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terça-feira, 31 de julho de 2012

O REALISMO (1881 - 1902) - BIOGRAFIA DE MACHADO DE ASSIS

      O Realismo foi um movimento artístico e literário surgido nas últimas décadas do século XIX na Europa, mais especificamente na França, em reação ao Romantismo.
CARACTERÍSTICAS DO REALISMO
Veracidade: Demonstra o que ocorre na sociedade sem ocultar ou distorcer os fatos
Contemporaneidade: descreve a realidade, fala sobre o que está acontecendo de verdade.
Retrato fiel das personagens: caráter, aspectos negativos da natureza humana.
Gosto pelos detalhes: lentidão na narrativa.
Amor: a mulher objeto de prazer/adultério.
Denúncia das injustiças sociais: mostra para todos a realidade dos fatos.
Determinismo e relação entre causa e efeito: o realista procurava uma explicação lógica para as atitudes das personagens, considerando a soma de fatores que justificasse suas ações. Na literatura naturalista, dava-se ênfase ao instinto, ao meio ambiente e à hereditariedade como forças determinantes do comportamento dos indivíduos.
Linguagem próxima à realidade: simples, natural, clara e equilibrada.
CORRENTES FILOSÓFICAS DA ÉPOCA
Positivismo (Augusto Comte)
Determinismo (Hippolyte Taine)
Darwinismo (Charles Darwin)
Evolucionismo social (Herbert Spencer)
Socialismo Utópico (Saint-Simon)
Socialismo Científico (Karl Marx)
O REALISMO NAS ARTES
    O Realismo fundou uma Escola artística que surge no século XIX em reação ao Romantismo e se desenvolveu baseada na observação da realidade, na razão e na ciência.
    Como movimento artístico, surgiu na França, e sua influência se estendeu a numerosos países. Esta corrente aparece no momento em que ocorrem as primeiras lutas sociais contra o socialismo progressivamente mais dominador, ao mesmo tempo em que há um crescente respeito pelo fato empiricamente averiguado, pelas ciências exactas e experimentais e pelo progresso técnico. Das influências intelectuais que mais ajudaram no sucesso do Realismo denota-se a reação contra as excentricidades românticas e contra as suas idealizações da paixão amorosa. A passagem do Romantismo para o Realismo corresponde uma mudança do belo e ideal para o real e objetivo.
O Realismo na pintura
    Principais pintores realistas: Édouard Manet, Gustave Courbet, Honoré Daumier, Jean-Baptiste Camille Corot, Jean-François Millet, Théodore Rousseau
O Realismo na escultura
    Na escultura, o grande representante realista foi o Auguste Rodin. O escultor não se preocupou com a idealização da realidade. Ao contrário, procurou recriar os seres tais como eles são. Além disso, os escultores preferiam os temas contemporâneos, assumindo muitas vezes uma intenção política em suas obras. Sua característica principal é a fixação do momento significativo de um gesto humano.
O Realismo na arquitetura
    Os arquitetos e engenheiros procuram responder adequadamente às novas necessidades urbanas, criadas pela industrialização. As cidades não exigem mais ricos palácios e templos. Elas precisam de fábricas, estações ferroviárias, armazéns, lojas, bibliotecas, escolas, hospitais e moradias, tanto para os operários quanto para a nova burguesia.
O Realismo no teatro
    Com o realismo, problemas do cotidiano ocupam os palcos. O herói romântico é substituído por personagens do dia-a-dia e a linguagem torna-se coloquial. O primeiro grande dramaturgo realista é o francês Alexandre Dumas Filho (1824-1895), autor da primeira peça realista, A Dama das Camélias (1852), que trata da prostituição.
     Fora da França, um dos expoentes é o norueguês Henrik Ibsen (1828-1906). Em   , por exemplo, trata da situação social da mulher. São importantes também o dramaturgo e escritor russo Gorki (1868-1936), autor de Ralé e Os Pequenos Burgueses, e o alemão Gerhart Hauptmann (1862-1946), autor de Os Tecelões.
    O Realismo pode ser visto até hoje em dia, em peças teatrais como o Homem da Faixa Preta e outras.
O REALISMO NA LITERATURA
    Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade em sua totalidade. Não bastava mostrar a face sonhadora ou idealizada da vida, como fizeram os românticos; desejaram mostrar a face nunca antes revelada: a do cotidiano massacrante, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo humano, da impotência do homem comum diante dos poderosos.
