SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

II – BARROCO (1601 – 1768)



1.CONTEXTO
• Renascimento e a Reforma de Lutero. A Contra-Reforma da Igreja  Católica (Concílio de Trento; companhia de Jesus = padres jesuítas).  Séculos XV e XVI.

2.MARCO INICIAL
Prosopopeia (1601) — poema épico de Bento Teixeira, tendo por assunto os feitos militares de Jorge de Albuquerque.

3.AUTORES
Gregório de Matos Guerra, poeta baiano. Produziu poesia satírica, pornográfica, amorosa, filosófica e religiosa Através sobretudo de sua poesia satírica, traça um painel do Brasil Colônia de então. Incorpora características da linguagem popular. Na poesia amorosa: descrição  idealizante da amada, convite ao prazer amoroso. Na poesia religiosa: homem pecador X Deus salvador.
Pe. Antônio Vieira, português de nascimento. Orador sacro famoso:  cerca de 200 Sermões. Tendência conceptista de estilo. Grande domínio da língua portuguesa. Além dos temas religiosos, demonstro preocupação com assuntos sociais, políticos e econômicos de seu  tempo. Sermão da Sexagésima: aponta as três causas possíveis pelo fraco efeito das pregações: o próprio pregador, o ouvinte e Deus.



4.CARACTERÍSTICAS
• Estética do conflito, pela confluência de valores medievais (teocentrismo) e valores renascentistas (antropocentrismo).
• Tensão e angústia existencial.
• Uso abundante de linguagem figurada: antítese, paradoxo, fusionismo; metáfora, hipérbole, repetição, inversão sintática...
• Estilo opulento, todo retorcido, feito de tensão e contrastes.
• Tematização da brevidade da vida e da efemeridade de tudo:juventude, beleza, poder, riqueza... O famoso “carpe diem “.

5.CORRENTES
Cultismo: valorização dos aspectos externos, sensoriais, formais.
Conceptismo: valorização das idéias, raciocínios, argumentação; a semântica das palavras.


 1. Gregório de Matos
      
      Poesia  satírica
A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha,
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.

Em cada porta um freqüentado olheiro,
Que a vida do vizinho e da vizinha
Pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
Para levar à Praça e ao Terreiro.

Muitos mulatos desavergonhados,
Trazidos pelos pés os homens nobres,
 Posta nas palmas toda picardia.

Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres,
E eis aqui a cidade da Bahia.

     Poesia  religiosa
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta demência me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado.
A abrandar-vos sobeja um só gemido,
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida, e já cobrada,
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgastada.
Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.



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