SOS LÍNGUA PORTUGUESA

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

SEGUNDA FASE DO MODERNISMO (1930 - 1945)

 1-A  POESIA  MODERNISTA  DA  SEGUNDA  FASE 

1.CARACTERÍSTICAS

             

Reflete  o mundo moderno, canta o homem presente. Importa ao poeta mais a sinceridade de seus temas do que a beleza ou a feiura do universo enfocado. Revela uma visão original da vida, dos seres e do mundo.
  Principais  características:
.Aproximação da prosa na estrutura rítmica, vocabular e temática.
.Abandono das formas poéticas consagradas.
. O instrumento do modernismo é o verso livre.            
2.CECÍLIA    
    MEIRELES
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1901, cidade onde viria a morrer, em 1964. Órfa de pais, foi criada pela avó materna, aoriana. Formou-se professora primária, dedicando-se longos anos ao magistério, experiência da qual resultou um belíssimo livro, em prosa; para  curso primário: Criança, meu amor.
Estreou sua carreira de poetisa com Espectros (1919), época em que se aproximou do grupo ligado à revista modernista Festa, logo optando por caminhos próprios e mais modernos.
Ensinou Literatura Brasileira nas Universidades do Distrito Federal e do Texas, tendo também viajado por vários países de que gostava muito: México, Índia e, sobretudo, Portugal, lugar onde seu mérito foi reconhecido antes mesmo de se consagrar no Brasil como uma das maiores vozes da poesia em língua portuguesa contemporânea.
Lírica e intimista, Cecília valorizou a riqueza e o ritmo do vocabulário português, tendo sido, talvez, aquela que cadenciou com mais beleza os versos curtos, utilizando ainda, algumas vezes, os versos livres.
Algumas obras:
poesia - Nunca mais e poema dos poemas, Baladas para El-Rei, Viagem, Vaga Música, Mar absoluto, Retrato natural, Amor em Leonoreta, Doze noturnos da Holanda, Romanceiro da Inconfidência, Poemas escritos na Índia, Solombra, Ou isto ou aquilo, etc.
prosa - Notícia da poesia brasileira; Problemas de literatura infantil; Escolha o seu sonho; Giroflê, Giroflá; etc.
3.CARLOS   
   DRUMMOND  DE    
   ANDRADE

