SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O ROMANCE CONTEMPORÂNEO: LYA LUFT

2.LYA  LUFT

Lya Fett Luft (Santa Cruz do Sul, 15 de setembro de 1938) é uma escritora e tradutora brasileira. É colunista mensal da revista Veja e professora aposentada da UFRGS.
Biografia
     Lya Fett nasceu em Santa Cruz do Sul, cidade gaúcha, de colonização alemã, filha do advogado e juiz Arthur Germano Fett. A sua família tinha muito orgulho de suas raízes germânicas e, por isso, considerava-se superior aos "brasileiros", embora seus integrantes tivessem chegado ao Brasil em 1825. Durante sua juventude, Lya foi tida como uma menina desobediente e contestadora: não gostava de aprender a cozinhar nem a bordar e chegou a ser mandada para um internato durante dois meses. Porém, desde cedo foi uma ávida leitora — aos onze anos, já recitava poemas de Göethe e Schiller — e tinha um relacionamento mais natural com o pai, um homem culto a quem idolatrava, do que com a mãe. Aos dezenove anos, ela se converteu ao catolicismo, espantando aos pais, ambos luteranos.
     A partir de 1959, Lya Luft passou a residir em Porto Alegre, onde se diplomou em Pedagogia e em Letras Anglo-Germânicas pela  PUC-RS. Passou a trabalhar então como tradutora de literaturas em alemão e inglês. Em 1963, aos vinte e cinco anos, Lya se casou com Celso Pedro Luft, então um irmão marista, dezenove anos mais velho do que ela.. O casal teve três filhos: Susana (1965), André (1966) e Eduardo (1969).
     De 1970 a 1982, ela trabalhou como professora titular de Linguística na Faculdade Porto-Alegrense (FAPA) e obteve o grau de mestra em Linguística e em Literatura Brasileira.
     Em 1985, Lya Luft anulou seu casamento com Celso para viver com o psicanalista e também escritor Hélio Pellegrino, no Rio de Janeiro. Eles haviam sido apresentados um ao outro por Nélida Piñon. Em 1992, quatro anos após a morte de Pellegrino, Lya voltou a viver com Celso Luft, de quem ficou viúva em 1995.

Carreira literária
     No início de seu primeiro casamento, Lya Luft começou a escrever poemas, reunidos no livro Canções de limiar (1964). Em 1972, foi publicado seu segundo livro de poemas, intitulado Flauta doce. Quatro anos mais tarde, escreveu alguns contos e mandou-os para um editor da Nova Fronteira, Pedro Paulo Sena Madureira, que os considerou "publicáveis". Em 1978, foi lançada sua primeira coletânea de contos, Matéria do Cotidiano.
     O mesmo editor da Nova Fronteira tinha aconselhado Lya a escrever romances. Daí surgiu As parceiras, publicado em 1980. No ano seguinte veio A asa esquerda do anjo. Tais livros foram influenciados por uma visão de morte que a autora teve depois de sofrer um acidente automobilístico quase fatal em 1979.
     Em 1982, publicou Reunião de Família e, em 1984, outras duas obras: O Quarto Fechado e Mulher no Palco. O primeiro foi lançado nos Estados Unidos sob o título The Island of the Dead. Em 1987, lançou Exílio; em 1989, o livro de poemas O Lado Fatal; e, em 1996, o premiado O Rio do Meio (ensaios), considerado a melhor obra de ficção daquele ano.
     Em 2001, Luft recebeu o prêmio União Latina de melhor tradução técnica e científica, pela obra Lete: Arte e crítica do esquecimento, de Harald Weinrich.
Em 2013, recebeu o Prêmio ABL, na categoria Ficção, Romance, Teatro e Conto, pela obra O tigre na sombra.
No total, já escreveu e publicou 23 livros, entre romances, coletâneas de poemas, crônicas, ensaios e livros infantis.
Os livros de Lya Luft continuam sendo traduzidos para diversos idiomas