    Uma característica do romance realista é o seu poder de crítica, adotando uma objetividade que faltou ao romantismo. Grandes escritores realistas descrevem o que está errado de forma natural, ou por meio de histórias como Machado de Assis. Se um autor desejasse criticar a postura de alguma entidade, não escreveria um soneto para tanto, porém escreveria histórias que envolvessem-na de forma a inserir nessas histórias o que eles julgam ser a entidade e como as pessoas reagem a ela.
   Em lugar do egocentrismo romântico, verifica-se um enorme interesse de descrever, analisar e até em criticar a realidade. A visão subjetiva e parcial da realidade é substituída pela visão objetiva, sem distorções. Dessa forma os realistas procuram apontar falhas talvez como modo de estimular a mudança das instituições e dos comportamentos humanos. Em lugar de heróis, surgem pessoas comuns, cheias de problemas e limitações. Na Europa, o realismo teve início com a publicação do romance realista Madame Bovary (1857) de Gustave Flaubert. Alguns expoentes do realismo europeu: Gustave Flaubert, Honoré de Balzac, Eça de Queirós, Charles Dickens.
O REALISMO EM PORTUGAL
     O Realismo na Literatura surge quando o Bile (Wellington Victor Mohr)quer. Portugal após 1865, devido à Questão Coimbrã e às Conferências do Casino, como resposta à artificialidade, formalidade e aos exageros do Romantismo de uma sentimentalidade mórbida. Eça de Queirós é apontado, junto a Antero de Quental, como o autor que introduz este movimento no país, sendo o romance social, psicológico e de tese a principal forma de expressão. Deixa de ser apenas distracção e torna-se meio de crítica a instituições, à hipocrisia burguesa (avareza, inveja, usura), à vida urbana (tensões sociais, económicas, políticas) à religião e à sociedade, interessando-se pela análise social, pela representação da realidade circundante, do sofrimento, da corrupção e do vício. A escravatura, o racismo e a sexualidade são retratados com uma linguagem clara e directa.
     A primeira manifestação do Realismo em Portugal deu-se inicialmente na Questão Coimbrã, polémica esta que significou, nas palavras de Teófilo Braga “a dissolução do Romantismo”. Nela se manifestaram pela primeira vez as novas ideias e o novo gosto de uma geração que reagia contra o marasmo em que tinha caído o Romantismo.
    O segundo episódio verificou-se em 1871 nas Conferências do Casino (ou Conferências Democráticas do Casino). Nessa nova manifestação da chamada Geração de 70, os contornos do que seria o Realismo apareceram desenhados com maior nitidez, especialmente através da conferência realizada por Eça de Queirós intitulada O realismo como nova expressão da arte. Sob a influência do Cenáculo, e da sua figura central, Antero de Quental, Eça funde as teorias de Taine, do determinismo social e da hereditariedade com as posições estético-sociais de Proudhon. Atacando o estado das letras nacionais e propôs uma nova arte, uma arte revolucionária, que respondesse ao "espírito dos tempos" (zeitgeist), uma arte que agisse como regeneradora da consciência social, que pintasse o real sem floreados. Para Eça só uma arte que mostrasse efectivamente como era a realidade, mesmo que isso implicasse entrar em campos sórdidos, poderia fazer um diagnóstico do meio social, com vista à sua cura. Assim reagia contra o espírito da arte pela arte, visando mostrar os problemas morais e assim contribuir para aperfeiçoar a Humanidade. Com este cientificismo, Eça de Queirós já situava o Realismo na sua posição extrema de Naturalismo.
   Houve reacções: Pinheiro Chagas atacou Eça. Luciano Cordeiro argumentou que ele próprio já tinha defendido posições parecidas. A implantação efectiva do Realismo dá-se com a publicação do O Crime do Padre Amaro, seguida, dois anos mais tarde, pelo Primo Basílio, obras ambas de Eça, que são caracterizadas por métodos de narração e descrição baseados numa minuciosa observação e análise dos tipos sociais, físicos e psicológicos, aparecendo os factores como o meio, a educação e a hereditariedade a determinarem o carácter moral das personagens. São romances que têm afinidade com os de Émile Zola, com o intuito de crítica de costumes e de reforma social.
