Dalton Trevisan, adora o anonimato, é descrito por amigos como pessoa simples, afável e de ótimo humor.
    As obras de Rubem Fonseca geralmente retratam, em estilo seco e direto, a luxúria e a violência urbana, em um mundo onde marginais, assassinos, prostitutas, miseráveis e delegados se misturam. A história através da ficção é também uma marca de Rubem Fonseca, como nos romances Agosto (seu livro mais famoso) em que retratou as conspirações que resultaram no suicídio de Getúlio Vargas, e em O Selvagem da Ópera em que retrata a vida de Carlos Gomes, ou ainda A Cavalaria Vermelha, livro de Isaac Babel retratado em Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos.
    Criou, para protagonizar alguns de seus contos e romances, um personagem antológico: o advogado Mandrake, mulherengo, cínico e imoral, além de profundo conhecedor do submundo carioca. Mandrake foi transformado em série para a rede de televisão HBO, com roteiros de José Henrique Fonseca, filho de Rubem, e o ator Marcos Palmeira no papel-título.
    É viúvo de Théa Maud e tem três filhos: Maria Beatriz, José Alberto e o cineasta José Henrique Fonseca.
Obras
Romances
O Caso Morel (1973)
A grande arte (1983)
Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos (1988)
Agosto (1990)
E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto (1997)
Diário de um Fescenino (2003)
Mandrake, a Bíblia e a Bengala (2005)
O Seminarista (2009)
José (2011)
Contos
.Os prisioneiros (1963
A coleira do cão (1965)
O homem de fevereiro ou março (1973)
O cobrador (1979)
Romance negro e outras histórias (1992)
O buraco na parede (1995)
Histórias de amor (1997)
A confraria dos espadas (1998)
Secreções, excreções e desatinos (2001)
Pequenas criaturas (2002)
64 Contos de Rubem Fonseca (2004)
Ela e outras mulheres (2006)
Axilas e Outras Histórias Indecorosas (2011)
Amálgama (2013)
Histórias Curtas (2015)
Outros
O romance morreu (crônicas, 2007)
Prêmios
Coruja de Ouro pelo roteiro de Relatório de um homem casado, filme dirigido por Flávio Tambellini
Kikito do Festival de Gramado, pelo roteiro de Stelinha, dirigido por Miguel Faria Jr.
Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte pelo roteiro de A grande arte, filme dirigido por Walter Salles Jr.
1970 - Categoria "Contos/Crônicas/Novelas", pelo livro Lucia McCartney
1984 - Categoria "Romance", pelo livro A Grande Arte
2002    - Categoria "Contos/Crônicas/Novelas", pelo livro Buraco na Parede
2003- Categoria "Contos e Crônicas", pelo livro Secreções, Excreções e Desatinos
2003- Categoria "Contos e Crônicas", pelo livro Pequenas Criaturas
2014    - Categoria "Contos e Crônicas", pelo livro Amálgama
Prêmio Camôes (2003)
Correntes de Escrita (2012) - Póvoa de Varzim – Portugal
Prêmio Machado de Assis (2015) - Concedido pela Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra

                          ALGUMAS OBRAS DE RUBEM FONSECA
Literatura policial, investigação sobre os limites do desejo, experimento narrativo. O primeiro romance de Fonseca parece um jogo de espelhos, em que os personagens se desdobram em dois, e também a história e o próprio narrador se dividem, sem que saibamos quais são os originais e quais são os reflexos.
Em sua obra mais recente, Rubem Fonseca escreveu quarenta histórias, em que trata de assuntos já recorrentes, como a velhice, a gordura e todo tipo de decadência humana, mas agora com uma ênfase especial na loucura
Aqui residem todos os elementos clássicos de Rubem: o erotismo, a violência, a velocidade narrativa e o clima noir. Uma narrativa que se desenha ao longo dos contos e, ineditamente, das poesias. Personagens e situações unidos pela tristeza, pela dor, pela raiva, pelo fracasso, pela ternura e pelo amor, um verdadeiro amálgama de vidas que se constroem e se destroem num instante.
O livro apresenta o personagem Mandrake, advogado charmoso e de prestígio, que se envolve em uma misteriosa trama no submundo carioca e no deserto boliviano ao juntar-se a um matador profissional, especialista em facas, na tentativa de desvendar o misterioso assassinato de uma prostituta.
Mais conhecido por ter sido minissérie na TV Globo. 1º de agosto de 1954, Rio de Janeiro, capital da República. No plano ficcional, o comissário ALBERTO MATTOS  investiga um assassinato ocorrido no Edifício Deauville, em que um famoso empresário foi morto no dia 12 de agosto de 1954. No plano real e histórico, destaca o Crime da Rua Toneleros, .tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda (inimigo declarado do presidente Getúlio Vargas), em que morreu seu segurança pessoal, o major da Aeronáutica Rubem - Vaz, e todo o consequente escândalo político da época. O autor entrelaça os dois planos através de personagens fictícios que se relacionam com os reais.