Seu estilo
     Sou fascinada pelo lado complicado. Tenho um olho alegre que vive: sou uma pessoa despachada, adoro família, adoro a natureza. Mas eu tenho um outro olho que observa o lado difícil, sombrio. A minha literatura nunca vai ser "aí casaram e foram felizes para sempre". Minha literatura sempre nasceu do conflito, da dificuldade, do isolamento.
—Lya Luft

Obras
•          Canções de Limiar, 1964
•          Flauta Doce, 1972
•          Matéria do Cotidiano, 1978
•          As Parceiras, 1980
•          A Asa Esquerda do Anjo, 1981
•          Reunião de Família, 1982
•          O Quarto Fechado, 1984
•          Mulher no Palco, 1984
•          Exílio, 1987
•          O Lado Fatal, 1989
•          A Sentinela, 1994
•          O Rio do Meio, 1996
•          Secreta Mirada,1997
•          O Ponto Cego, 1999
•          Histórias do Tempo, 2000
•          Mar de Dentro, 2000
•          Perdas e Ganhos, 2003
•          Histórias de Bruxa Boa, 2004
•          Pensar é Transgredir, 2004
•          Para não Dizer Adeus, 2005
•          Em outras Palavras, 2006
•          A Volta da Bruxa Boa, 2007
•          O Silêncio dos Amantes, 2008
•          Criança Pensa, 2009
•          Múltipla Escolha, 2010
•          A Riqueza do Mundo, 2011
•          O Tigre Na Sombra, 2012
•          O Tempo é um Rio que Corre, 2013
•          Paisagem Brasileira, 2015


                                 RESUMOS  DOS TEMAS DE SUAS OBRAS


REUNIÃO DE FAMÍLIA

Criados de forma severa por um pai repressor e violento, Alice, Evelyn e Renato cresceram marcados pela insegurança, submissão, desconfiança, desunião e, acima de tudo, pela falta de amor. Quando o filho de Evelyn morre em um trágico acidente e ela passa a se comportar de forma estranha, acreditando que o menino ainda está vivo, a família decide se reunir para ajudar a irmã caçula. Mas nada acontece como esperado: o fim de semana que deveria servir para unir transforma-se numa catarse de culpas e segredos, um terrível jogo da verdade no qual os papéis de vítima e algoz se invertem. "Reunião de Família", terceiro romance de Lya Luft, compõe com "As Parceiras" e "A Asa Esquerda do Anjo" o que alguns críticos consideram a "trilogia da família". Neles são dissecados alguns dos valores que dão sustentáculo a nossa sociedade e são destruídas as falsas aparências que, em detrimento de todos os impulsos de vida e autenticidade, se constroem a partir de uma opressão mutiladora. Neste livro, o leitor encontrará, em uma linguagem sóbria e refinada, os conflitos familiares dramáticos diante de situações extremas que tanto fascinam a autora: a incomunicabilidade e amor, solidão, morte, mistério e busca de sentido.

AS PARCEIRAS

"Por que não morremos num período assim? Antes que tudo comece a esboroar. Nem sei se é no fundo ou na superfície que começa a erosão. A primeira tristeza não partilhada. A primeira solidão em que se vira as costas e, ao voltar, não se encontra mais a presença reconfortante. Apenas outra solidão, de costas. A consciência está alerta: está acabando. O resto vem depois. Todo o cortejo." Lya Luft Lançado originalmente em 1980, AS PARCEIRAS é o primeiro romance de Lya Luft, uma das mais premiadas e consagradas escritoras brasileiras. Recebido com críticas elogiosas pela imprensa - um livro raro e perfeito; acontecimento intelectual do ano - o livro é tema de estudos em diferentes universidades, já foi publicado na Alemanha e marca a chegada da obra de Lya na Editora Record. Com mais de 15 edições, AS PARCEIRAS aborda, principalmente, a contestação aos valores patriarcais. Uma visão feminina sobre uma família marcada pela morte, pela loucura, por um mundo decadente que a envolve e a desagrega. Nesta obra de estréia, Lya ensaia o mistério, o encantamento de narrativas onde a virulência atravessa o veio das emoções humanas. Uma lembrança dos contos de fadas que a escritora devorava quando menina. As doses maciças de fantasia - princesas, bruxas e magia - a marcaram, forjando os elementos predominantes em suas obras.