   O primeiro desses romances foi acolhido pelos críticos de então com um silêncio generalizado. O segundo provocou escândalo aberto. E a polêmica e a oposição entre Realismo e Romantismo estala definitivamente. Pinheiro Chagas ataca Eça considerando-o antipatriota, pelo modo como apresenta a sociedade portuguesa. Chegaram a aparecer panfletos acusando os realistas de desmoralização das famílias (Carlos Alberto Freire de Andrade: A escola realista, opúsculo oferecido às mães).
      Camilo Castelo Branco vai parodiar o Realismo com Eusébio Macário(1879) e voltando a parodiar com A Corja (1880). Mas curiosamente, mesmo através da paródia, Camilo vai absorver a nova escola, como é nítido na novela A Brasileira de Prazins. (1882).
     Entretanto o paladino do Realismo, Eça, vai desorientar os seus seguidores ortodoxos com a publicação de O Mandarim. O que faz com que Silva Pinto (1848-1911) que tinha exposto a teoria da escola realista e elogiado Eça num panfleto intitulado Do Realismo na Arte, vai agora atacar Eça em Realismos, ridicularizando o novo estilo deste. Reis Dâmaso, na Revista de Estudos Livres vai-se insurgir contra a publicação de O Mandarim acusando Eça de ter atraiçoado o movimento. Estas acusações não eram infundadas porque de facto Eça já estava a descolar de um realismo ortodoxo para o seu estilo mais pessoal onde o seu humor e a sua fantasia se aliam num estilo único.
    Desde a implantação do Realismo com a conferência de Eça, o movimento logrou um núcleo de apoiantes que se desmultiplicaram em explicar e defender o seu credo estético. Esse núcleo resvalou, em geral, para uma posição mais extremadamente Realista, o Naturalismo, tornando-se ortodoxo e dogmático. Os defensores dessa posição são José António dos Reis Dâmaso (1850-1895) e Júlio Lourenço Pinto (1842-1907) autor da Estética naturalista, que pretendia ser um evangelho do Naturalismo. No entanto esses dois autores são fracos do ponto de vista literário e totalmente esquecidos hoje em dia.
     Aqueles que não enveredaram por posições tão rígidas estão menos esquecidos, como Luís de Magalhães, que nos deixou O Brasileiro Soares (1886), livro prefaciado por Eça. Outros nomes são Trindade Coelho, Fialho de Almeida e Teixeira de Queirós.
     Por volta de 1890 o Realismo/Naturalismo tinha perdido o seu ímpeto em Portugal. Em 1893, o próprio Eça o declarava morto nas Notas Contemporâneas: “o homem experimental, de observação positiva, todo estabelecido sobre documentos, findou (se é que jamais existiu, a não ser em teoria).
Embora por vezes doutrinariamente fraco e/ou confuso o Realismo em Portugal apresenta-se por isso mesmo, mais do que um movimento consistente, como uma tendência estética, um sentir novo, que se opôs ao Idealismo e ao Romantismo. A sua consequência mais importante foi a introdução em Portugal às influências estrangeiras nos vários domínios do saber. Alargando as escolhas literárias e renovando um meio literário que estava muito fechado sobre si mesmo.
O REALISMO NO BRASIL
    A partir da extinção do tráfico negreiro, em 1850, acelera-se a decadência da economia açucareira no Brasil e o país experimenta sua primeira crise depois da Independência. O contexto social que daí se origina, aliado à leitura de grandes mestres realistas europeus como Stendhal, Balzac, Dickens e Victor Hugo, propiciaram o surgimento do Realismo no Brasil.
    Assim, em 1881, Aluísio Azevedo publica O Mulato (primeiro romance naturalista brasileiro) e Machado de Assis publica Memórias Póstumas de Brás Cubas (primeiro romance realista do Brasil).
  Lembrando que Machado de Assis foi o principal escritor do Realismo no Brasil, suas principais obras foram: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro.
    O realismo na Literatura manifesta-se na prosa. A poesia da época vive o parnasianismo. O romance - social, psicológico e de tese - é a principal forma de expressão. Deixa de ser apenas distração e torna-se veículo de crítica a instituições, como a Igreja Católica, e à hipocrisia burguesa. A escravidão, os preconceitos raciais e a sexualidade são os principais temas, tratados com linguagem clara e direta.