Nasceu em Itabira (MG), em 1902, e faleceu em 1987, no Rio de Janeiro. Fez os estudos primários em sua cidade natal, iniciou os secundários em Friburgo, terminando-os em Belo Horizonte (MG), onde também diplomou-se em Farmácia. Foi professor de Português e de Geografia e durante toda sua vida colaborou no jornalismo. Em 1933 transferiu-se para o Rio de Janeiro, como funcionário público.
A partir de 1950, voltou-se inteiramente à atividade literária, fazendo traduções, escrevendo poesias, contos e intensificando sua produção de cronista.
É considerado um dos maiores poetas da literatura brasileira contemporânea. A maioria de seus poemas apresenta versos soltos e livres, isto é, sem rimas e sem um número determinado de sílabas, fugindo assim da métrica rígida tradicional.
Toda sua obra registra o "sentimento do mundo" - para ele, função essencial do poeta - e relata os acontecimentos, a realidade do dia a dia, os problemas do ser humano (brasileiro ou não), enfim, tudo aquilo que rodeia o homem ou a ele se refere: questões de ordem social, política, moral ou psicológica. E o faz com ironia, humor, esperança ou descrença, mas sempre com uma visão crítica e com um profundo conhecimento da alma humana.
Obras:
poesia - Alguma poesia, Brejo das almas, Sentimento do mundo, A rosa do povo, Poesia até agora, Claro -ell1gma, Viola de bolso, Viola de bols novamente encordo-ada, A vida passada a limpo, Lição de coisas, Boitempo, Obra completa, A paixão medida, Corpo, Amar se aprende amando, Amor, sinal estranhO, Poesia errante, o amor natural, etc.
prosa - Confissões de Minas; Contos de aprendiz; Passeios na ilha; Fala, amendoeira; A bolsa e a vida; Cadeira de balanço, Caminhos de João Brandão; O poder ultrajovem; De notícias e não-notícias faz-se a crônica; Os dias lindos; Contos plausíveis; Boca de luar; O observador no escritÓrio; Tempo, vida, poesia; O avesso das coisas; MoÇa deitada na Grama.
4.VINICIUS  DE 
    MORAES
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro. Ei-lo segundo suas próprias pa1avras: "capitão-do-mato, poeta, diplomata, o branco mais preto do Brasil. Saravá". Morreu em 9 de ju1ho de 1980, no Rio de Janeiro. A exemp10 de Cecília Meireles, o início de sua carreira está intimamente ligado ao Neo-Simbolismo da "corrente espiritualista" e a renovação católica da década de 30. Percebe-se em vários de seus poemas dessa fase um tom bíblico, seja nas epígrafes, seja diluído pelos versos. No entanto, o eixo de sua obra logo se deslocaria para um sensualismo erótico, o que viria acentuar uma contradição entre o prazer da carne e a formação religiosa; destaque também para a valorização do momento, para um acentuado imediatismo - as coisas acontecem "de repente, não mais que de repente" -, ao mesmo tempo que se busca algo mais perene. Desse quadro talvez resulte outra constante em sua poética: a felicidade e a infelicidade. Em varias oportunidades valoriza a alegria:
"É  melhor ser alegre que ser triste
 A alegria é a melhor coisa que existe
 E assim como a luz no coração"
                    ("Samba da bênção")
Em outras ocasiões, no entanto, o poeta associa a inspiração poética à tristeza:
"Para que vieste              Se foi por um verso
Na minha janela             Não sou mais poeta
Meter o nariz?                Ando tão feliz."
                     ("A um passarinho")
Em 1956, Vinicius de Moraes convidou Tom Jobim para fazer a música de sua peça teatral Orfeu da conceição. Assim nasceu a parceria que, logo depois, com a inclusão do cantor João Gilberto, daria início ao movimento de renovação da MPB, conhecido como bossa-nova. Posteriormente, Vinicius fez diversas outras parcerias - com Edu Lobo, Francis Hime e até mesmo Ary Barroso, compositor da famosa Aquarela do Brasil.
Principais obras: O Caminho para a Distância; Forma e Exegese; Ariana, a Mulher; Novos Poemas; Cinco Elegias; Poemas, Sonetos e Baladas; Pátria Minha; Livro de Sonetos; Novos Poemas II, O Mergulhador; A Arca de Noé.
5. MÁRIO  
    QUINTANA
(1906 – 1994) Nasceu em Alegrete, tradicional cidade oligárquica da campanha rio-grandense,filho de uma família de classe média. Com 13 anos ingressou no Colégio Militar de Porto Alegre. Em 1924, abandonou os estudos e, após curto retorno a Alegrete, em que trabalhou na farmácia do pai, fixou-se definitivamente em Porto Alegre. Durante muitos anos entregou-se á vida Boêmia, muito intensa na capital. Tornou-se tradutor da Editora do Globo, onde passou para o português livros de autores estrangeiros famosos. Também colaborou permanentemente com a imprensa. Apesar da consagração nacional que o cercou na velhice e das dezenas de títulos que recebeu,morreu em extrema pobreza, em 1994.
Seja por razões pessoais que ele nunca explicitou, seja por ter vivido numa sociedade pastoril em derrocada, Mário Quintana elaborava uma poesia eminentemente crepuscular, percorrida por uma constante amargura e articulada em torno de poucos elementos: a morte e a tristeza das coisas.
Desde seu livro de estreia, Rua dos Cataventos, composto por 35 sonetos, que parecem marchar contra o verso livre dos modernistas, percebe-se a melancolia intensa do eu-lírico.Sua interioridade está dilacerada,à maneira dos românticos. A todo momento ele se refere aos desencantos que o afligem,porém sua linguagem é tão evasiva, tão vaga e simbólica, que não se sabe, com clareza, quais são estes males. Ou seja, a tristeza do poeta é visível, as causas não. Exemplo famoso encontramos no primeiro quarteto do soneto XVII:
Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram.
 Foram levando qualquer coisa minha...
Este universo de ruínas interiores, de sonhos mortos e de naufrágios pessoais aparece em toda a sua obra, como em A carta, do livro Apontamentos de história sobrenatural:
 Hoje encontrei dentro de u,livro uma velha carta amarelecida.
Rasguei-a sem procurar ao menos saber de quem seria...
 Eu tenho um medo horrível
A essas marés montantes do passado, Com suas quilhas afundadas, com
Meus sucessivos cadáveres amarrados aos mastros e gáveas...
Ai de mim,
Ai de ti, ó velho mar profundo,
Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios!