A SENTINELA

Em A sentinela, publicado originalmente em 1994, Lya mais uma vez usa uma casa como cenário; uma casa-labirinto, na qual uma mulher procura a saída, mas também tenta se decifrar ao longo do caminho e acaba se encontrando. “É um livro esperançoso: alguém renasce em si e de si mesmo e, ainda que guarde um último mistério indecifrável na gruta de seu pantanoso jardim (o interno e o externo), lança-se na vida e recria o mundo”, explica a autora.

O SILÊNCIO DOS AMANTES

Em O silêncio dos amantes, as histórias são pontuadas por conflitos familiares, solidão, a busca de um sentido da vida, rancores, incompreensão, mas também magia e amor nos relacionamentos. A incomunicabilidade entre pessoas que se amam resulta em tragédias e vidas assombradas pela culpa, mas também faz com que se abram os olhos para novos caminhos possíveis. “Aqui sim, é a linha que une as narrativas. A incomunicabilidade, o silêncio quando deveríamos falar e a palavra quando deveríamos ter calado: mas a gente não sabia. É parte do drama humano”, explica a autora. Com coragem e delicadeza, Lya Luft nos provoca a vermos sob um novo prisma o nosso cotidiano, pressentindo a imprevisibilidade, que o torna mais rico. “Ser humano, com toda a miséria e grandeza que isso significa, não é apenas precisar de amparo e consolo, mas também enxergar, abaixo da superfície e atrás das paredes, novas possibilidades de viver e se relacionar”, diz Lya.

PERDAS E GANHOS

“Entendi que a vida não tece apenas uma teia de perdas mas nos proporciona uma sucessão de ganhos. O equilíbrio da balança depende muito do que soubermos e quisermos enxergar.” — Lya Luft Lya Luft é uma mulher de seu tempo, e sobre ele dá seu testemunho em tudo o que escreve, especialmente neste novo livro. Neste primeiro livro seu publicado pela Record, a romancista, cronista e poeta convida o leitor para refletir ao seu lado, indagar, contemplar e admirar o mundo. "Não somos apenas vítimas de fatalidades", diz. "Somos também senhores de nossa vida." Num misto de ensaio e memórias, em PERDAS & GANHOS, Lya retoma diversos temas de O rio do meio — livro publicado em 1996, vencedor do prêmio de melhor livro da Associação Paulista de Críticos de Arte. Considera o ser humano ao mesmo tempo bom e capaz, fútil, medíocre e até cruel. Embarcado numa vida que é um dom, um mistério, e uma conquista a cada momento. Lya acredita que “a felicidade é possível, que não existe só desencontro e traição, mas ternura, amizade, compaixão, ética e delicadeza.” Sobre isso dialoga, aqui, com seu leitor. Entre alegrias, descobertas, decepções e buscas, em PERDAS & GANHOS — primeiro inédito desde as memórias de infância Mar de dentro, publicado em 2002 — a autora busca dar um testemunho pessoal sobre a experiência do amadurecimento. Convoca o leitor para ser seu amigo imaginário: cúmplice e companheiro de reflexões que vão da infância à solidão e à morte, ao valor da vida e à transcendência de tudo. Lya divaga, discute e versa, com ímpeto, compaixão, e muitas vezes bom humor, sobre velhice, amor, infância, educação, família, liberdade, homens e mulheres, gente de verdade... e conclui que o tempo passa mas as emoções humanas não mudam, revelando que é preciso reaprender o que é ser feliz. Um livro sensível, delicado e inquietante de uma das mais importantes escritoras brasileiras da atualidade, premiada pela crítica e consagrada pelos leitores.