      Na passagem do romantismo para o realismo misturam-se aspectos das duas tendências. Um dos representantes dessa transição é o escritor e dramaturgo francês Honoré de Balzac (1799-1850), autor do conjunto de romances Comédia Humana. Outros autores importantes são os franceses Stendhal (1783-1842), que escreve O Vermelho e o Negro , e Prosper Merimée (1803-1870), autor de Carmen, além do russo Nikolay Gogol (1809-1852), autor de Almas Mortas.
    O marco inicial do realismo na Literatura é o romance Madame Bovary , do francês Gustave Flaubert (1821-1880). Outros autores importantes são o russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881), cuja obra-prima é Os Irmãos Karamazov; o português Eça de Queirós (1845-1900), que escreve Os Maias; o russo Leon Tolstói (1828-1910), criador de Anna Karenina e Guerra e Paz; os ingleses Charles Dickens (1812-1870), autor de Oliver Twist, e Thomas Hardy (1840-1928), de Judas, o Obscuro.
    A tendência desenvolve-se também no conto. Entre os mais importantes autores destacam-se o russo Tchekhov (1860-1904) e o francês Guy de Maupassant (1850-1893).
      No Brasil, o realismo marca mais intensamente a literatura e o teatro.
Artes plásticas -Entre os artistas brasileiros, tem maior expressão o realismo burguês, nascido na França. Em vez de trabalhadores, o que se vê nas telas é o cotidiano da burguesia. Dos seguidores dessa linha se destacam Belmiro de Almeida (1858-1935), autor de Arrufos, que retrata a discussão de um casal, e Almeida Júnior (1850-1899), autor de O Descanso do Modelo. Mais tarde, Almeida Júnior aproxima-se de um realismo mais comprometido com as classes populares, como em Caipira Picando Fumo.
Literatura -O realismo manifesta-se na prosa. A poesia da época vive o parnasianismo. O romance é a principal forma de expressão, tornando-se veículo de crítica a instituições e à hipocrisia burguesa. A escravidão, os preconceitos raciais e a sexualidade são os principais temas, tratados com linguagem clara e direta
      O realismo atrai vários escritores, alguns antes ligados ao romantismo. O marco é a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, que faz uma análise crítica da sociedade da época. Ligados ao regionalismo destacam-se Manoel de Oliveira Paiva (1861-1892), autor de Dona Guidinha do Poço, e Domingos Olímpio (1860-1906), de Luzia-Homem.
Teatro -Os problemas do cotidiano ocupam os palcos. O herói romântico é substituído por personagens do dia a dia e a linguagem passa a ser coloquial. Entre os principais autores estão romancistas realistas, como Machado de Assis, que escreve Quase Ministro, e alguns românticos, como José de Alencar, com O Demônio Familiar, e Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), com Luxo e Vaidade. Outros nomes de peso são Artur de Azevedo (1855-1908), criador de comédias e operetas como A Capital Federal e O Dote, Quintino Bocaiúva

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JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS
  Joaquim Maria Machado de Assis, também conhecido como Machado de Assis, Machado, ou bruxo (21 de junho de 1839 - 29 de setembro de 1908), era um brasileiro romancista , poeta , dramaturgo , conto escritor e defensor da monarquia . Considerado por muitos como o maior escritor da literatura brasileira, no entanto, ele não ganhou popularidade fora do Brasil em sua própria vida. Ele era multilingue, tendo aprendido francês, inglês, alemão, grego .
     As obras de Machado de Assis tiveram  uma grande influência sobre as escolas literárias do século 19 e início do século 20. José Saramago , Carlos Fuentes , Woody Allen e Susan Sontag estão entre seus admiradores, o crítico americano Harold Bloom chama de "o supremo artista preto literário até à data " , embora Machado de Assis não tenha se chamado de "negro" .
Nascimento e adolescência
    Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de Junho de 1839 em Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil .  Seus pais eram Francisco José de Assis, um mulato pintor de paredes, e Maria Leopoldina da Câmara Machado, uma lavadeira açoriano-portuguesa. Ele nasceu em Livramento casa de campo, de propriedade de Dona Maria José de Mendonça Barro Pereira, viúva do senador Bento Barroso Pereira , que protegeu seus pais e lhes permitiu viver com ela. Dona Maria José tornou-se madrinha de Joaquim e seu cunhado, comendador Joaquim Alberto de Sousa da Silveira, o padrinho, e ambos foram homenageados, dando seus nomes para o bebê. Machado tinha uma irmã que morreu jovem. Estudou em uma escola pública, mas não foi um bom aluno.  C Numa festa onheceu Padre Silveira Sarmento, que se tornou seu professor de latim e também amigo.