         
No  meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra,                         
tinha uma pedra no meio do caminho                                                              
tinha uma pedra  no meio do caminho.  
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.  
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha lima pedra.  (Drummond)


                  
                   “ Quando eu nasci, um   
              anjo  torto desses  que vivem
               na sombra disse:Vai, Carlos,   
                     ser gauche na vida.”
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já  não pode beber,
 já não pode fumar,
cuspir já não pede,
a  noite  esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e  tudo fugiu
e tudo mofou,
 e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
 sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
 seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
 não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse ...
Mas você não morre,
você  é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
 para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha. José!
José, para onde?
                (C. D. de Andrade)


1. (PUCC-SP) José teria, segundo o poeta, possibilidades de alterar seu destino. Essas possibilidades estão sugeridas:
a) na 5ª e 6ª estrofes.               b) na 1ª, 2ª e 3ª estrofes.           
 c) na 3ª, 4ª e 6ª estrofes.f        d) na 4ª e 5ª estrofes.                   
                                  e) n.d.a .

2.(PUCC-SP) Só não é linguagem figurada:
a) "sua incoerência, seu ódio".     b) "seu instante de febre".      
c) "seu terno de vidro"                   d) "sua lavra de ouro".                
                                         e) n.d.a.

3. (PUCC-SP) Das possibilidades sugeridas pelo poeta para que Jose mudasse seu destino, a mais extremada está contida no verso:
a) "se você tocasse a valsa vienense".   b) "se você morresse".                   
 c) "José, para onde?”.                              d) "quer ir para Minas".               
                                           e) n.d.a.

4. (PUCC-SP) Para o poeta, José só não é:
a) alguém realizado e atuante.         b) um solitário.                    
c) um joão-ninguém frustrado.
d) alguém sem objetivo e desesperançado.                 
e) n.d.a.

5. (PUCC-SP) "A noite esfriou" é um verso repetido. Com isso, o poeta deseja:
a} deixar bem claro que José foi abandonado porque fazia frio.
b) traduzir a ideia de que José sentiu frio porque anoiteceu.
c) exprimir que,  após o término da festa, a temperatura caíra.
d) intensificar o sentimento de abandono, tornando-o um sofrimento quase físico.          
e) n.d.a.


6. (PUCC-SP) O verso que exprime concisamente que José  e "ninguém" é:
a) "você que faz versos".        b) "a festa acabou".      
c) "você que é sem nome".   d) "que zomba dos outros".         
e) n.d.a.

7. (PUCC-SP) O verso que expressa essencialmente a ideia de um José sem norte é:
a) "José, para onde?".        b) "sozinho no escuro".                
c) "mas você não morre"    d) "E tudo fugiu".                   
                                    e) n.d.a.

8. (PUCC-SP) Assinale a afirmativa falsa a respeito do texto.
a) Jose é alguém bem individualizado e a ele o poeta se dirige com afetividade.
b) O ritmo dos sete primeiros versos da 5ª estrofe é dançante.
c) "Sem teogonia" significa "sem deuses", "sem credo", "sem religião".
d) Os versos são em redondilha menor porque tal ritmo se ajusta perfeitamente à intimidade, singeleza e  espontaneidade das ideias.
e) n.d.a.

Autorretrato
Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,

E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado

Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.
 (Manuel Bandeira)

 Poema de sete faces
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
 ( .... )
 Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo
mais vasto é o meu coração.
(Carlos Drummond de Andrade)

9.Esses poemas têm em comum o fato de:
(A) descreverem aspectos físicos dos próprios autores.
(B) refletirem um sentimento pessimista.
(C) terem a doença como tema.
(D) narrarem a vida dos autores desde o nascimento.
(E) defenderem crenças religiosas.



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