A RIQUEZA DO MUNDO

A RIQUEZA DO MUNDO é um livro a um tempo áspero e poético, sempre questionador — do jeito da autora. Como lhe é de costume, ela aborda o drama existencial humano, nossas comuns perplexidades, educação, família, autoridade, moralidade versus moralismo, e alguns dos problemas mais pungentes da nossa sociedade, como guerras, miséria, política e outros. Fala também de como vemos, usamos ou criamos a riqueza do mundo, seja natural, intelectual ou artística, afetiva, econômica. Do que conquistamos ou nos é concedido: os delírios da arte, as aventuras da ciência, os campos lavrados, os mares e céus que sondamos. Mas fala também do que desperdiçamos ou matamos, da pobreza advinda do desinteresse, da dor nascida da traição, das crenças que se digladiam."Escrevo sobre o que não sei direito", ela costuma dizer, "escrevo para entender melhor e para dividir meus assombramentos com meu leitor." A RIQUEZA DO MUNDO é uma espécie de "livro das indagações", com críticas, dúvidas, momentos de fria lucidez e outros de grande delicadeza. Que nos trazem, cara a cara, alguns de nossos fantasmas, para que, se pronunciarmos o seu nome, eles se tornem menos assustadores.

A ASA ESQUERDA DO ANJO

Gisele é uma mulher frustrada e deprimida que trilha um caminho de autodestruiçăo ao longo do qual revela o orgulho, a hipocrisia e o ressentimento de seu universo social e familiar.

O LADO FATAL

O lado fatal foi composto a partir de uma grande perda. Um desabafo, um modo de renascer e sair de um momento sombrio. Lançado pela primeira vez em 1988, foi sucesso editorial por anos a fio, até que, a pedido da autora, teve sua publicação interrompida. Vinte e três anos depois, o distanciamento que o tempo trouxe e o novo olhar sobre sua obra deram à autora a compreensão de que O lado fatal não pertencia apenas a ela: ele pertence ao leitor.

EM OUTRAS PALAVRAS

Com Em outras palavras Lya Luft conduz o leitor, mais uma vez, a refletir sobre o cotidiano, a política, a vida e o amadurecimento. Aqui estão reunidas as melhores crônicas da autora publicadas de 2004 a 2006. Mas os 54 textos selecionados por ela aparecem com algumas alterações: “Faz parte de meus vícios, burilar meus textos enquanto for possível: pelo prazer, e pelo respeito a mim mesma e ao meu leitor — não importa se é em romance ou ensaio, poema ou crônica

O RIO DO MEIO

"Há um duelo permanente entre duas personalidades que habitam, talvez, todo mundo: uma, a convencional, que faz tudo 'direito'; a outra, a estranha, agachada no porão da alma ou num sótão penumbroso; que é louca, assustadora, quer rasgar as tábuas da lei, transgredir, voar com as bruxas, romper com o cotidiano. E, interfere naquela, 'boazinha', que todos pensam conhecer tão bem. Quando escrevi meu primeiro romance, descobri meu jeito de tentar reunir todas as sombras que se remexiam e chamavam, e de mergulhar, já sem medo, nesse rio do meio que tudo carrega para o mar definitivo." Lya Luft Lançado originalmente em 1996, O RIO DO MEIO, de Lya Luft, foi um dos pioneiros em um gênero indefinido e inusitado na literatura brasileira: nem ficção, nem relato jornalístico. Original, o livro foi vencedor do prêmio de melhor obra do ano da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA).

PENSAR É TRANSGREDIR

Pensar é transgredir vai da preocupação com o social à inquietação pelo mistério da vida. Mas nele Lya Luft também deixa entrever um pouco do cotidiano em sua casa, revela coisas de sua infância e mostra seu lado bem-humorado, seguidamente comentado por quem a conhece pessoalmente. Fala do desafio que é podermos escrever uma parte da nossa história pessoal, e da dificuldade de sermos responsáveis por nossas escolhas; mas também escreve sobre ternura, alegria e perplexidade.

EXÍLIO

Publicado originalmente em 1987, em EXÍLIO, Lya Luft narra a saga de uma mulher que tenta resgatar a imagem da mãe suicida. Partindo desse doloroso universo, a consagrada autora de Perdas & ganhos e Pensar é transgredir constrói uma história repleta de conflitos e ensinamentos. Nesta tragédia contemporânea, Lya Luft, desnuda mais uma vez os mais profundos sentimentos humanos: a solidão, a morte, o amor, o vício, o assombramento e o desencontro.