    Quando Joaquim tinha dez anos, sua mãe morreu e seu pai, juntamente como ele, se mudou para São Cristóvão. Francisco de Assis conheceu a mulata Maria Inês da Silva, e eles se casaram em 1854. Joaquim teve aulas em uma escola só para meninas, graças a sua madrasta que trabalhava lá fazendo doces. À noite, ele aprendeu francês com um padeiro imigrante. Em sua adolescência, ele conheceu o mulato Francisco de Paula Brito , dono de uma livraria, um jornal e tipografia.  Em 12 de janeiro de 1855, Francisco de Paula publicou o poema Elle ("Ela"), escrito por Joaquim, de 15 anos de idade, no jornal Marmota Fluminense . No ano seguinte, ele foi contratado como aprendiz de tipógrafo na Oficial Imprensa (Imprensa Oficial, carregada com a publicação das medidas do Governo), onde foi incentivado como um escritor por Manuel Antônio de Almeida , diretor do jornal e também um romancista. Lá, ele também se reuniu com Francisco Otaviano , jornalista e senador depois liberal, e Quintino Bocaiúva , que décadas mais tarde se tornaria conhecido por seu papel como um orador republicano.
Início da carreira e da educação
    Francisco Otaviano Machado o contratou para trabalhar no jornal Correio Mercantil como revisor em 1858. Ele continuou a escrever para o Marmota Fluminense e também para vários outros jornais, mas ele não ganhava muito e teve uma vida humilde. Como  não morava mais com seu pai, era comum para ele comer só uma vez por dia por falta de dinheiro.
    Nessa época, ele se tornou amigo do escritor e político liberal José de Alencar , que lhe ensinou inglês . Da literatura inglesa , ele foi influenciado por Laurence Sterne , William Shakespeare , Lord Byron e Jonathan Swift . Ele aprendeu alemão anos mais tarde e em sua velhice, grego . Foi convidado por Bocaiúva a trabalhar em seu jornal Diário do Rio de Janeiro, em 1860. Machado tinha uma paixão por teatro e escreveu várias peças por um curto período de tempo, e seu amigo Bocaiúva concluiu: "Seus trabalhos são feitos para serem lidos e não encenados".  Ele ganhou alguma notoriedade e começou a assinar seus escritos como JM Machado de Assis, a maneira como ele seria conhecido para a posteridade: Machado de Assis
      Seu pai Francisco de Assis morreu em 1864. Machado soube da morte de seu pai através de conhecidos. Ele dedicou sua compilação de poemas chamado "Crisálidas" a seu pai: "Para a memória de Francisco José de Assis e Leopoldina Maria Machado de Assis, os meus pais ". Com a ascensão do Partido Liberal ao poder naquela época, Machado pensou em pode receber um patrocínio que iria ajudá-lo a melhorar sua vida. Para sua surpresa, a ajuda veio do Imperador Dom Pedro II , que o contratou como assistente de direção, no Diário Oficial, em 1867, e foi nomeado cavaleiro como uma honra. Em 1888, Machado foi nomeado oficial da Ordem da Rosa.
Casamento e família
      Em 1868 Machado conheceu a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, cinco anos mais velha que ele.Ela era a irmã de seu colega Faustino Xavier de Novais, para quem trabalhou na revista O Futuro. Aflito pelo  gaguejo, Machado era extremamente tímido, baixo e magro, mas  era muito inteligente e bem educado. Ele se casou com Carolina em 12 de novembro de 1869, embora seus pais Miguel e Adelaide, e seus irmãos reprovassem porque Machado era mulato e ela era de ascendência puramente europeia. Eles não tiveram filhos.
Literatura
    Machado conseguiu subir na carreira burocrática, primeiro no Departamento de Agricultura. Três anos depois, ele se tornou o chefe de uma seção na mesma. Ele publicou dois livros de poesia: Falenas , em 1870, e Americanas , em 1875. Sua recepção fraca o fez explorar outros gêneros literários.