Um livro que mescla as aventuras de uma investigação de assassinato com as dificuldades de um escritor em desenvolver a sua arte, inclusive sendo adaptado pelo cinema nacional. O personagem principal é Ivan Canabrava, detetive da Companhia Panamericana de Se-guros. Ele investiga o caso de um fazendeiro que morreu pouco após fazer um seguro de um milhão de dólares. Bufo & Spallanzani é um romance repleto de citações de e sobre outros autores e livros, além de muitas digressões sobre a arte de escrever narrativas

Uma reunião de contos repletos de violência com uma linguagem precisa e contundente que veio a se tornar a mais significativa marca autoral do escritor. Uma dura crítica social numa obra que há quase quatro décadas se mantém atual e relevante, mostrando o motivo pelo qual Rubem Fonseca se tornou inigualável.
Terceiro livro de Rubem Fonseca. São dezenove histórias que têm o vigor das manchetes de jornais e a consagrada verve ficcional de Rubem Fonseca.
Com histórias carregadas de mistério e suspense, Rubem Fonseca dá vida a personagens enigmáticos, diferentes dos anteriores, que expressavam suas angústias com violência física, motivo pelo qual sua literatura foi chamada de “brutalista” por Alfredo Bosi. Em Romance negro e outras histórias há um fio condutor sombrio, um sentimento de desilusão e de aceitação dos fatos que percorre os contos como uma espinha dorsal.

Diário de um fescenino
Rufus, um escritor de sucesso, carioca e solteirão decide se aventurar a escrever algo que afirma que nunca publicaria: um diário em que registra suas aventuras amorosas com diversas mulheres. Diário de um fescenino, palavra que define algo de caráter obsceno e devasso, promove uma reflexão sobre as relações erótico-afetivas e também sobre o processo de criação literária.

A Coleira do Cão
As oito histórias desse volume são consideradas pela crítica o segundo degrau na construção de uma das obras literárias mais complexas e ricas de nosso tempo, que põe cada leitor diante de sua própria imagem em meio à beleza e à violência do mundo... 

 O Cobrador
 Publicado em 1979, era aguardado não apenas por ser o quinto livro de contos de Rubem Fonseca, já então considerado um dos mais importantes e inovadores escritores do gênero no Brasil. Era também o primeiro livro após Feliz ano novo, de 1975, ter sido recolhido por ordem da censura, sob a alegação de ter conteúdo contrário à "moral e aos bons costumes"... 

O Seminarista
Ex-seminarista que vive lembrando frases latinas, o matador de aluguel José gosta de ler poesia e de assistir filmes, e recebe os serviços de um personagem misterioso chamado Despachante. Disposto a iniciar uma vida nova, ele começa a receber dicas de que seria alvo de um antigo cliente... 

Os Prisioneiros
O livro marca a estreia de Rubem Fonseca como autor, em 1963. Ele foi saudado pelo crítico Wilson Martins como "um escritor que traz a literatura no sangue". Com domínio da escrita, inaugurava uma nova maneira de fazer literatura no Brasil, ao falar do homem da metrópole com seus vícios e virtudes.


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