PARA NÃO DIZER ADEUS


Em Para não dizer adeus Lya Luft desnuda — desta vez em versos — os mais profundos sentimentos humanos: a solidão, a morte, o amor, o vício, o assombramento e o desencontro. Entre poemas antigos e inéditos (em sua maioria), Lya Luft mostra algumas de suas várias faces e retoma, com extrema delicadeza, alguns dos principais temas de sua prosa.


O QUARTO FECHADO

Neste romance, Lya constrói uma trama de cenário sombrio. Um casal separado volta a se reunir dos dois lados do caixão de seu filho morto, revendo cada um a sua vida e o que os conduziu àquela trágica situação. Em meio a forças demoníacas e cenas com delicadeza comovente, o leitor assiste em flash-back o sofrimento de um adolescente suicida e sua irmã gêmea, um ser repulsivo trancado num quarto, uma velha e outros personagens que retratam as inquietudes do ser humano.


MÚLTIPLA ESCOLHA

Em Múltipla Escolha, Lya indaga, debate e transgride com o fervor de alguém que refuta a mediocridade e escolhe a vida. Como se sobre um palco, cercada de portas simbólicas, o complexo mundo contemporâneo à frente, a autora convoca sua “tribo” para o necessário ritual de pensar. Em foco, questões fundamentais, como a velhice e a juventude, os novos dilemas e tabus da sexualidade, a comunicação virtual, as fronteiras entre o privado e o público, drogas, violência, bondade e perversidade, o mal-estar social: elementos-chave da nossa rotina diária. Fala sobre esses “mitos modernos” que criamos para se tornarem senhores de nossa vontade e sobre os quais pondera num diálogo aberto com o leitor. “Gosto desse jeito mais direto de falar com meu leitor sobre, no fundo, partes do drama existencial humano, e algumas loucuras da nossa sociedade, nossa cultura. Sobre nadar contra a correnteza para não naufragar no espírito de manada destes nossos tempos. Enfim, esse tipo de ensaio, no sentido mais original da palavra, ‘ensaiar — discorrer sobre algum tema’, é mais um modo de me expressar. Simples assim”, argumenta Lya.

O PONTO CEGO

Romance de amor e mistério — trata de assuntos universais e pessoais como dores, sonhos e vivências —, no qual a história de uma família é contada do ponto de vista de uma criança.

SECRETA MIRADA

O livro fala sobre o sentimento humano, família, arte e coisas simples da vida. Entre os poemas, foram intercalados pequenos textos em prosa. O resultado final assemelha-se a uma bela história, quase um romance, com princípio, meio e fim.

O TIGRE NA SOMBRA

O tigre na sombra é um romance impactante no qual Lya Luft, de maneira surpreendente cria um universo de mistério, magia e dramas humanos muito reais, com os quais qualquer leitor é capaz de se identificar e se emocionar. Apresentando personagens marcantes e um final completamente inesperado, a veterana Lya Luft consegue aqui se renovar mantendo intacta sua magistral capacidade de contar histórias.

MAR DE DENTRO

'Mar de dentro' é leve, mas irônico, delicado, mas intenso, dono de uma criatividade que pode até incomodar. Igualzinho à criança que Lya Luft foi. Mais do que relembrar suas próprias histórias, a autora desperta no leitor memórias sensoriais, como o cheiro da chuva na terra quente, o vento nas folhas, o perfume da mãe, o som do mar, o silêncio das dunas de areia. Um texto repleto de delicadeza, mas de uma forte humanidade.


HISTÓRIAS DE BRUXA BOA
A menina Tatinha morava no andar de cima de uma casa com papai e mamãe. No térreo morava sua avó, que, poucos sabiam, era uma bruxa boa chamada Lilibeth. Como toda bruxa boa, ela só fazia feitiço para proteger as pessoas e assustar as bruxas más que moravam num buraco feio, sujo e cheio de ratos, na esquina da rua. As bruxas más eram irmãs. A gordinha chamava-se Cara-de-Panela, a magra era a Cara-de-Janela. Tatinha era aprendiz de bruxa, ajudante de Lilibeth nessas histórias em que dois mais dois podem não ser quatro, o claro pode ser escuro e o sol pode virar lua.

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