   Ele escreveu vários romances românticos, tais como: Ressurreição , A Mão e Luva , Helena e Iaiá Garcia . Os livros foram um sucesso com o público, mas os críticos literários os consideraram medíocres. Machado sofreu repetidos ataques de epilepsia , aparentemente relacionados à morte de seu velho amigo José de Alencar. Ele se tornou melancólico , pessimista e fixo sobre a morte. Seu próximo livro, marcado por "um tom cético e realista  ", Memórias póstumas de Brás Cubas (também traduzido como Epitáfio para um Pequeno Vencedor ), é amplamente considerado uma obra-prima.  Até o final da década de 1880, Machado ganhou grande renome como escritor.
       Embora ele se opusesse à escravidão, nunca falou contra ela em público. Ele evitou discutir política. Foi criticado pelo abolicionista José do Patrocínio e pelo escritor Lima Barreto por ficar longe da política, especialmente  da causa da abolição. Ele também foi criticado por eles por ter se casado com uma mulher branca.
       Machado foi pego de surpresa com a monarquia derrubada em 15 de novembro de 1889.  Não tinha simpatia pelo republicanismo, ele se considerava um liberal monarquista e venerava Pedro II, a quem ele percebia como "um humilde, homem honesto, bem-instruído e patriota, que soube fazer de um trono uma cadeira [por sua simplicidade], sem diminuir . sua grandeza e respeito ". Quando uma comissão foi ao escritório público onde trabalhou para remover a imagem do ex-imperador, o Machado tímido desafiou-os: "A imagem entrou aqui por um fim e deve deixar apenas por outra ordem ".
    O nascimento da república brasileira fez Machado tornar-se mais crítico e observador da sociedade brasileira de seu tempo. A partir de então, ele escreveu "não só os grandes romances de sua época, mas os maiores de todos os tempos da literatura brasileira : Quincas Borba (Filósofo ou cão?) (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908), obras consideradas  sucessos tanto críticos quanto de público. Em 1893 ele publicou "A Missa do Galo" considerado seu maior conto.
Últimos anos
     Machado de Assis, juntamente com colegas monárquicos , como Joaquim Nabuco , Manuel de Oliveira Lima , Celso Afonso de Assis e Alfredo d'Escragnolle Taunay , e outros escritores e intelectuais, fundou a Academia Brasileira de Letras . Ele foi o primeiro presidente,  de 1897-1908, quando ele morreu. Por muitos anos, ele pediu que o governo concedesse uma sede própria para a Academia, que ele conseguiu obter em 1905. Em 1902 ele foi transferido para diretoria da contabilidade do Ministério da Indústria.
    Sua esposa Carolina Novais morreu em 20 de outubro de 1904, depois de trinta e cinco anos de uma vida " casada perfeita". Sentindo-se deprimido e solitário, Machado não sobreviveu a ela por muito mais tempo, e morreu em 29 de setembro de 1908.  
Estilo narrativo
    O estilo de Machado é único, e vários críticos literários têm tentado descrevê-lo desde 1897. Ele é considerado por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos, e um dos maiores romancistas do mundo e contistas. Suas crônicas não compartilham o mesmo status. Seus poemas são muitas vezes mal compreendido pela utilização de termos brutos, por vezes associado ao estilo de Augusto dos Anjos , outro escritor brasileiro.
    Machado de Assis foi incluído no pelo crítico literário americano Harold Bloom na lista dos 100  maiores gênios da literatura, ao lado de escritores como Dante , Shakespeare e Cervantes . Bloom considera-o o maior escritor negro na literatura ocidental,  uma classificação baseada na concepção  de raça nos Estados Unidos.
     Suas obras têm sido estudados por críticos em vários países do mundo.
      Os críticos estão divididos quanto à natureza da escrita de Machado de Assis. Alguns, como Abel Barros Baptista, classificam Machado como um ferrenho antirrealista, e argumentam que sua escrita faz  ataques ao realismo, com o objetivo de negar a possibilidade de representação ou a existência de uma realidade objetiva significativa. Críticos realistas como John Gledson são mais propensos a considerar a obra de Machado como uma descrição fiel da realidade brasileira, mas executado com uma técnica inovadora ousadia. Historiadores como Sydney Chalhoub argumentam que a prosa de Machado constitui uma exposição da disfunção social, política e econômica do Brasil do Segundo Império. Os críticos concordam sobre a forma como ele usou técnicas inovadoras para revelar as contradições de sua sociedade. Roberto Schwarz ressalta que as inovações Machado em prosa narrativa são usados ​​para expor as hipocrisias, contradições e disfunção do Brasil do século XIX. Schwartz, um marxista, afirma que Machado inverte a narrativa com muitas convenções e intelectual para revelar os perniciosos fins para os quais eles são usados. Assim, vemos críticos reinterpretar Machado de acordo com seus próprios projetos ou a sua percepção de qual a melhor forma de validá-lo para seu próprio momento histórico. Independentemente disso, sua prosa incisiva brilha, capaz de se comunicar com os leitores de diferentes épocas e lugares, transmitindo seu sentido irônico e ainda da proposta de que nós, como seres humanos, somos.
     O  estilo literário de Machado de Assis tem inspirado muitos escritores brasileiros. Suas obras foram adaptadas para teatro, televisão e cinema. Em 1975, a Comissão de Machado de Assis, organizada pelo Ministério da Educação e Cultura, organizou e publicou as edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes. Suas principais obras foram traduzidas para vários idiomas.           
     Grandes escritores do século 20, como Salman Rushdie , Cabrera Infante e Carlos Fuentes , bem como o diretor de cinema americano Woody Allen , proclamaram o seu entusiasmo para sua ficção.     Apesar dos esforços e patrocínio de tais intelectuais bem conhecidos como Susan Sontag , Harold Bloom , e Elizabeth Hardwick , os livros de Machado de livros, os mais famosos dos quais estão disponíveis em Inglês, em várias traduções, nunca alcançaram grandes vendas no mundo de fala Inglesa e ele continua a ser relativamente desconhecido, mesmo em comparação com outros países.
 Obras   
    Podemos dividir as obras de Machado de Assis em duas fases: Na primeira fase (fase romântica) os personagens de suas obras possuem características românticas, sendo o amor e os relacionamentos amorosos os principais temas de seus livros. Desta fase podemos destacar as seguintes obras: Ressurreição (1872), seu primeiro livro, A Mão e a Luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878).
    Na Segunda Fase ( fase realista ), Machado de Assis abre espaços para as questões psicológicas dos personagens. É a fase em que o autor retrata muito bem as características do realismo literário. Machado de Assis faz uma análise profunda e realista do ser humano, destacando suas vontades, necessidades, defeitos e qualidades. Nesta fase destaca-se as seguintes obras: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), Quincas Borba (1892),    (1900) e Memorial de Aires (1908).
    Machado de Assis também escreveu contos, tais como: Missa do Galo, O Espelho e O Alienista. Escreveu diversos poemas, crônicas sobre o cotidiano, peças de teatro, críticas literárias e teatrais.
Lista de obras
1864 - Crisálidas ( Chrysalids ; poesia)
1870 - Falenas ( Phalaenae ; poesia)
1870 - Contos Fluminenses ( Contos do Rio , coleta de contos)
1872 - Ressurreição ( Resurrection , romance)
1873 - Histórias da Meia Noite ( Histórias de meia-noite , coleta de contos)
1874 - A Mão ea Luva ( A Mão ea Luva , romance)
1875 - Americanas (poesia)
1876 ​​- Helena (romance)
1878 - Iaiá Garcia ( Mistress Garcia ; romance)
1881 - Memórias póstumas de Brás Cubas ( Memórias Póstumas de Brás Cubas , também conhecido em Inglês como Epitáfio para um Pequeno Vencedor ; romance)
1882 - Papéis Avulsos ( Papers individuais , coleta de contos)
1882 - O alienista (também conhecida em Inglês como O alienista ou O psiquiatra ; novela)
1884 - Histórias Sem Data ( Histórias sem data ; coleção de histórias curtas)
1891 - Quincas Borba (também conhecida em Inglês como Filósofo ou cão? ; romance)
1896 - Varias Histórias ( várias histórias ; coleção de histórias curtas)
1899 - Páginas recolhidas ( Páginas retidos ; coleção de histórias curtas, incluindo O Caso da Vara )
1899 - Dom Casmurro ( Sir Dour , romance)
1901 - Poesias Completas (poesia completa)
1904 - Esaú e Jacó ( Esaú e Jacó ; romance)
1906 - Relíquias da Casa Velha ( Relíquias da Casa Velha ; coleção de histórias curtas)
1908 - Memorial de Aires ( Memórias do Conselheiro Aires , romance)
Títulos e honrarias
Membro da Academia Brasileira de Letras (1896-1908).
Presidente da Academia Brasileira de Letras (1897-1908).
Cavaleiro da Ordem da Rosa (1867).
Oficial da Ordem da Rosa (1888).

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